"Nada se espalha com maior rapidez do que um boato" (Virgílio)
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Anos 1920 - Café e Indústria (Parte 03/03)

Panfleto Comunista, 1930/1931.
S.l. (CPDOC/Anc1930-1931.00.00)

Crise de 1929

A depressão que afetou a economia mundial entre 1929 e 1934 foi a mais longa e profunda recessão econômica já experimentada até hoje. Ela se anunciou, ainda em 1928, por uma queda generalizada nos preços agrícolas internacionais. Mas o fator mais marcante foi a crise financeira detonada pela quebra da Bolsa de Nova Iorque. Desde 1927, a economia norte-americana vinha experimentando um boom artificial, alimentado por grandes movimentos especulativos nas bolsas e pela supervalorização de ações sem a cobertura adequada. Em 24 de outubro de 1929 - a chamada "quinta-feira negra" -, um movimento generalizado de vendas levou à brusca queda nos preços das ações e ao pânico generalizado. Até o final do mês, seguiram-se novas vendas maciças e novas derrubadas de preços, acompanhadas por uma crise bancária e uma onda de falências.
O fato de que já nessa época os Estados Unidos ocupavam uma posição hegemônica na economia capitalista mundial, como maior potência industrial e financeira, foi determinante para que a crise assumisse proporções mundiais. A repatriação de capitais norte-americanos, associada à brusca redução das importações pelos Estados Unidos, repercutiu fortemente na Europa, gerando uma crise industrial e financeira sem precedentes e o crescimento vertiginoso do desemprego. A crise também teve severos efeitos na América Latina, cuja economia agroexportadora foi altamente afetada pela retração nos investimentos estrangeiros e a redução das exportações de matérias-primas.
A reação inicial do governo norte-americano à "grande depressão" contribuiu para aprofundar ainda mais o ciclo recessivo, pois não houve qualquer tentativa do presidente Herbert Hoover de adotar medidas que estimulassem a recuperação das atividades econômicas e aliviassem as altíssimas taxas de desemprego norte-americanas. A ascensão de Franklin Roosevelt à presidência, em 1932, abriu caminho para a adoção de uma política econômica intervencionista, o chamado New Deal. De fato, uma das principais conseqüências da depressão, a médio e a longo prazo, foi uma intensificação generalizada da prática da intervenção e do planejamento estatal da economia, que passou a vigorar não só nos Estados Unidos, mas também nos países europeus e na América Latina.

O período entreguerras - Resumo (Parte 07/07)


A Alemanha nazista

Ao terminar a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha vivia uma situação muito difícil. Havia desemprego, inflação, violência e um profundo descontentamento com as disposições do Tratado de Versalhes.
Uma nova Constituição estabeleceu uma República parlamentarista, conhecida como República de Weimar, nome da cidade onde foi elaborada a Constituição. O Reichstag (Parlamento) seria formado por deputados eleitos por voto universal.
No ano de 1919, na cidade de Munique, foi fundado o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou Partido Nazista.
Adolf Hitler, ex-combatente da Primeira Guerra Mundial, assumiu a sua direção. Esse partido ganhou grande número de adeptos. Seus membros eram identificados por um símbolo, a suástica (cruz torta), que, mais tarde, foi usada como emblema do Terceiro Reich. Os nazistas criaram as tropas de assalto, os “camisas pardas”, que perseguiam seus opositores.
Em novembro de 1923, os nazistas tentaram um golpe para tomar o poder. O governo dominou o movimento, conhecido como Putsch de Munique. Hitler foi preso e na prisão escreveu Mein Kampf (“Minha luta”), obra na qual expôs os fundamentos do nazismo: nacionalismo extremado, totalitarismo, anticomunismo, anti-semitismo e o principio do espaço vital, ou seja, a conquista de territórios necessários ao desenvolvimento da Alemanha.
Nas eleições de 1925, o general Hindenburg, conservador, foi eleito presidente. Contudo, a crise mundial de 1929 atingiu a Alemanha de uma forma desastrosa: as exportações caíram, diminuiu a produção industrial e o número de desempregados chegou a 7 (sete) milhões.
Essa situação favoreceu a ascensão do Partido Nazista.
Apoiados pelos grandes industriais e banqueiros, os nazistas conseguiram expressiva vitória nas eleições de 1930. Dois anos depois, o presidente Hindenburg nomeou Hitler como chanceler. O nazismo alcançava, assim, o poder. Hitler fechou o Partido Comunista, perseguiu e prendeu comunistas, socialistas e liberais. Organizou a SS (Seção de Segurança) e a policia política secreta do Estado, a Gestapo. Houve o restabelecimento da pena de morte, o fechamento dos partidos políticos e dos sindicatos, a censura à imprensa, a suspensão das garantias individuais e civis, a perseguição aos judeus, sendo que muitos deles foram enviados para campos de concentração.
Em 1934, com a morte do presidente Hindenburg, Hitler assumiu a presidência, adotou o título de Fuhrer, guia, e anunciou a fundação do Terceiro Reich (Terceiro Império Alemão). Por meio de uma bem organizada propaganda, liderada por Joseph Goebbels, a sociedade alemã, e principalmente a juventude, sofria forte doutrinação.
O Estado nazista intervinha em todos os setores da economia. A indústria alemã cresceu principalmente na produção de armamentos. Para ocupar os trabalhadores desempregados, foram feitas grandes obras públicas, como a construção de aeroportos, ferrovias e rodovias.
Com o desenvolvimento industrial, houve a necessidade de conquista de novos mercados consumidores e fontes de matérias-primas, levando ao expansionismo alemão. Em 1938, Hitler invadiu a Áustria e a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, e, no ano seguinte, a Polônia. Iniciava-se a Segunda Guerra Mundial.

O período entreguerras - Resumo (Parte 06/07)

Benito Mussolini

O fascismo na Itália

Após o término da Primeira Guerra Mundial, a Itália era governada por uma monarquia parlamentar, dirigida pelo rei Vítor Emanuel III. Atravessava uma grave crise econômica, desemprego, miséria e inflação. As agitações eram constantes.
Benito Mussolini, ex-combatente da Primeira Guerra Mundial, ex-redator do jornal Avanti e ex-socialista, organizou em 1919 os “fascios de combate”, também conhecidos como “camisas negras”, que eram grupos de choque, para pôr fim às manifestações sociais. Nesse mesmo ano, os fascistas foram derrotados nas eleições parlamentares.
Em 1921, foi fundado o Partido Nacional Fascista, mas, nas eleições do ano seguinte, os fascistas foram novamente derrotados. Mussolini organizou, então, a Marcha sobre Roma (outubro de 1922), na qual milhares de seus partidários foram para a capital.
O rei Vitor Emanuel III foi obrigado a nomear Mussolini para o cargo de primeiro-ministro. Os fascios foram convertidos numa milícia para a segurança do Estado.
Nas eleições de 1924, os fascistas ficaram com a maioria no Parlamento. A oposição denunciou a fraude eleitoral, mas sofreu violenta repressão e seu líder, Matteotti, foi raptado e assassinado pelos camisas negras. Mussolini assumiu o poder como Duce, “condutor” concretizando o Estado fascista. A imprensa oposicionista foi fechada e, por meio da OVRA (polícia política fascista), houve perseguições aos socialistas e comunistas.
Uma das características da ideologia fascista é a exaltação do chefe e, segundo ela, um grande povo necessita de um grande homem como guia e a ele deve total obediência. Na Itália, em muitos lugares, principalmente nas salas de aula, figurava a seguinte frase: “Mussolini não erra nunca”
Em 1929, solucionando a Questão Romana, ao assinar o Tratado de Latrão, reconhecendo o Estado do Vaticano, Mussolini passou a contar com o apoio do clero. O catolicismo foi transformado em religião oficial do Estado fascista italiano.
Com o apoio das classes dominantes, Mussolini procurou desenvolver a economia da Itália. Mas a crise mundial de 1929 atingiu também os italianos. Para tentar superá-la, Mussolini aumentou a produção de armamentos e voltou-se para a expansão colonialista, tentando conquistar novos mercados. Em 1936, a Itália invadiu a Abissínia (atual Etiópia), no norte da África. A Sociedade das Nações, apesar de inúmeros protestos, acabou por aceitar o fato. Mussolini aliou-se à Alemanha e ao Japão em diversas questões internacionais.

O período entreguerras - Resumo (Parte 05/07)


O fascismo na Itália e na Alemanha

A palavra fascismo vem do termo latino fascio, feixe de varas, significando que a união fortalece o grupo. Fascismo é uma ideologia que se caracteriza por:
totalitarismo — nada deve vir acima do Estado, que tem controle absoluto sobre tudo;
nacionalismo — exaltação dos valores nacionais. Para os fascistas, a nação seria a mais perfeita forma de sociedade que a humanidade conseguiria construir;
militarismo — as nações têm de fortalecer seus exércitos para a defesa e executar uma política expansionista;
corporativismo — existência de um único partido que organiza a sociedade;
antiliberalismo — ausência de liberdade sindical, econômica e de imprensa;
propaganda controlada pelo Estado — com a finalidade de fortalecer o sentimento de patriotismo, culto ao chefe e disciplina.

O período entreguerras - Resumo (Parte 04/07)


A reação interna: o New Deal

Em 1933, quando Franklin Roosevelt assumiu a presidência dos Estados Unidos, ele elaborou um plano econômico, conhecido como New Deal (Nova Organização), visando recuperar o país da depressão.
A política do New Deal foi violentamente combatida pelos conservadores, que temiam o aumento do poder do Estado e o fortalecimento dos sindicatos. Mas a reeleição de Roosevelt tornou possível a continuação da política de recuperação.
O sindicalismo foi reforçado por uma lei, permitindo aos operários a liberdade de organização e de decisões coletivas. Foi estabelecida uma Lei de Segurança Social, que criava o seguro contra o desemprego, as pensões por velhice e o auxílio às mães e às crianças pobres. Houve a abolição do trabalho das crianças, estabeleceu-se um salário mínimo e regulamentou-se o número semanal de horas de trabalho. Essa política permitiu uma lenta, porém crescente recuperação dos Estados Unidos.

O período entreguerras - Resumo (Parte 03/07)


A crise de 1929 em outros países

A crise de 1929 acabou afetando vários países do mundo. Na Europa, muitas nações dependiam do crédito norte-americano e, quando este foi suspenso, sofreram forte abalo. Houve o fechamento de bancos, falências, desvalorização da moeda e desemprego. No início da década de 30, o número de pessoas desempregadas no mundo estava em torno de 40 milhões.
O Brasil também foi afetado pela crise de 1929. O café, o principal produto de exportação, tinha nos Estados Unidos o seu maior comprador. Com a crise, os norte-americanos reduziram as compras e os estoques de café aumentaram, provocando a queda do preço.

O período entreguerras - Resumo (Parte 02/07)


A queda da Bolsa de Valores de Nova York em 1929

Na década de 20, os países europeus estavam se recuperando e começaram novamente a produzir. Nos Estados Unidos, a concorrência européia fez cair os preços de vários produtos. Ao lado disso, houve também uma redução do consumo interno, pois muitas pessoas já haviam adquirido todos os bens materiais que desejavam.
Os grandes produtores agrícolas e os industriais, porém, não viram com clareza a crise que se aproximava e continuaram produzindo cada vez mais. Os excedentes eram estocados, mas a superprodução fazia cair o preço dos produtos.
Ao mesmo tempo, os norte-americanos, levados pela aparente prosperidade econômica, especulavam na Bolsa de Valores de Nova York, comprando ações das mais variadas empresas. Muitos faziam empréstimos bancários, que pretendiam saldar depois de venderem essas ações.
A superprodução provocada pelo subconsumo, a queda geral dos preços e a especulação geraram uma crise sem precedentes: a queda da Bolsa de Valores.
Em setembro de 1929, o valor das ações começou a oscilar; de repente subia, e logo em seguida caia. No mês seguinte, só houve queda, e os investidores queriam livrar-se das ações vendendo-as rapidamente. No dia 24 de outubro, conhecido como a “Quinta-feira Negra”, houve pânico na Bolsa. Cerca de 13 milhões de ações foram negociadas a qualquer preço, em um único pregão. De uma hora para outra, milhares de investidores viram-se na miséria.
A crise desenvolveu-se numa reação em cadeia. O crash financeiro acentuou a crise industrial, desaparecendo qualquer possibilidade de recuperação. Foi necessário reduzir a produção, o que provocou desemprego e redução dos salários dos que continuavam trabalhando. Por volta de 1933, mais de 14 milhões de norte-americanos estavam desempregados.

O período entreguerras - Resumo (Parte 01/07)


O entreguerras, período compreendido entre o término da Primeira Guerra Mundial (1918) e o inicio da Segunda Guerra Mundial (1939), foi marcado por crises econômicas, políticas e sociais em vários países.
Quando o primeiro conflito mundial terminou, os Estados Unidos eram uma nação poderosa, a mais rica do mundo.
No entanto, em 1929, os norte-americanos conheceram uma profunda crise, com a queda da Bolsa de Valores de Nova York, que gerou, por sua vez, uma gravíssima crise interna, provocando alto índice de desemprego e acabando por afetar vários países do mundo.
Ao terminar a Primeira Guerra Mundial, os europeus esperavam que a paz estivesse assegurada. Entretanto, o entreguerras foi um período muito conturbado, com a ocorrência de várias crises e com a radicalização política, surgindo regimes totalitários, como o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha.
A tensão entre as nações cresceu, provocando a Segunda Guerra Mundial, apenas 20 anos depois de estabelecido o Tratado de Versalhes.

Fonte: Caderno do Futuro – IBEP.

O período entreguerras (parte 01/02)

O período entreguerras (Parte 02/02)

A crise econômica de 1929


A crise econômica desencadeada a partir de 1929, quando da quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, reflete a crise mais geral do capitalismo liberal e da democracia liberal. No período entre guerras (1919 -- 39), a economia procurou encontrar caminhos para sua recuperação, a partir do liberalismo de Estado, ao mesmo tempo em que consolidava-se o capitalismo monopolista. Mesmo nos EUA, as leis anti-trustes perdiam o efeito e grandes empresas -- industriais e bancárias -- tomavam conta do cenário econômico, protegidas pela política não intervencionista adotada principalmente a partir de 1921.

A PROSPERIDADE AMERICANA

Desde o final do século XIX, a indústria norte americana conheceu um grande crescimento, no quadro da Segunda Revolução Industrial. Em 1912 foi eleito o presidente Woodrow Wilson, do Partido Democrata, a partir da defesa da Nova Liberdade, que começou a ser aplicada com a criação de leis trabalhistas específicas a algumas categorias profissionais como os marinheiros e de leis que pretendiam eliminar os grandes privilégios de pequenos grupos, através de mecanismos que coibiam o controle de mercado, aperfeiçoando a Lei Anti truste. No entanto o início da Primeira Guerra anulou essa política e a economia passou a ser dominada por Trustes, Holdings e Cartéis.As transações de produtos industriais e agrícolas se ampliaram com a abertura de créditos aos aliados, seguida da concessão de empréstimos à Inglaterra e França.
A produção norte americana deu um salto gigantesco em vários setores, destacando-se a indústria bélica, de material de campanha, de alimentos e mesmo de setores destinados ao consumo interno, uma vez que o potencial de consumo no país aumentou com a elevação do nível de emprego; ou ainda para a exportação, principalmente para a América Latina, tomando o lugar que tradicionalmente coube à Inglaterra.

O PERÍODO ENTRE GUERRAS

Terminada a Guerra, realizou-se a Conferência de Paris, onde os três grandes tomaram as principais decisões e impuseram os tratados aos países vencidos. No entanto, apesar da participação do presidente Wilson, os EUA não criaram mecanismos que garantissem sua participação nas reparações de guerra ou o pagamento dos empréstimos e das vendas aos países aliados, ao mesmo tempo em que não reivindicaram nenhum território colonial. O fim da guerra provocou a retração da economia norte americana, pois a industria de guerra diminuía o ritmo de produção, assim como os soldados que voltavam da guerra não eram absorvidos pelo mercado de trabalho, entre 1919 e 21 o país viveu a "Pequena Crise", determinando a derrota dos democratas. A partir de 1922 a França e a Inglaterra começam o processo de recuperação e passam a saldar suas dívidas com os EUA, porém esse procedimento somente será colocado em prática, na medida em que os alemães pagarem as reparações de guerra. A partir de 1924, os EUA passam a colaborar com a recuperação da economia alemã, fazendo investimentos no país, garantindo assim o pagamento das reparações e consequentemente das dívidas da época da Guerra. Esse período, após o ano de 1921, até a crise de 29 ficou conhecido como Big Bussines, caracterizado por grande desenvolvimento tecnológico, grande aumento da produção em novas áreas como a automobilística, geração de emprego e elevação do nível de consumo das camadas médias urbanas. Os edifícios tornaram-se os símbolos da prosperidade norte americana. A política econômica adotada pelos republicanos estimulava o desenvolvimento industrial em setores variados, a concentração de capitais ao mesmo tempo em que inibia as importações; essa política caracterizava-se pelo nacionalismo, que do ponto de vista social traduziu-se em preconceito e intolerância.

A CRISE

Alguns componentes são fundamentais para a compreensão da crise: 1) a superprodução que desenvolveu-se durante e mesmo após a Primeira Guerra Mundial, quando o mercado consumidor estava em expansão. Após a guerra e com o início da recuperação do setor produtivo dos países europeus, a produção norte americana entrou em declínio. Essa situação expressou-se principalmente no setor agrícola.2) A especulação na década de 20 foi um fenômeno que também alimentou a crise, pois como as empresas estavam obtendo altos lucros, suas ações tenderam a crescer, originando sociedades anônimas e empresas responsáveis apenas por gerir e investir dinheiro. A primeira expressão da crise ocorre no campo, na medida em que as exportações diminuíam, os grandes proprietários não conseguiam saldar as dívidas realizadas no período da euforia, além disso eram forçados a pagar altas taxas para armazenar seus grãos, acumulando dívidas que os levou, em massa, à falência. A crise no campo refletiu-se nas cidades com o desabastecimento pois o poder de compra diminuía na medida em que a mecanização da indústria passou a gerar maior índice de desemprego; e ao mesmo tempo promoveu a quebra de instituições bancárias, que confiscavam as terras e ao mesmo tempo não recebiam os pagamentos dos industriais que passavam a não vender sua produção.

A QUINTA-FEIRA NEGRA

A decadência nas vendas determinou um grande aumento dos estoques e ao mesmo tempo privou os industriais de capital necessário para saldar suas dívidas ou mesmo manter sua atividade. Dessa forma, muitos empresários passaram a vendar suas ações no mercado financeiro, elevando seu valor, como forma de levantar recursos e manter a produção; porém a elevação das ações fez com que milhares de pessoas passassem a vender as ações que, ao não encontrarem compradores despencaram, provocando vertiginosa queda nas cotações, levando bancos e industrias à falência, determinando a queda dos preços dos produtos agrícolas, provocando o desemprego de milhares de pessoas: 3 milhões em abril de 1930, 4 milhões em outubro do mesmo ano, 7 milhões um ano depois, 11 milhões m outubro de 32, de 12 a 14 milhões nos primeiros meses de 1933.

A CRISE MUNDIAL

A crise espalhou-se rapidamente pelo mundo, devido a interdependência do sistema capitalista. Os EUA eram o maior credor dos países europeus e latinos e passaram a exercer forte pressão no sentido de receberem seus pagamentos. Com a quebra industrial, o abastecimento do mercado latino americano foi afetado, provocando a falta de produtos e a elevação de preços, as importações norte-americanas diminuíam e mais uma vez os países latinos sentiam os efeitos da crise, pois viviam da exportação de gêneros primários ou mesmo supérfluos, como o café no Brasil.Na medida em que a economia européia se retraía, as áreas coloniais na Ásia e na África eram afetadas, pois aumentava a exploração das potências imperialistas. O único país a não sentir os efeitos da crise foi a URSS, que naquele momento encerrava o primeiro Plano Quinquenal e preparava o segundo, ou seja, desenvolvia uma economia fechada, que não utilizou-se de recursos externos, apesar das grandes dificuldades do país após a Revolução Russa e a Guerra Civil.
Fonte: http://www.historianet.com.br/