"Nada se espalha com maior rapidez do que um boato" (Virgílio)
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Como as democracias morrem – Steven Levitsky e Daniel Ziblatt



Democracias tradicionais entram em colapso? Essa é a questão que Steven Levitsky e Daniel Ziblatt – dois conceituados professores de Harvard – respondem ao discutir o modo como a eleição de Donald Trump se tornou possível. Para isso comparam o caso de Trump com exemplos históricos de rompimento da democracia nos últimos cem anos: da ascensão de Hitler e Mussolini nos anos 1930 à atual onda populista de extrema-direita na Europa, passando pelas ditaduras militares da América Latina dos anos 1970. E alertam: a democracia atualmente não termina com uma ruptura violenta nos moldes de uma revolução ou de um golpe militar; agora, a escalada do autoritarismo se dá com o enfraquecimento lento e constante de instituições críticas – como o judiciário e a imprensa – e a erosão gradual de normas políticas de longa data. Sucesso de público e de crítica nos Estados Unidos e na Europa, esta é uma obra fundamental para o momento conturbado que vivemos no Brasil e em boa parte do mundo e um guia indispensável para manter e recuperar democracias ameaçadas. São Paulo: Zahar, 2018. 272p. 

Gentilmente cedido pela colega Profª Augusta (CEAT)

Entendendo nossa democracia: 4. Finalizando




Muito bem, então o que fazer, hein?
Primeiro entender que é nas eleições para vereadores, prefeitos, deputados e senadores que se provoca a verdadeira mudança. São eles que aprovam as leis para mudar isso tudo que está aí. Mas essas eleições não têm charme, não é? E deixamos pra lá, pro último momento, escolhendo o candidato que alguém indicar e fica por isso mesmo.
Neste caso, a minha recomendação é: se você não tem um candidato confiável, opte pela renovação. Vote em gente nova, com ideias novas, com uma história de empreendedorismo em sua área de atuação. Troque a velharia que lá está. Não vote no sujeito porque ele é pobrezinho, feinho, fala engraçadinho, ou é apenas um palhaço. Agindo assim você não ajuda a subir o nível de nossa representação.  Se é pra votar no palhaço porque faz palhaçada, é preferível votar em branco.
Se você não confia em ninguém, vote no que parecer menos ruim! Assim existe alguma chance de provocar uma mudança. 

Entendendo nossa democracia: 3. o voto nulo (parte IV)




Vamos mais um exercício aqui ó. Suponha que o Brasil só tivesse 12 eleitores. Num segundo turno, seria eleito o candidato que tivesse mais de 50% dos votos. No caso, metade de 12, que são seis, mais um, sete votos.  Considere que o candidato A sempre teve 30% dos eleitores a seu favor, ou seja, dos 12 eleitores, a gente já sabe que quatro sempre votarão em A. E esses quatro são fiéis, militantes, que jamais deixarão de votar para ir à praia. Como o candidato A já tem quatro votos, para ganhar, portanto, precisa disputar mais três votos com o candidato B. Assim ele somará três aos quatro que já tem, terá sete que serão a maioria: metade dos 12 mais um. 

Entendendo nossa democracia: 3. o voto nulo (parte III)




Muito bem, o discurso da campanha pelo voto nulo é quase irresistível, não é? Se ninguém presta, se é tudo a mesma ..., se o processo é viciado, se somos obrigados, vamos nos abster de participar, ué. Parece lógico, não é? A minha opinião acho que você já sabe, mas vou dar um exemplo a seguir, pra deixar ainda mais clara:
No primeiro turno da votação de outubro para presidente estaremos provavelmente diante de cerca de 16 opções de voto, sendo 13 candidatos de diversos partidos mais as opções nulo, branco ou simplesmente não aparecer para votar. Para muita gente as 13 primeiras opções exigirão “escolher o menos pior”.
Aí surge aquele “Não concordo com nada do que está aí, não quero fazer parte desse circo, portanto voto em ninguém”. É o voto da indignação
O voto em branco é diferente. Ele quer dizer: “não sei em quem votar. Fiquei em dúvida e prefiro me abster”. Também é uma opção válida. É o voto da dúvida.
Já o não comparecimento à votação pode querer dizer que “não vale a pena me deslocar até o local da votação para escolher o menos pior. Vou pra praia que ganho mais”. É o voto do desprezo.
Resumo: temos 13 candidatos mais a Indignação, a Dúvida ou o Desprezo.  

Entendendo nossa democracia: 3. o voto nulo (parte II)



... a cada ano de eleição começam outra vez os movimentos para votar nulo para anular as eleições. A conversa é que “mais de 50% de votos nulos anulam a eleição”. Cara! Faz anos que é assim… toda vez é igual, mas isso não é verdade. A gente fala que não é, mas não adianta. Todo ano volta. Todo ano de eleição volta. Vamos ver aqui ó, começando pelo Código Eleitoral, artigo 224 da Lei nº 4.737 de 15 de Julho de 1965: presta atenção:
“Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.” 

Entendendo nossa democracia: 3. o voto nulo (parte I)



O que precisa ficar claro é o seguinte: não são apenas os mais votados que são eleitos. Por isso os partidos buscam celebridades para usar como puxadores de votos e beneficiar outros candidatos.
O resultado é que em 2016, dos 513 deputados federais, só 36 chegaram à câmara eleitos com votos próprios, superando o quociente eleitoral. Os outros 477 chegaram lá ajudados por puxadores de votos. Você aí ó, que votou no Tiririca em 2014, ajudou a eleger mais dois que você nem conhece, cara…
Em outras palavras, seu voto, antes de ir para um candidato, vai para um partido.  

Entendendo nossa democracia: 2. nosso sistema eleitoral




No Brasil, temos dois sistemas eleitorais. No primeiro, o majoritário, elegemos os chefes do Poder Executivo: Presidente, Governador, Prefeito e também os Senadores. Nas eleições presidenciais, para governador e prefeitos de cidades com mais de 200 mil habitantes, o vencedor é aquele que obtém mais de 50% dos votos válidos. Se ninguém conseguir, os dois candidatos mais votados vão para uma segunda eleição, chamada de segundo turno. É fácil de entender, não é? Mas aí vem o outro sistema eleitoral, chamado proporcional, pelo qual elegemos os vereadores e os deputados estaduais e federais. E esse é confuso, viu? 

Entendendo nossa democracia: 1. O voto



Os brasileiros escolheram viver numa democracia representativa ou indireta, aquela na qual os cidadãos elegem representantes, que deverão compor o Poder Executivo e Poder Legislativo, encarregados de gerir a coisa pública, criar leis e ou executá-las. Os representantes escolhidos devem, portanto, visar os interesses de seus eleitores. 

Ulysses Guimarães


O paulista Ulysses Guimarães é o recordista de vitórias em eleições para a Câmara Federal. Ele exerceu 11 mandatos, de 1950 a 1992, quando morreu num trágico acidente de helicóptero. Afastou-se apenas uma vez, em 1961, para assumir o cargo de ministro da Indústria e Comércio no regime parlamentarista instituído depois da renúncia de Jânio Quadros. Entre as mulheres, Ivette Vargas, filha de Getúlio, exerceu seis mandatos.

Minervino de Oliveira: primeiro operário a concorrer à Presidência do Brasil.


Lula não foi o primeiro operário a concorrer à Presidência do Brasil. Em 1930, o operário têxtil Minervino de Oliveira, que tinha sido eleito vereador em 1928 pelo Rio de Janeiro, disputou a Presidência pelo Bloco Operário Camponês, um braço do Partido Comunista. Não há registros do seu número de votos. 

Promessa de campanha


Ex-governador do Piauí, Alberto Silva se candidatou à Prefeitura de Teresina em 1996. Uma de suas promessas era “reduzir a temperatura da cidade”. 

Jorge Amado - deputado federal em 1948


O mandato de deputado federal do escritor Jorge Amado foi cassado em 1948, quando o Partido Comunista (PC) foi declarado ilegal, medida seguida pela invasão de sua casa em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, por agentes do Dops. A violência levou-o a partir para a França. Jorge Amado só voltaria ao Brasil quatro anos depois. Ele foi eleito por São Paulo no dia 2 de dezembro de 1945 com 15.315 votos. 

Urna de votação



As urnas eletrônicas, batizadas de Coletor Eletrônico de Voto pelo TSE, fizeram sua estréia numa eleição nacional em cinco seções eleitorais de Florianópolis, em 1994. Desenvolvido em conjunto pelo TRE, pela Universidade Federal de Santa Catarina e pelo Serpro a partir de 1991, o sistema eletrônico de votação tinha sido utilizado antes apenas em cinco pleitos municipais. 
Até a chegada do voto eletrônico, os eleitores depositavam suas cédulas numa urna de lona, com tampa móvel fechada a chave. Ela foi lançada em 3 de outubro de 1955, na eleição presidencial vencida por Juscelino Kubitschek. A urna foi criada pelo paulista Abílio Cesarino, dono de uma fábrica de malas de couro e carteiras. Antes desse modelo, as urnas eram caixas de madeira.

Gilberto Gil


O cantor e compositor Gilberto Gil queria se candidatar à Prefeitura de Salvador, pelo PMDB, em 1988. Mas o governador Waldir Pires não aprovou a idéia. Gil, então, lançou um funk que se chamava Pode, Waldir?. A letra dizia: “Pra prefeito, não/Pra prefeito, não/E pra vereador?/Pode Waldir, pode Waldir, pode Waldir?. No ano seguinte, Gil elegeu-se vereador pelo PV (Partido Verde). O autor do sucesso Expresso 2222 teve 11.111 votos. 

Pedro Collor


Pedro Collor fez as primeiras denúncias que acabaram resultando no impeachment de seu irmão, o presidente Fernando Collor. Pedro concorreu a uma cadeira de deputado estadual. Saiu das urnas com 5.373 votos e perdeu a eleição. Já Augusto Farias, irmão de PC (Paulo César Farias), garantiu o retorno à Câmara dos Deputados, em Brasília. Faleceu em 19 de dezembro de 1994.

Votos da malta


Num discurso, o brigadeiro Eduardo Gomes, candidato à Presidência, disse que não precisava dos “votos da malta”. Os adversários correram ao dicionário e descobriram que um dos significados da palavra era o “conjunto de trabalhadores que percorrem as ferrovias levando marmitas”. Um jornal aproveitou e publicou que Gomes dispensava os votos dos marmiteiros.

A dupla candidatura de Getúlio Vargas


O direito à dupla candidatura existiu e foi praticado entre 1945 e 1964. Um exemplo foi a eleição para o Senado do deposto Getúlio Vargas por dois estados (Rio Grande do Sul e São Paulo) nas eleições para a Constituinte em 2 de dezembro de 1945. Vargas optou pela vaga conquistada pelo PSD gaúcho.

Religião e política: Tentativas de manipulação das consciências, calúnias e fundamentalismo.



Sei que estou entrando em um campo minado ao escrever este artigo, afinal diz o ditado "religião, política e futebol não se discutem" e venho aqui querer discutir dois desses temas logo de uma só vez. A intenção é refletir a partir da situação em que um desses temas a "religião" está interferindo diretamente em outro, a "política", ou melhor, no processo eleitoral presidencial brasileiro deste ano.
Continue lendo o texto de Thiago Leandro Vieira Cavalcante... clique aqui

Dom Antonio Gil Moreira recorda que não se pode aceitar partidos ou políticos que defendam o aborto.


JUIZ DE FORA, 02 Set. 10 (ACI) .- A Arquidiocese de Juiz de Fora (MG) lançou recentemente uma carta escrita pelo Arcebispo Dom Gil Antônio Moreira com explicações úteis para as próximas eleições, comentários sobre a anulação de votos, além de tratar questões como a vida, a família e a confissão religiosa relacionada à política. A Carta tem por objetivo orientar os fiéis para que exerçam um voto consciente. Entre outros temas de destaque Dom Gil reitera que para a Igreja, a vida é sagrada e que, por isso, não pode aceitar partidos ou políticos que defendam o aborto.
"A política serve a questões sociais. E a Igreja procura olhar isso. Ela quer orientar o fiel para colaborar com a sociedade", explica Dom Gil. O arcebispo disse que como pastor, não pode deixar de oferecer orientações. Durante a divulgação da carta também foi apresentada a Comissão de Fé e Política Arquidiocesana, composta por 25 membros (leigos e padres), responsáveis por orientar os fiéis em relação às questões políticas.
A carta também fala que a Igreja não deve indicar partidos e nem fazer "politicagem". Ao mesmo tempo, "reconhecemos nosso papel político, que é procurar o bem comum", explica Dom Gil.
Dom Gil também ressalta que a Igreja não tem partidos ou políticos. "Ela anima seus fiéis a se candidatarem, mas não é cabo eleitoral", completa.
"Temos princípios, mas não partidos", disse. Ele lembrou que é difícil a realidade política no país, mas que ainda assim existem políticos bons, que merecem a confiança da população. O arcebispo lembrou as iniciativas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que lutaram por projetos como o 'Ficha Limpa' e a lei 9840, contra a compra de votos.
A carta incentiva os fiéis a votar e não anular o voto. Dom Gil disse que a Igreja tem esperança que os políticos melhorem a sociedade. "É necessário votar, lutando contra uma política ruim", diz.
Outras questões tratadas são a vida e a família. O arcebispo disse que, para a igreja, a vida é sagrada e que, por isso, não pode aceitar partidos ou políticos que defendam o aborto. O documento atenta ainda para o fato de que é necessário analisar se os programas de governo defendem a família.
O último ponto tratado pelo documento, diz ao fiel para verificar se o candidato, depois de eleito, pode perseguir católicos. Ele diz que o candidato não precisa ser necessariamente católico, mas deve estar em comunhão com os princípios da Igreja.
Dom Gil conclui o documento e a apresentação do mesmo, pedindo aos católicos e às pessoas de boa vontade a votarem em políticos que queiram o bem do país, exercendo o cargo concedido de maneira ética. O arcebispo estimula o clero e os leigos que trabalham na Igreja a conscientizarem o cidadão para que participe com "coragem e discernimento nas próximas eleições".
Para ler a carta na íntegra, clique aqui: