"A Vida, como a fizeres, estará contigo em qualquer parte." (Autoria desconhecida)

Papos de Guerra - documentário jornalístico


Documentário sobre a segunda guerra mundial. Produzido por Thiago Jardim, Danilo Zafani, Ana Lúcia Camillo, Thomaz Correa, William Sousa, Stella Reis e Renan Gouvea. (UNAERP-RP-Brasil).

Causas da Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Resumo (Parte 04/04)


Os acordos de paz

As potências aliadas estabeleceram acordos, alguns mesmo antes do término da guerra:
• Conferência de Yalta: realizada em fevereiro de 1945, reuniu o presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, o primeiro-ministro Churchill, da Inglaterra, e o líder soviético Stálin.
• Declaração de Potsdam: a Alemanha e a capital Berlim foram divididas em quatro zonas de influência, entre russos, ingleses, franceses e norte-americanos.
• Conferência de São Francisco: nela foi criada a ONU, Organização das Nações Unidas, sediada em Nova York, com a finalidade de manter a paz e fortalecer os laços econômicos, políticos, sociais e culturais entre os povos.

A Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Resumo (Parte 03/04)


O Japão e os Estados Unidos entram na guerra

O Japão, em guerra com a China desde 1937, ocupou a Indochina, com apoio alemão. Apreensivos com o avanço japonês na Ásia, os Estados Unidos suspenderam o comércio com esse país. O Japão decidiu entrar na guerra, formando-se o eixo Roma-Berlim-Tóquio, em 1941.
Até o ano de 1941, os Estados Unidos haviam permanecido neutros, mas colaboravam com ingleses e franceses, fornecendo material bélico. No dia 7 de dezembro de 1941, o ataque japonês à base naval norte-americana em Pearl Harbor, no Havaí, levou os Estados Unidos a entrarem na guerra contra o Eixo.
A partir de 1942, os aliados passaram a obter vitórias em várias frentes. Os norte-americanos obrigaram os japoneses a recuar e, no norte da África, as tropas inglesas venceram as alemãs. Na União Soviética, os alemães foram derrotados na Batalha de Stalingrado. Nesse mesmo ano, o Brasil declarou guerra ao Eixo, depois do afundamento de navios brasileiros por submarinos alemães.
Em 1943, os aliados desembarcaram na Sicília, e o rei Vítor Emanuel III destituiu Mussolini do cargo de primeiro-ministro. Ele refugiou-se no norte da Itália, onde resistiu até 1945.
Em 6 de junho de 1944, ocorreu o desembarque aliado na Normandia (Dia D), apoiado por 4 mil navios e 11 mil aviões. Ao mesmo tempo, os alemães abandonaram Paris. A França foi libertada do domínio nazista.
Em 2 de maio de 1945, os aliados chegaram a Berlim. Dias antes, Hitler havia se suicidado. No dia 8, a Alemanha se rendeu.
A guerra no Pacífico, entre os Estados Unidos e o Japão, durou até agosto, quando o presidente Truman tomou a decisão de lançar bombas atômicas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. O Japão se rendeu em 15 de agosto de 1945, terminando a Segunda Guerra Mundial.

A Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Resumo (Parte 02/04)


A primeira etapa da Segunda Guerra Mundial

Numa luta rápida, conhecida como guerra-relâmpago, a Alemanha invadiu e ocupou a Dinamarca, a Noruega, a Bélgica e a Holanda.
O norte da França foi invadido e ocupado pelos nazistas. Em junho de 1940, com a invasão de Paris, a França capitulou. O governo francês fugiu para o sul do país, onde o marechal Pétain instalou um governo de colaboração com os alemães, o governo de Vichy.
Ainda em 1940, a Itália abandonou a neutralidade e aliou-se à Alemanha, formando o eixo Roma-Berlim. A Inglaterra sofreu bombardeios da aviação alemã, mas conseguiu resistir - graças ao uso de radares e à colaboração da população civil-, e impedir a conquista de Londres pelos nazistas. O general De GaulIe, exilado nesse país, organizou a resistência francesa para libertar a França.
Após a invasão da Grécia, da Bulgária e da Iugoslávia, as tropas nazistas, em 1941, voltaram-se contra a URSS, rompendo o Pacto de não-agressão. O inverno rigoroso, com temperaturas de 30 graus abaixo de zero, e a resistência do povo soviético obrigaram os alemães a recuar.

A Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Resumo (Parte 01/04)


Vários fatores levaram o mundo ao conflito mundial:
• a grande depressão que atingiu o mundo na década de 30 e provocou crises gravíssimas em vários países;
• a ineficiência da Sociedade das Nações, formada logo após a Primeira Guerra Mundial, que não conseguiu impedir vários conflitos que marcaram a década de 30;
• a busca do espaço vital e o expansionismo alemão.
A doutrina do espaço vital consistia, de um lado, na integração de populações alemãs que viviam na Áustria, na região dos Sudetos (Tchecoslováquia) e em Dantzig, na Polônia, e, de outro, na conquista de regiões férteis e ricas em recursos minerais, necessárias ao desenvolvimento do país.
Em 1938, com o apoio de grande parte da população austríaca, Hitler incorporou a Áustria à Alemanha. Nesse mesmo ano, anexou a região dos Sudetos. A anexação foi reconhecida pela Inglaterra e pela França na Conferência de Munique. Em 1939, Hitler tomou toda a Tchecoslováquia. Em seguida, planejou a invasão do corredor polonês, faixa de terra que daria à Polônia acesso ao mar, pelo porto de Dantzig. Essa região já havia pertencido à Alemanha.
Em agosto de 1939, assinou com a União Soviética um pacto de não-agressão (20 de agosto de 1939).
Em 1º de setembro de 1939, Hitler invadiu a Polônia, provocando a reação da Inglaterra e da França, que abandonaram a política de apaziguamento e declararam guerra à Alemanha. Estava deflagrada a Segunda Guerra Mundial.

Fonte: Caderno do Futuro. IBEP.

Os anos loucos: a crise na década de 1920 (Parte 01/02)

Nesta teleaula você vai ver de que forma a eleição presidencial de 1922 trouxe à tona a crise do Pacto Oligárquico. Além disso, saberá de que maneira os militares voltaram à cena política, fato que resultou na Revolução de 30.

Os anos loucos: a crise na década de 1920 (Parte 02/02)

O período entreguerras - Resumo (Parte 07/07)


A Alemanha nazista

Ao terminar a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha vivia uma situação muito difícil. Havia desemprego, inflação, violência e um profundo descontentamento com as disposições do Tratado de Versalhes.
Uma nova Constituição estabeleceu uma República parlamentarista, conhecida como República de Weimar, nome da cidade onde foi elaborada a Constituição. O Reichstag (Parlamento) seria formado por deputados eleitos por voto universal.
No ano de 1919, na cidade de Munique, foi fundado o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou Partido Nazista.
Adolf Hitler, ex-combatente da Primeira Guerra Mundial, assumiu a sua direção. Esse partido ganhou grande número de adeptos. Seus membros eram identificados por um símbolo, a suástica (cruz torta), que, mais tarde, foi usada como emblema do Terceiro Reich. Os nazistas criaram as tropas de assalto, os “camisas pardas”, que perseguiam seus opositores.
Em novembro de 1923, os nazistas tentaram um golpe para tomar o poder. O governo dominou o movimento, conhecido como Putsch de Munique. Hitler foi preso e na prisão escreveu Mein Kampf (“Minha luta”), obra na qual expôs os fundamentos do nazismo: nacionalismo extremado, totalitarismo, anticomunismo, anti-semitismo e o principio do espaço vital, ou seja, a conquista de territórios necessários ao desenvolvimento da Alemanha.
Nas eleições de 1925, o general Hindenburg, conservador, foi eleito presidente. Contudo, a crise mundial de 1929 atingiu a Alemanha de uma forma desastrosa: as exportações caíram, diminuiu a produção industrial e o número de desempregados chegou a 7 (sete) milhões.
Essa situação favoreceu a ascensão do Partido Nazista.
Apoiados pelos grandes industriais e banqueiros, os nazistas conseguiram expressiva vitória nas eleições de 1930. Dois anos depois, o presidente Hindenburg nomeou Hitler como chanceler. O nazismo alcançava, assim, o poder. Hitler fechou o Partido Comunista, perseguiu e prendeu comunistas, socialistas e liberais. Organizou a SS (Seção de Segurança) e a policia política secreta do Estado, a Gestapo. Houve o restabelecimento da pena de morte, o fechamento dos partidos políticos e dos sindicatos, a censura à imprensa, a suspensão das garantias individuais e civis, a perseguição aos judeus, sendo que muitos deles foram enviados para campos de concentração.
Em 1934, com a morte do presidente Hindenburg, Hitler assumiu a presidência, adotou o título de Fuhrer, guia, e anunciou a fundação do Terceiro Reich (Terceiro Império Alemão). Por meio de uma bem organizada propaganda, liderada por Joseph Goebbels, a sociedade alemã, e principalmente a juventude, sofria forte doutrinação.
O Estado nazista intervinha em todos os setores da economia. A indústria alemã cresceu principalmente na produção de armamentos. Para ocupar os trabalhadores desempregados, foram feitas grandes obras públicas, como a construção de aeroportos, ferrovias e rodovias.
Com o desenvolvimento industrial, houve a necessidade de conquista de novos mercados consumidores e fontes de matérias-primas, levando ao expansionismo alemão. Em 1938, Hitler invadiu a Áustria e a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, e, no ano seguinte, a Polônia. Iniciava-se a Segunda Guerra Mundial.

O período entreguerras - Resumo (Parte 06/07)

Benito Mussolini

O fascismo na Itália

Após o término da Primeira Guerra Mundial, a Itália era governada por uma monarquia parlamentar, dirigida pelo rei Vítor Emanuel III. Atravessava uma grave crise econômica, desemprego, miséria e inflação. As agitações eram constantes.
Benito Mussolini, ex-combatente da Primeira Guerra Mundial, ex-redator do jornal Avanti e ex-socialista, organizou em 1919 os “fascios de combate”, também conhecidos como “camisas negras”, que eram grupos de choque, para pôr fim às manifestações sociais. Nesse mesmo ano, os fascistas foram derrotados nas eleições parlamentares.
Em 1921, foi fundado o Partido Nacional Fascista, mas, nas eleições do ano seguinte, os fascistas foram novamente derrotados. Mussolini organizou, então, a Marcha sobre Roma (outubro de 1922), na qual milhares de seus partidários foram para a capital.
O rei Vitor Emanuel III foi obrigado a nomear Mussolini para o cargo de primeiro-ministro. Os fascios foram convertidos numa milícia para a segurança do Estado.
Nas eleições de 1924, os fascistas ficaram com a maioria no Parlamento. A oposição denunciou a fraude eleitoral, mas sofreu violenta repressão e seu líder, Matteotti, foi raptado e assassinado pelos camisas negras. Mussolini assumiu o poder como Duce, “condutor” concretizando o Estado fascista. A imprensa oposicionista foi fechada e, por meio da OVRA (polícia política fascista), houve perseguições aos socialistas e comunistas.
Uma das características da ideologia fascista é a exaltação do chefe e, segundo ela, um grande povo necessita de um grande homem como guia e a ele deve total obediência. Na Itália, em muitos lugares, principalmente nas salas de aula, figurava a seguinte frase: “Mussolini não erra nunca”
Em 1929, solucionando a Questão Romana, ao assinar o Tratado de Latrão, reconhecendo o Estado do Vaticano, Mussolini passou a contar com o apoio do clero. O catolicismo foi transformado em religião oficial do Estado fascista italiano.
Com o apoio das classes dominantes, Mussolini procurou desenvolver a economia da Itália. Mas a crise mundial de 1929 atingiu também os italianos. Para tentar superá-la, Mussolini aumentou a produção de armamentos e voltou-se para a expansão colonialista, tentando conquistar novos mercados. Em 1936, a Itália invadiu a Abissínia (atual Etiópia), no norte da África. A Sociedade das Nações, apesar de inúmeros protestos, acabou por aceitar o fato. Mussolini aliou-se à Alemanha e ao Japão em diversas questões internacionais.

O período entreguerras - Resumo (Parte 05/07)


O fascismo na Itália e na Alemanha

A palavra fascismo vem do termo latino fascio, feixe de varas, significando que a união fortalece o grupo. Fascismo é uma ideologia que se caracteriza por:
totalitarismo — nada deve vir acima do Estado, que tem controle absoluto sobre tudo;
nacionalismo — exaltação dos valores nacionais. Para os fascistas, a nação seria a mais perfeita forma de sociedade que a humanidade conseguiria construir;
militarismo — as nações têm de fortalecer seus exércitos para a defesa e executar uma política expansionista;
corporativismo — existência de um único partido que organiza a sociedade;
antiliberalismo — ausência de liberdade sindical, econômica e de imprensa;
propaganda controlada pelo Estado — com a finalidade de fortalecer o sentimento de patriotismo, culto ao chefe e disciplina.

O período entreguerras - Resumo (Parte 04/07)


A reação interna: o New Deal

Em 1933, quando Franklin Roosevelt assumiu a presidência dos Estados Unidos, ele elaborou um plano econômico, conhecido como New Deal (Nova Organização), visando recuperar o país da depressão.
A política do New Deal foi violentamente combatida pelos conservadores, que temiam o aumento do poder do Estado e o fortalecimento dos sindicatos. Mas a reeleição de Roosevelt tornou possível a continuação da política de recuperação.
O sindicalismo foi reforçado por uma lei, permitindo aos operários a liberdade de organização e de decisões coletivas. Foi estabelecida uma Lei de Segurança Social, que criava o seguro contra o desemprego, as pensões por velhice e o auxílio às mães e às crianças pobres. Houve a abolição do trabalho das crianças, estabeleceu-se um salário mínimo e regulamentou-se o número semanal de horas de trabalho. Essa política permitiu uma lenta, porém crescente recuperação dos Estados Unidos.

O período entreguerras - Resumo (Parte 03/07)


A crise de 1929 em outros países

A crise de 1929 acabou afetando vários países do mundo. Na Europa, muitas nações dependiam do crédito norte-americano e, quando este foi suspenso, sofreram forte abalo. Houve o fechamento de bancos, falências, desvalorização da moeda e desemprego. No início da década de 30, o número de pessoas desempregadas no mundo estava em torno de 40 milhões.
O Brasil também foi afetado pela crise de 1929. O café, o principal produto de exportação, tinha nos Estados Unidos o seu maior comprador. Com a crise, os norte-americanos reduziram as compras e os estoques de café aumentaram, provocando a queda do preço.

O período entreguerras - Resumo (Parte 02/07)


A queda da Bolsa de Valores de Nova York em 1929

Na década de 20, os países europeus estavam se recuperando e começaram novamente a produzir. Nos Estados Unidos, a concorrência européia fez cair os preços de vários produtos. Ao lado disso, houve também uma redução do consumo interno, pois muitas pessoas já haviam adquirido todos os bens materiais que desejavam.
Os grandes produtores agrícolas e os industriais, porém, não viram com clareza a crise que se aproximava e continuaram produzindo cada vez mais. Os excedentes eram estocados, mas a superprodução fazia cair o preço dos produtos.
Ao mesmo tempo, os norte-americanos, levados pela aparente prosperidade econômica, especulavam na Bolsa de Valores de Nova York, comprando ações das mais variadas empresas. Muitos faziam empréstimos bancários, que pretendiam saldar depois de venderem essas ações.
A superprodução provocada pelo subconsumo, a queda geral dos preços e a especulação geraram uma crise sem precedentes: a queda da Bolsa de Valores.
Em setembro de 1929, o valor das ações começou a oscilar; de repente subia, e logo em seguida caia. No mês seguinte, só houve queda, e os investidores queriam livrar-se das ações vendendo-as rapidamente. No dia 24 de outubro, conhecido como a “Quinta-feira Negra”, houve pânico na Bolsa. Cerca de 13 milhões de ações foram negociadas a qualquer preço, em um único pregão. De uma hora para outra, milhares de investidores viram-se na miséria.
A crise desenvolveu-se numa reação em cadeia. O crash financeiro acentuou a crise industrial, desaparecendo qualquer possibilidade de recuperação. Foi necessário reduzir a produção, o que provocou desemprego e redução dos salários dos que continuavam trabalhando. Por volta de 1933, mais de 14 milhões de norte-americanos estavam desempregados.

O período entreguerras - Resumo (Parte 01/07)


O entreguerras, período compreendido entre o término da Primeira Guerra Mundial (1918) e o inicio da Segunda Guerra Mundial (1939), foi marcado por crises econômicas, políticas e sociais em vários países.
Quando o primeiro conflito mundial terminou, os Estados Unidos eram uma nação poderosa, a mais rica do mundo.
No entanto, em 1929, os norte-americanos conheceram uma profunda crise, com a queda da Bolsa de Valores de Nova York, que gerou, por sua vez, uma gravíssima crise interna, provocando alto índice de desemprego e acabando por afetar vários países do mundo.
Ao terminar a Primeira Guerra Mundial, os europeus esperavam que a paz estivesse assegurada. Entretanto, o entreguerras foi um período muito conturbado, com a ocorrência de várias crises e com a radicalização política, surgindo regimes totalitários, como o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha.
A tensão entre as nações cresceu, provocando a Segunda Guerra Mundial, apenas 20 anos depois de estabelecido o Tratado de Versalhes.

Fonte: Caderno do Futuro – IBEP.

O Brasil dos modernistas (Parte 01/02)


Nesta teleaula você vai ver por que a Primeira Guerra Mundial afetou culturalmente o nosso país e de que maneira o movimento modernista contribuiu para a formação de uma nova imagem do Brasil, de uma nova fisionomia cultural.

O Brasil dos modernistas (Parte 02/02)

A Primeira Guerra Mundial – Resumo (Parte 05/05)


Os efeitos da Primeira Grande Guerra

Foram muitos e significativos os efeitos da Primeira Guerra Mundial:
• a Europa perdeu 10 milhões de homens e ficou com 40 milhões de inválidos;
• os campos destruídos afetaram a produção agrícola, os portos e as estradas foram arrasados, o que prejudicou o comércio, e as cidades ficaram arruinadas;
• a ascensão dos Estados Unidos como grande potência do mundo ocidental, devido aos enormes lucros obtidos com a guerra;
• o declínio econômico do Império Britânico;
• o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho durante o período da guerra ocasionou o movimento em prol do voto feminino logo após o término do conflito;
• o desemprego acentuou-se nos países europeus;
• o avanço das idéias socialistas, consagradas pela Revolução Russa de 1917;
• o avanço e o fortalecimento dos nacionalismos, que se tornaram radicais na Itália, na República de Weimar (Alemanha), na Espanha e em Portugal.

A Primeira Guerra Mundial – Resumo (Parte 04/05)


A volta da paz

Na Conferência de Paris, em janeiro de 1919, alguns chefes de Estado reuniram-se para impor pesadas penas aos derrotados. A conferência foi liderada por Lloyd George, representante inglês, Clemenceau, francês, e Woodrow Wilson, presidente dos EUA. Vários tratados foram assinados. O mais importante foi o Tratado de Versalhes, que, entre outros pontos, obrigava a Alemanha a restituir a região da Alsácia-Lorena à França.
O povo alemão considerou injustas, vingativas e humilhantes as condições impostas pelo Tratado de Versalhes, pois o país perdia dois décimos da população ativa, um sexto das terras cultiváveis, dois quintos do carvão, dois terços do ferro e sete décimos do zinco, gerando sérios problemas econômicos.
Durante a Conferência de Paris, o presidente Wilson apresentou à opinião pública internacional os quatorze pontos, propondo uma paz na qual não houvesse vencidos nem vencedores. Também por proposta desse presidente foi criada a Sociedade das Nações ou Liga das Nações, com sede em Genebra, na Suíça, com a finalidade de manter a paz mundial. Mais tarde, os Estados Unidos saíram da Liga das Nações, pois o Senado norte-americano não quis ratificar o Tratado de Versalhes.

A Primeira Guerra Mundial – Resumo (Parte 03/05)


Os momentos decisivos da guerra

A partir de 1917, ocorreram alterações significativas:
• a Rússia retirou-se do conflito mundial, devido à Revolução Socialista que ocorreu no pais;
• os Estados Unidos entraram no conflito, ao lado da Entente, porque temiam a perda de seus investimentos na Europa. Usaram como pretexto o afundamento de navios norte-americanos por alemães.

Em 1917, o Brasil declarou guerra à Alemanha, depois do ataque aos seus navios mercantes por submarinos alemães. A participação brasileira foi muito pequena. Limitou-se ao envio de uma missão médica e ao policiamento do Atlântico pela Marinha.
Com a saída da Rússia, a Alemanha e o Império Austro-húngaro lançaram toda a sua ofensiva contra a França. Contando com ajuda militar dos aliados, os franceses conseguiram fazer com que as tropas alemãs recuassem. Os Aliados ocuparam, então, a França e a Bélgica. Era o começo do fim.
Na Alemanha, a crise econômica e o avanço das idéias socialistas provocaram inúmeras manifestações contra o governo. Em 1918, Guilherme II, bastante enfraquecido, abdicou e foi proclamada, em 9 de novembro, a República. O novo governo decidiu assinar o Armistício de Compiégne, em 11 de novembro.

Por ele os Alemães foram obrigados a:
• desocupar o território ocidental europeu;
• entregar o material de guerra pesado;
• libertar os prisioneiros;
• pagar indenizações de guerra.

A Primeira Guerra Mundial – Resumo (Parte 02/05)

Assassinato do arquiduque austríaco

O inicio da guerra

Um mês depois do assassinato do herdeiro do Império Austro-húngaro em Sarajevo, em 28 de julho, a Áustria declarou guerra à Sérvia. Contou com o apoio da Rússia, que mobilizou seus exércitos contra a Áustria e a Alemanha. A crise dos Bálcãs acabou envolvendo também outras nações européias, numa autêntica reação em cadeia:
• a Alemanha declarou guerra à Rússia e à França;
• a Inglaterra declarou guerra á Alemanha, no momento em que o exército alemão invadiu a Bélgica, para em seguida atacar a França;
• a Itália entrou na guerra ao lado da Entente (ela fazia parte da Tríplice Aliança), porque a Inglaterra prometeu-lhe os territórios irredentos, que não conseguira conquistar da Áustria no processo de unificação;
• o Japão aderiu aos Aliados, porque estava interessado nas possessões alemãs no Oriente.

Na primeira fase da guerra, a Inglaterra decretou o bloqueio naval à Alemanha e aos seus aliados. Enquanto isso, a França conseguia deter o avanço alemão sobre Paris.
Com o prosseguimento da guerra, a indústria armamentista cresceu, surgindo armas como as metralhadoras, os lança-chamas e os projéteis explosivos. Além disso, novos recursos foram utilizados, como o avião e o submarino.

A Primeira Guerra Mundial – Resumo (Parte 01/05)


Graças à sua indústria, a Inglaterra dominava a maioria dos mercados consumidores mundiais. Mas a indústria da Alemanha, logo após a unificação, desenvolveu-se e o pais passou a procurar mercados consumidores e fontes de matérias - primas.
O governo alemão projetou a construção de uma estrada de ferro ligando a cidade de Berlim a Bagdá, com a finalidade de ter acesso ao petróleo do Golfo Pérsico e aos mercados orientais. A Inglaterra opôs-se a esse projeto, porque criaria dificuldades para o comércio com suas colônias. Para deter o avanço da Alemanha, os ingleses procuraram alianças. Em 1904, a França aliou-se à Inglaterra porque, quando perdeu os territórios da Alsácia-Lorena, sua indústria ficou prejudicada com a falta de minas de ferro e carvão. Os nacionalistas franceses pregavam o revanchismo e a recuperação dos territórios perdidos. Finalmente, a França e a Alemanha disputaram o domínio do Marrocos, país ao norte da África. Ao mesmo tempo, eclodiu a chamada crise dos Bálcãs. Em 1908, dois Estados eslavos, a Bósnia e a Herzegóvina, foram anexados ao Império Austro-húngaro, contrariando o ideal nacionalista, o pan-eslavismo, a união e a autodeterminação dos povos eslavos. Os governos dos países capitalistas clamavam pela paz, mas estimulavam a fabricação de armamentos e recrutavam civis para o exército. O militarismo cresceu e era cada vez mais difícil manter o equilíbrio entre as nações imperialistas. Os focos de tensão e a disputa pela supremacia levaram os países europeus à corrida armamentista.
Para defender seus interesses, as nações européias buscaram alianças. Surgiram dois blocos: a Inglaterra, a França e a Rússia formaram a Tríplice Entente, e a Alemanha, o Império Austro-húngaro e a Itália, a Tríplice Aliança.
No dia 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-húngaro, em visita a Sarajevo, capital da Bósnia, foi assassinado. A responsabilidade do assassinato coube a um estudante que fazia parte de uma sociedade secreta da Sérvia, a Mão Negra. Esse foi o estopim para a deflagração da Primeira Guerra Mundial.

Mineração no Brasil Colônia (Parte 09/09)


A Economia nos Fins do Século XVIII

O “Renascimento Agrícola” – A partir da decadência da mineração na segunda meta­de do século XVIII, a agricultura exportadora voltou a ocupar posição de destaque na economia colonial. Esse fenômeno foi chamado, pelo historiador Caio Prado Jr., de “renascimento da agricultura”. Mas não foi apenas o esgotamento das jazidas que explica esse renascimento. Outros fatores devem ser destacados.
O esgotamento do ouro ocorre no contexto da crise do Antigo Regime, motivada pelas pro­fundas transformações na Europa. O renascimento agrícola esteve ligado, de um lado, ao incremento demográfico do século XVIII e, de outro, à grande alteração da ordem econômica inglesa em meados do século, com a Revolução Industrial.
Com isso, criou-se na Europa uma demanda intensa de produtos agrícolas para alimentar a população em crescimento. Por outro lado, a Revolução Industrial, que se iniciou no setor têxtil do algodão, ampliou consideravelmente a demanda por essa matéria-prima. O fornece­dor tradicional do algodão era a Índia, agora incapaz de suprir satisfatoriamente a. crescente demanda. No século XVIII, as colônias sulistas dos atuais EUA, importantes fornecedoras do algodão, paralisaram suas remessas em virtude de seu rompimento com a Inglaterra e do início da Guerra de Independência (1776 - 1781). As pressões das circunstâncias levaram a Inglaterra a se voltar para outros mercados, favorecendo então o Brasil, que intensificou a produção algodoeira.
A produção açucareira retomou, por seu turno, um ritmo acelerado de expansão, também na segunda metade do século XVIII, em virtude da Revolução Francesa (1789 - 1799), que estimulou as rebeliões coloniais antilha­nas de dominação francesa, desorganizando a produção açucareira e favorecendo a exportação brasileira. Importantes centros de produção açucareira como o Haiti (colônia francesa) conheceram uma agitação sem precedentes. Em razão disso, os engenhos do Brasil foram reativados, beneficiando-se da nova conjuntura. Por fim, a neutralidade portuguesa diante dos conflitos europeus, desencadeados com a Revolução Francesa, criou condições para o incremento de seu comércio colonial.
Todos esses acontecimentos contribuíram para alterar a fisionomia geoagrícola do Brasil. De fato, a nova conjuntura estimulou a diversificação da produção. A produção do algo­dão teve como centro o Maranhão. Outras regiões também se dedicaram ao seu cultivo, embora em menor escala, como o extremo norte do Pará, Ceará, região do agreste nordestino, Minas e Goiás. No caso do açúcar, além dos centros tradicionais nordestinos, novas áreas foram ativadas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em São Paulo o quadrilátero do açúcar formado pelas cidades de Mogi-Guaçu, Sorocaba, Piracicaba e Jundiaí iria preparar, no século XIX, o ingresso da cultura cafeeira. Desenvolveu-se também o plantio do arroz no Maranhão e no Rio de janeiro, e de anil ou índigo em Cabo Frio.
Nesse quadro de diversificação, a pecuária sulina teve um papel importante na definição de fronteiras no Prata. Essa atividade teve a sua origem na destruição das missões jesuíticas pelos bandeirantes paulistas. O gado criado pelos jesuítas se dispersou pelos campos do sul e encontrou condições favoráveis para a sua multiplicação. As primeiras atividades pecuárias no sul limitavam-se ao apresamento do gado solto para dele extrair o couro, que era exportado (a carne não era consumida). Posteriormente, com a mineração, a capitania de São Pedro (atual Rio Grande do Sul) ganhou vitalidade com a exportação do gado, conforme já vimos. Com o declínio da mineração, a região se integrou definitivamente ao resto da colônia com a produção do charque (carne­seca), que será exportado para os centros urbanos e toda a região litorânea do Rio à Bahia. Com as charqueadas consolidou-se o domínio português na região platina.

Mineração no Brasil Colônia (Parte 08/09)


Distrito Diamantino – A opressão colonial havia se intensificado consideravelmente na mineração do ouro. Mas foi na extração do diamante que se estabeleceu a forma mais extrema dessa opressão.
Os primeiros diamantes foram encontrados em 1729, e o regime de extração era semelhante ao do ouro até 1740. Dos diamantes extraí­dos pagava-se o quinto. Em 1740 alterou-se o regime de sua exploração, mediante o regime de concessão e contrato, que consistia na concessão de exploração a um único contratador, ficando este obrigado à entrega de uma parte da produção diamantífera. O primeiro contratador foi João Fernandes de Oliveira, sucedido mais tarde por Felisberto Caldeira Brant. Esse sistema perdurou até 1771, quando então se estabeleceu o monopólio real, com a instalação da Real Extração.
No tempo de Pombal (1750 - 1777), a extração ficou limitada ao Distrito Diamantino, atual Diamantina, absolutamente isolado do resto da colônia. Sua administração era exercida pela Intendência dos Diamantes, cuja criação data de 1734. No distrito, o intendente possuía poder virtualmente absoluto, incluindo o direito de vida e morte sobre as pessoas de sua jurisdição. Ninguém podia entrar ou sair do distrito sem sua expressa autorização. A fim de evitar o contrabando, instalou-se um verdadeiro regime de terror, com estímulo à delação, o que favoreceu a criação de um clima de medo e total insegurança.

O declínio da mineração. A partir da segunda metade do século XVIII, a atividade mineradora começou a declinar, com a interrupção das descobertas e o gradativo esgotamento das minas em operação. O predomínio do ouro de aluvião, de fácil extração, não requeria uma tecnologia sofisticada. Porém, à medida que esses depósitos aluvionais se esgotavam, era necessário passar para a exploração das rochas matrizes (quartzo itabirito) extremamente duras e que demandavam uma tecnologia com maiores aperfeiçoamentos. Chegando nesse ponto, a mineração entrou em acentuada decadência.
A quase completa ignorância dos mineradores (o conhecimento que se tinha era fruto da experiência) e a utilização pouco freqüente de novas técnicas, por falta de interes­se e de capital, selaram o destino das minas no Brasil. A atividade se manteve porque a área de exploração era grande e as explorações foram conquistando essa região até que ela se exaurisse completamente nos inícios do século XIX. À Coroa só interessava o quinto. Assim, a partir de 1824, já na época do Brasil independente, concedeu-se o direito de prospecção a estrangeiros, que recomeçaram a explorar com melhores recursos técnicos e mão-de-obra barata.

Mineração no Brasil Colônia (Parte 07/09)


Tributação em Minas – O objetivo da Coroa era garantir, por todos os meios, a sua renda. Desde o século XVII existia uma legislação minerados que estipulava o pagamento de 20%° (1/5) do ouro descoberto e explorado. Com a descoberta do ouro em Minas, o primeiro problema foi o de saber de que modo esse imposto - o quinto - deveria ser cobrado: utilizaram-se, basicamente, três formas: a capitação, o sistema de fintas e as Casas de Fundição.
A primeira a ser aplicada foi a capitação, que era, na prática, um imposto que incidia sobre o número de escravas de cada minerador, esperando-se, com isso, que a arrecadação correspondesse ao “quinto”. Mas essa medida gerou revoltas, pois os mineradores ficavam sujeitos ao pagamento mesmo que seus escravos não encontrassem ouro algum.
Tentou-se, por isso, adotar o sistema de fintas, que consistia no pagamento, pela população minerados, de 30 arrobas anuais fixas, que, teoricamente, corresponderiam ao quinto. Mas quem não concordou dessa vez foi o rei, que obrigou à volta ao regime de capitação. Devido a novas revoltas, ele recuou e aceitou o sistema de fintas, cujo pagamento foi garantido pelas Câmaras Municipais locais. Esse sistema foi adotado em 1718.
O rei continuava insatisfeito. Secretamente fez os seus funcionários trabalharem para a instalação das Casas de Fundição nas Minas. Segundo esse novo regime, os mineradores se­riam obrigados a enviar o ouro em pó para ser fundido e transformado em barras com o selo real nas Casas de Fundição, onde o ouro seria automaticamente quietado.
Em 1719, o governador de Minas, o conde de Assumar, anunciou a instalação, para o ano seguinte, das Casas de Fundição. A notícia deu origem a boatos, e os mineradores se revolta­ram em vários lugares. O governo de Minas, entretanto, contava com uma tropa recém criada, os dragões, que foi imediatamente utilizada para sufocar as rebeliões. Em junho de 1720 eclodiu em Vila Rica um sério levante organizado por grandes mineradores, ao qual aderiram também os setores populares encabeçados por Filipe dos Santos. No processo, o movimento se radicalizou e acabou sendo controlado por este último. Provavelmente por sua sugestão, os revoltosos chegaram a pensar em assassinar o governador e declarar a independência da capitania.
Dezesseis dias depois da eclosão da revolta, Assumar ocupou Vila Rica com 1500 soldados e pôs fim ao movimento. Filipe dos Santos foi sumariamente condenado e executado e o seu corpo esquartejado.
Cinco anos depois dessa revolta, finalmente entraram em funcionamento as Casas de Fundição (1725).
A Coroa e as autoridades coloniais achavam que o único modo de evitar o contrabando e a sonegação era retirar o máximo das minas. As­sim, o desvio do ouro, se continuasse, seria menor. Por isso, dez anos depois, o rei ordenou o retorno ao sistema da capitação. Em 1751 a capitação foi novamente abolida para se adotar um sistema conjugado: Casas de Fundição e cobrança de cotas anuais fixadas em 100 arrobas (1500 kg). Além disso, ficou estabelecido que, se as cotas não fossem pagas, toda a população ficaria sujeita à derrama (cobrança forçada para completar as 100 arrobas). Esse recurso extremo e odiado pelos mineiros foi um dos fatores que levaram à Inconfidência Mineira em 1789.

Mineração no Brasil Colônia (Parte 06/09)


Contrabandeando – Portugal tinha, nesse quadro, uma posição parasitária. A Coroa procurava extrair o máximo de benefício através da cobrança de impostos, adotando medidas para evitar a sonegação e o contrabando. E não perdia nenhuma oportunidade para carrear o ouro para os seus cofres. Ela cobrava impostos nas alfândegas portuguesas e brasileiras, impunha taxas para a passagem de rios, estabelecia impostos para lojas e vendas e também sobre a comercialização de escravos, sem contar os impostos que incidiam diretamente sobre a mineração, como o quinto.
Porém, Portugal tinha um ponto fraco: a sua indústria manufatureira era muito pouco desenvolvida, de modo que a maioria das mercadorias vendidas às minas era importada da Inglaterra.
Os ingleses possuíam em Lisboa cerca de noventa casas comerciais. Assim, lucravam indiretamente com o comércio entre Portugal e o Brasil e, também, diretamente através do contrabando. E esse contrabando era feito abertamente e, muitas vezes, com a cumplicidade das autoridades coloniais portuguesas.
Os holandeses e franceses, que não tinham esse mesmo acesso, conseguiam introduzir suas mercadorias através do contrabando realizado com navios brasileiros na África, que, além de escravos, traziam seus produtos para serem vendidos nas minas.

Mineração e urbanização. A atividade mineradora era altamente especializada, de modo que toda mercadoria necessária ao consumo vinha de fora. Por isso, ao lado dos milhares de mineradores, foram se estabelecendo artesãos e comerciantes, dando à região das minas um povoamento com forte tendência urbanizada. Também a administração, preocupada em evitar o contrabando e a sonegação, favoreceu a urbanização. O agrupamento em cidades facilitava o controle sobre a produção mineradora. Assim, rapidamente os arraiais de ouro se transformavam em centros urbanos: Vila Rica do Ouro Preto, Sabará, Ribeirão do Carmo (atual Mariana), São João del Rei, etc.
Por serem grandes as incertezas, a atividade mineira não permitia a constituição de empresas de grande vulto, em caráter permanente, salvo em casos reduzidíssimos dos grandes mineradores. Para as empresas de menor tamanho, devido às incertezas e à voracidade fiscal, a situação geral era a impermanência, o que resultou numa forma muito especial de trabalho escravo. Não podendo arcar com os custos da manutenção de uma escravaria numerosa, os pequenos mineradores davam aos escravos, em geral, uma autonomia e liberdade de iniciativa que não se conheceu nas regiões açucareiras. Muitas vezes trabalhavam longe de seu senhor ou mesmo por iniciativa própria, obrigados apenas à entrega da parte de seus acha­dos. Essa situação possibilitou aos escravos acumularem para si um certo volume de riqueza que, posteriormente, foi utilizado na compra de sua alforria (liberdade).
Apesar disso, não se deve concluir que a escravidão fosse menos rigorosa nas minas. Tal como nos centros açucareiros, a desigualdade foi reproduzida com a mesma intensidade e a pobreza contrastava com a opulência de uma minoria. Ao contrário do que se acreditava a mineração não foi mais democrática. E mais: as grandes fortunas não tiveram origem na atividade mineradora, mas no comércio.

A administração das minas. Diferentemente das outras atividades econômicas da colônia, a mineração foi submetida à rigorosa disciplina e controle por parte da metrópole. Aqui, as restrições atingiram o seu ponto culminante.
Desde o século XVII a mineração já se encontrava regulamentada. Os Códigos Mineiros de 1603 e 1615, embora admitissem a livre exploração das minas, impunham uma fiscalização rigorosa na cobrança do quinto (quinta parte do ouro extraído).
Com as descobertas do final do século XVII, a metrópole elaborou um novo código, que substituiu os anteriores e perdurou até o final do período colonial: o Regimento dos Superintendentes, Guardas-mores e Oficiais Deputados para as Minas de Ouro, que data de 1720.
Para a aplicação efetiva das medidas contidas no regimento, foi criada a Intendência das Minas para cada capitania em que o ouro havia sido descoberto. A principal característica desse órgão era a sua completa independência em relação a outras autoridades coloniais. A intendência reportava-se diretamente ao Conselho Ultramarino.
O mais alto cargo da intendência pertencia ao superintendente ou intendente, que aplicava a legislação e zelava pelos interesses da Coroa. Outro funcionário importante era o guarda-mor, a quem competia a repartição das datas (lotes de jazidas auríferas) e a fiscalização e observância do regimento em locais distantes; em certas circunstâncias cabia ao guarda mor nomear, pára substituí-lo, os guardas-menores.
A fim de evitar as sonegações, outro ele­mento veio a se agregar à administração: a Casa de Fundição. Na verdade, ela existia desde 1603 e, de acordo com o Código Mineiro da mesma data, deveria ter uma função importante na arrecadação do quinto. Todo o ouro extraído deveria ser levado a essa casa e fundido em forma de barra, da qual se deduzia, automaticamente, o quinto da Coroa. Nas barras assim fundidas ficava impresso o selo real e só assim o ouro podia circular.
Todas as descobertas deveriam ser comunicadas à intendência. Em seguida, os guardas-mores delimitavam a zona aurífera em diferentes datas. Em dia, hora e local previamente anunciados fazia-se a distribuição das datas: a primeira cabia ao descobridor, a segunda à Coroa, que a revendia posterior­mente em leilão, e, a partir da terceira, procedia-se por sorteio, embora a dimensão das datas fosse proporcional ao número de escravos do pretendente.
A exploração das datas deveria iniciar-se num prazo de quarenta dias. Caso contrário, o proprietário era obrigado a devolver o seu lote. Em caso de perda dos escravos, a data poderia ser vendida.

Mineração no Brasil Colônia (Parte 05/09)


A articulação econômica – Ao abrir-se como um grande mercado, a mineração foi responsável pela articulação econômica da colônia, integrando não apenas São Paulo, Rio e Bahia, mas também, através de São Paulo, a região sulina como um todo.
O gado muar era essencial como meio de transporte. E o principal centro produtor estava localizado na região platina, que, tradicionalmente, fornecia esse gado para as minas peruanas. Com a decadência destas últimas, um novo estimulo para a sua criação veio de Minas. Assim se intensificou a ocupação da região platina, que resultou, no final, na incorporação do Rio Grande do Sul ao domínio português.
Minas era também um grande mercado de escravos. A crescente demanda de mão-de-obra escrava provocou significativas alterações no tráfico. Na África, a moeda de compra de escravos era o fumo. A Bahia e Pernambuco tornaram-se, ao mesmo tempo, grandes produtores de fumo e agenciadores de escravos africanos, propiciando o aparecimento de arma­dores e traficantes brasileiros.
Os traficantes nordestinos chegaram a superar a concorrência de nações poderosas como Inglaterra, França e Holanda, batendo também os portugueses.
Beneficiados com a abertura do “caminho novo”, mercadores do Rio de janeiro se dedica­ram intensamente ao tráfico, utilizando, como moeda de compra de escravos, aguardente (pinga), açúcar e até ouro.
A intensificação do tráfico teve efeitos internos importantes. Na Bahia e em Pernambuco ocorreu a expansão da cultura do tabaco e, no Rio, do engenho de aguardente, destacando-se Parati.
Assim, atuando como pólo de atração econômica, a mineração favoreceu a integração das várias regiões antes dispersas e desarticuladas. Surgiu, desse modo, um fenômeno antes desconhecido na colônia: a formação de um merca­do interno articulado. Outra conseqüência importante da mineração foi a de ter deslocado o eixo econômico do nordeste para o sul, valorizando principalmente o porto do Rio de Janeiro. Não foi por acaso que em 1763, na administração pombalina, â capital da colônia acabou transferida da Bahia para o Rio de Janeiro.

Mineração no Brasil Colônia (Parte 04/09)


Os caminhos para as minas – Situadas no interior do centro-sul, as minas eram localidades de difícil acesso. De São Paulo aos núcleos mineradores a viagem era de sessenta dias. Ha­via três caminhos de acesso. O que foi aberto por Fernão Dias Pais passava por Atibaia e Bragança e alcançava a Mantiqueira. O outro, saindo de São Paulo, percorria Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Jacareí, Pindamonhangaba, Guaratinguetá e Lorena para chegar às três principais regiões mineradoras: Ribeirão do Carmo, Ouro Preto e rio das Velhas. Um terceiro caminho passava por Mogi-Guaçu e correspondia, grosso modo, ao traçado da Estrada de Ferro Mojiana, hoje desativada.
A Bahia possuía uma ligação com Minas muito anterior à descoberta do ouro. O caminho foi aberto pelos bandeirantes paulistas no século XVII do sul para o norte. A vantagem dessa via era a sua segurança e conforto. Não faltavam pastos para os cavalos, nem alimento para os viajantes. As estradas eram mais largas e podiam ser percorridas sem medo de ataques indígenas.
A Bahia estava apta a se integrar à economia mineira por várias razões: era um centro antigo de colonização e, como tal, tinha uma economia mais bem preparada para atender às demandas de Minas; a sua pecuária havia se expandido para o sertão e pelo rio São Francisco dirigindo-se para as minas; além disso, era um grande centro importador de produtos europeus e tinha a vantagem de estar mais próximo de Portugal do que os portos sulinos.
Como aconteceu com outras regiões, grande contingente de baianos foi atraído pelas minas. Até senhores de engenho abandonaram tudo e se mudaram para lá com todos os seus bens e escravos.
Mas as autoridades coloniais não viam a integração da Bahia na economia mineira com bons olhos. Não interessava ao rei que os baianos abandonassem a economia açucareira. Havia ainda a preocupação com a venda de es­cravos dos engenhos para as minas. Por outro lado, o contrabando do ouro era difícil de ser controlado na estrada de Minas à Bahia. Por isso, a Bahia foi proibida de fazer comércio com as Gerais, exceto no que se refere ao gado. A proibição, entretanto, foi inútil. Contrariando as determinações, os baianos continuaram tão ativos no comércio com as minas quanto os paulistas e os fluminenses.
De qualquer modo, para efeitos legais, o comércio muito intenso mantido pelos merca­dores baianos com as minas era considerado contrabando. E uma das maiores figuras desse contrabando era, justamente, Manuel Nunes Viana, que teve um destacado papel no episódio da Guerra dos Emboabas.
O Rio de Janeiro, no começo, não dispunha de acesso direto às minas, o que dificultava o seu comércio. Mas rapidamente se beneficiou com a abertura do “caminho novo”, construído em três anos (de 1698 a 1701) e aperfeiçoado entre 1701 e 1707.
Com a sua abertura, a viagem do Rio para Minas poderia ser realizada em doze ou dezessete dias, conforme o ritmo da marcha. A vantagem do “caminho novo” era óbvia comparado com o de São Paulo a Minas, no qual se gastavam sessenta dias. E essa vantagem teve importantes conseqüências, pois transformou o Rio no principal fornecedor das minas e na principal rota de escoamento do ouro. São Paulo sofreu os efeitos da nova situação, mas graças à descoberta de minas em Goiás e Mato Grosso as perdas foram contrabalançadas.
Sendo uma economia essencialmente importadora, a mineração dependia do abasteci­mento externo de alimentos, ferramentas, objetos artesanais, incluindo os de luxo, gado, principalmente o muar, para transporte e tração e, finalmente, escravos. Três agentes se encarregaram desse abastecimento: o tropeiro, que trazia alimentos e outras mercadorias; o boiadeiro e os comboieiros, que chegavam com os escravos.

Mineração no Brasil Colônia (Parte 03/09)


A organização da economia mineira – Ha­via, basicamente, dois tipos de “empresas” mineradoras: a lavra (grande extração) e a faiscação (pequena extração). A lavra consistia numa exploração de dimensão relativamente grande em jazidas de importância e utilizava amplamente o trabalho escravo. À medida que essas jazidas iam se esgotando e sua exploração tomava-se antieconômica, ocorria o deslocamento das lavras para outras jazidas, deixando o que restara da anterior para a faiscação, praticada por pequenos mineradores.
No Brasil, o ouro encontrava-se depositado na superfície ou em pequenas profundidades: inicialmente exploravam-se os veios (nos leitos dos rios), que eram superficiais; em seguida, os tabuleiros (nas margens), que eram pouco profundos; e, finalmente, as grupiaras (nas encostas), que eram mais profundas. Dizemos, por isso, que predominou o ouro de aluvião, que era depositado no fundo dos rios e de fácil extração, ao contrário das minas de prata do México e do Peru, que dependiam de profundas escavações. A extração do ouro de aluvião era, portanto, mais simples, mas de esgota­mento mais rápido. Por essa razão, mesmo na organização das lavras, as empresas eram concebidas de modo a poderem se mobilizar constantemente, conferindo à atividade mineradora um caráter nômade. Por conseguinte, o investimento em termos de equipamento não podia ser de grande vulto. Seguindo as características de toda a economia colonial, a mineração era igualmente extensiva e utilizava o trabalho escravo. A técnica de extração, por sua vez, era rudimentar e mesmo o número de escravos para cada lavra era reduzido, embora haja notícias de lavras com mais de cem escravos. Na realidade, a manutenção de uma em­presa com elevado e permanente número de escravos era incompatível com a natureza in­certa das descobertas e da produtividade das minas.

São Paulo – A descoberta das minas funcionou como um poderoso estímulo às atividades econômicas em São Paulo. Porém, no início do século XVIII, a sua população mal ultrapassava 15 mil pessoas e uma boa parte dela foi para as minas. Em compensação, recebeu um acréscimo populacional proveniente de Portugal e já no final do século XVIII tinha perto de 117 mil habitantes.
Assim, as lavouras foram se ampliando e multiplicaram-se as atividades manufatureiras. O porto de Santos ganhou súbita importância como porta de entrada para escravos e produtos importados europeus.
Como as minas necessitavam de animais de carga e transporte, alguns paulistas deslocaram­se para Paranaguá e Curitiba, onde dedicaram à criação. Outros foram buscar na região platina (Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina) o gado muar, essencial para o transporte.

Mineração no Brasil Colônia (Parte 02/09)


População das minas: paulistas e emboabas – A população era bastante heterogênea, mas distinguiam-se claramente paulistas e forasteiros. Estes eram chamados, depreciativamente, pelos paulistas, de “emboabas”, que em língua tupi queria dizer “pássaro de pés emplumados” - referência irônica aos forasteiros, que usavam botas; os paulistas andavam descalços.
Nesse tempo a população paulista era de mamelucos e índios que utilizavam como língua o tupi, mais do que o português. Embora minoritários, os paulistas hostilizavam e eram hostilizados pelos emboabas. Julgavam-se do­nos das minas por direito de descoberta. Mas a rivalidade entre paulistas e emboabas tinha outros motivos mais significativos.
O comércio de abastecimento das Minas era controlado por alguns emboabas que auferiam grandes lucros. Dada a sua riqueza e a importância da atividade que exerciam, passaram a ter grande influência. Manuel Nunes Viana, português que veio ainda menino para a Bahia, era um desses ricos comerciantes e principal líder dos emboabas. Era proprietário de fazendas de gado no São Francisco e estava associa­do aos comerciantes da Bahia.

A Guerra dos Emboabas – O estopim da guerra foi o desentendimento entre Nunes Viana e Borba Gato, que era guarda-mor das Minas e, portanto, representante do poder real. A fim de combater o contrabando do ouro, a Coroa havia proibido o comércio entre as Minas e a Bahia, com exceção do gado. Apesar dessa de­terminação, o comércio proibido continuou, sob a liderança de Nunes Viana. Borba Gato de­terminou então a expulsão de Nunes Viana das Minas, mas este não a acatou e foi apoiado pelos emboabas.
Ora, a maior parte das Minas era ocupada pelos emboabas, e os paulistas estavam concentrados no rio das Mortes, de onde os emboabas decidiram, então, desalojá-los. Sendo minoritários, os paulistas se retiraram, mas um grupo deles, com maioria de índios, foi cercado pelos emboabas, que exigiram a rendição, prometendo poupar-lhe a vida caso depusesse as armas. Foi o que fizeram os paulistas. Mas, mesmo assim, foram massacrados no local que ganhou o nome de Capão da Traição.
Expulsos das Minas, os paulistas penetraram em Goiás e Mato Grosso, onde novas jazidas seriam descobertas.

Mineração no Brasil Colônia (Parte 01/09)


Condicionantes da mineração – Até o século XVII, a economia açucareira era a atividade predominante da colônia e o interesse metropolitano estava inteiramente voltado para o seu desenvolvimento. Porém, a partir de meados do século XVII, o açúcar brasileiro sofreu a forte concorrência antilhana, claro, os holandeses, uma vez “expulsos” passaram a produzir em suas colônias no Caribe, fazendo com que a Coroa portuguesa voltasse a estimular a descoberta de metais.
Os paulistas, que conheciam bem o sertão, iriam desempenhar um papel importante nessa nova fase da história colonial. Já em 1674, destacou-se a bandeira de Fernão Dias Pais, que, apesar de não ter descoberto metais preciosos, serviu para indicar o caminho para o interior de Minas. Poucos anos depois, a bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva – o Anhangüera – abriria caminho para o Brasil central (Goiás e Mato Grosso).

Descoberta do ouro e povoamento – A pro­cura de metais preciosos no Brasil era bem antiga e datava do início da colonização, sobretudo depois da descoberta da rica mina de prata de Potosí, em 1545, na atual Bolívia. A criação do governo-geral em 1548, e a sua instalação no ano seguinte, foi um reflexo daquela descoberta.
De fato, diversas foram as “entradas” (expedições sertanistas oficiais) que partiram da Bahia, Espírito Santo, Ceará, Sergipe e Pernambuco para o interior.
Os principais exploradores do sertão foram os paulistas. Com um irrisório apoio oficial, Fernão Dias Pais partiu em 1674 para o sertão, onde permaneceu por seis anos, chegando ao Jequitinhonha. Porém, não descobriu nada de valor. Em 1681 encontrou turmalinas acreditando serem esmeraldas.
Contudo, durante os anos em que permaneceu no sertão, desbravou grande parte do interior das Gerais e abriu caminho para futuras descobertas de importância.
Costuma-se atribuir o início da mineração à descoberta do ouro feita por Antônio Rodrigues Arzão, em 1693, embora a corrida do ouro começasse efetivamente com a descoberta das minas de Ouro Preto por Antônio Dias de Oliveira, em 1698. Além de se difundir pelo Brasil, a notícia chegou a Portugal através da correspondência dos governadores ao rei.
De diversos pontos do Brasil começou a chegar grande quantidade de aventureiros, ávidos de rápido enriquecimento. Mesmo de Portugal vieram, a cada ano, cerca de 10 mil pessoas, durante sessenta anos.
A primeira conseqüência desse deslocamento maciço da população para as regiões das minas foi a grave carestia, que se tornou particularmente catastrófica nos anos 1697­ – 1698 e, novamente, em 1700 – 1701. O jesuíta Antonil, que viveu nesse tempo, escreveu que os mineiros morriam à míngua, “com uma espiga de milho na mão, sem terem outro sustento”.

Texto produzido por Luiz Koshiba e Bóris Fausto. Extraído do Portal Cultura Brasil.