"A Vida, como a fizeres, estará contigo em qualquer parte." (Autoria desconhecida)

Roma Antiga – Resumo (Parte 14/14)


O Direito, as artes e as ciências

O Direito foi um dos legados mais importantes que Roma deixou para as civilizações posteriores. Sua influência chega até os dias atuais.
O Direito Romano é resultado de uma lenta evolução. A igualdade civil conseguida entre as duas camadas sociais, a dos patrícios e a dos plebeus, possibilitou o aprimoramento do jus civili romano. Por outro lado, a conquista de outros povos exigiu um tratamento especial para eles, dai o advento do jus gentium. É de suma importância, no Direito Romano, a introdução aos princípios do direito natural, comum a todas as pessoas.
Desde os primeiros anos de sua história, Roma recebeu forte influência da cultura grega, por intermédio das cidades da Magna Grécia. Após sua expansão pelo Mediterrâneo Oriental, essa influência intensificou-se, na medida em que os romanos entraram em contato direto com as fontes da cultura helenística.
Outro aspecto importante a ser destacado é o papel dos romanos como transmissores da cultura grega para outras partes do mundo.
Na literatura, destacaram-se Cícero, o maior orador romano; os poetas Horácio, Ovídio e Virgílio; e o historiador Tito Lívio, autor de História de Roma.
A arquitetura foi a arte mais desenvolvida, marcada pela grandiosidade das construções: muralhas, estradas, teatros, anfiteatros, templos, aquedutos, termas etc.

Roma Antiga – Resumo (Parte 13/14)

Mosaico cristão do século I

O cristianismo

Para os romanos, como para os gregos, os deuses eram protetores da família e da cidade. Nas casas havia um altar com imagens dos protetores da família, onde eram realizados os cultos.
Nos templos, havia sacerdotes e sacerdotisas, e os romanos cultuavam diversas divindades herdadas dos gregos, com outros nomes: Júpiter, Vênus, Diana, Baco, Minerva, Netuno, entre outros. Com a criação do império, houve uma proliferação de novos cultos religiosos.
Logo após o estabelecimento do Império Romano, surgiu uma nova religião: o cristianismo. Foi pregada por Jesus, que nasceu na cidade de Belém, na Judéia, região dominada pelos romanos. Sua vida e sua doutrina chegaram ao nosso conhecimento por meio dos Evangelhos.
Jesus pregava a humildade, a caridade, o amor fraterno e anunciava o juízo final e a vida eterna. Ele não foi aceito pelos judeus como o Messias, porque esse povo esperava um salvador que enfrentasse o poder romano.
Jesus foi perseguido pelos romanos e, após ser preso, ordenaram sua crucificação. Depois de sua morte, sua doutrina espalhou-se rapidamente pelo Império Romano.
O cristianismo foi difundido pelos apóstolos, discípulos de Jesus, e chegou até Roma. Um dos principais pregadores foi Paulo de Tarso, um perseguidor de cristãos que havia se convertido ao cristianismo.
Inicialmente, a nova religião ganhou adeptos entre as pessoas mais humildes. Mas, com a crise do império, espalhou-se, porque era uma nova esperança para muitas pessoas. Os fiéis de cada comunidade, a igreja, se reuniam para a celebração do culto.
Os cristãos foram muito perseguidos pelo Estado romano, porque se negavam a aceitar os deuses oficiais. Além disso, o cristianismo pregava a igualdade entre os homens, atraindo as camadas mais humildes da sociedade romana.
Apesar das crueldades a que foram submetidos — jogados às feras, queimados vivos, crucificados —, os cristãos continuavam se reunindo em lugares ocultos, as catacumbas.
Em 313, Constantino assinou o Edito de Milão, permitindo aos cristãos a liberdade de culto. No final do século IV, o imperador Teodósio converteu o cristianismo na religião oficial do império.
Com a liberdade adquirida após a sua oficialização, essa nova religião teve mais condições de se propagar.

Roma Antiga – Resumo (Parte 12/14)


A divisão do Império

Ainda no século IV, os romanos assistiram às primeiras levas de bárbaros cruzarem as fronteiras do império à procura de terras para o cultivo e o pastoreio.
Teodósio, em seu governo, preocupado em melhorar a administração, em 395, dividiu o império entre seus dois filhos:
• O Império Romano do Ocidente, com capital em Roma;
• O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla.

A decadência definitiva

O século V marcou a decadência definitiva da parte ocidental do Império Romano. Entre os fatores que provocaram a queda, podem ser citados: deterioração da economia, lutas internas, fuga de capitais para o Oriente, corrupção dos costumes e invasões dos bárbaros.
Finalmente, em 476, quando era imperador Rômulo Augústulo, a cidade de Roma caiu nas mãos de Odoacro, rei dos hérulos. O Império Romano do Ocidente, ruralizado, fragmentado política e economicamente, não existia mais.

Roma Antiga – Resumo (Parte 11/14)


A crise do Império Romano

A partir do século III, o Império Romano foi marcado por inúmeras crises, dentre as quais se destacam a anarquia militar e as crises no campo e na cidade.
Anarquia militar — foi provocada em razão da disputa pelo poder entre os chefes militares, fortalecidos pelas guerras de conquista. Eram freqüentes os golpes políticos e os assassinatos de imperadores.
Crise no campo — com o fim das conquistas, houve a interrupção do abastecimento de escravos para as atividades econômicas. Essa falta de escravos, associada às epidemias e às guerras civis, contribuiu para a escassez de mão-de-obra, principalmente no campo. A produção caiu e os preços dos produtos subiram.
Crise na cidade — foi uma extensão da crise no campo. Passou a haver dificuldade para conseguir matérias-primas, o que prejudicou a indústria artesanal. O comércio também foi abalado. As cidades começaram a deixar de ser um centro comercial e industrial.
Apesar da crise, era mais fácil sobreviver no campo. Os grandes proprietários rurais começaram a arrendar lotes de terra aos camponeses. Com isso, conseguiam garantir a produção, além de prendê-los à terra. Em troca da proteção garantida pelos proprietários, os camponeses trabalhavam e ficavam com uma parte da produção.
O Estado acabou transformando a permanência do camponês à terra em uma instituição, chamada colonato, com o objetivo de garantir a produção agrícola. Mas como eram os proprietários que controlavam a produção, ela acabou ganhando força e, com o tempo, tornou-se maior que a do próprio Estado.
Tentando salvar o Império Romano da crise generalizada e melhorar a administração, em 284, o imperador Diocleciano criou a Tetrarquia. O império foi dividido em quatro partes, cada uma com um administrador. Contudo, a Tetrarquia não sobreviveu ao seu criador. Com a morte de Diocleciano, seus generais passaram a disputar o poder.
Em 313, assumiu o poder o general Constantino, que restabeleceu a unidade imperial. Contou com o apoio dos cristãos, já em número bastante grande. No mesmo ano, esse imperador assinou o Edito de Milão, concedendo liberdade de culto aos cristãos.
Constantino percebeu que, em sua maioria, as rendas do império vinham do Oriente. Reconstruiu a cidade de Bizâncio, antiga colônia grega às margens do Estreito de Bósforo, no mar Negro, denominando-a Constantinopla, e para lá transferiu a capital, em 330. A mudança da sede administrativa colaborou ainda mais para a decadência da parte ocidental do império.

Roma Antiga – Resumo (Parte 10/14)

Augustus Octavianus, imperador, 27 aC – 14 dC

Os sucessores de Otávio

Após o governo de Otávio, o Império Romano foi governado por várias dinastias que, em geral, levaram-no à instabilidade política, econômica e social.
Dinastia Júlio-Claudiana (14-68) — período marcado por conflitos sangrentos. O imperador Nero foi responsável por incendiar Roma e pela perseguição aos cristãos.
Dinastia dos Flávios (69-96) — os imperadores desta dinastia contaram com o apoio do exército, submeteram o Senado e governaram de forma despótica.
Dinastia dos Antoninos (96-192) — período considerado de apogeu. O império atingiu sua maior extensão territorial, acompanhada de prosperidade econômica. O comércio se desenvolveu e houve grande afluxo de capitais para Roma.
Dinastia dos Severos (193-235) — houve crises internas, fuga da população urbana para o campo, falta de dinheiro, inflação e pressão dos povos bárbaros nas fronteiras. O processo de instabilidade levou ao declínio do Império.

Roma Antiga – Resumo (Parte 09/14)

Mapa do Império Romano no início do século III

O Império (27 a.C. a 476 d.C.)

O imperador detinha poderes absolutos. Exercia o comando do exército e legislava por meio de editos, decretos e mandatos. Ao Senado restou a posição de conselheiro do imperador. Otávio, o primeiro imperador, governou de 27 a.C. a 14 d.C. Em seu governo:
• foi criada a Guarda Pretoriana, com a função de dar proteção ao imperador e à capital;
• foi dado incentivo à agricultura, ao comércio e à indústria;
• foi organizado um novo sistema de impostos;
• foram construídas várias obras públicas, o que gerou muitos empregos para os plebeus.
A paz, a prosperidade e as realizações artísticas marcaram o governo de Otávio Augusto. O século I, do qual fez parte o seu governo, ficou conhecido como o Século de Ouro da Literatura Latina, ou o Século de Augusto. Seu ministro, Mecenas, tinha grande interesse pelas artes e apoiou, entre outros, os escritores Horácio e Virgílio.
No governo de Otávio, nasceu na Palestina, uma das províncias romanas, Jesus Cristo. Posteriormente, seus ensinamentos começaram a ser difundidos em várias partes do Império, dando origem ao cristianismo.
Para ganhar popularidade, Otávio adotou a política do pão e circo. Distribuía trigo para a população pobre e organizava espetáculos públicos de circo para diverti-la.

Roma Antiga – Resumo (Parte 08/14)

Júlio César, Pompeu e Crasso

Primeiro Triunvirato

Após a morte de Sila, dois generais, Crasso e Pompeu, foram eleitos cônsules. Crasso havia enfrentado e vencido uma revolta de 80 mil escravos liderada por Espártaco, e Pompeu tinha derrotado os partidários de Mário na península Ibérica.
Com o objetivo de diminuir o poder do Senado, Pompeu aliou-se a Crasso e Júlio César e os três tomaram o poder, instituindo o Primeiro Triunvirato. Pompeu ficou com Roma e o Ocidente, Crasso com o Oriente, e Júlio César era o responsável pela Gália.
Após a morte de Crasso, Pompeu deu um golpe de Estado, conseguindo do Senado sua nomeação para o cargo de cônsul único. César, que estava na Gália, voltou para Roma, com o objetivo de enfrentar Pompeu. Após sua vitória, César foi aclamado ditador vitalício.

Governo de Júlio César

O governo de Júlio César caracterizou-se pela tentativa de reduzir o poder do Senado. Promoveu várias reformas: diminuição dos abusos na arrecadação de impostos, extensão do direito de cidadania a vários povos, construção de estradas e reformulação do calendário (adotou o seu nome para o sétimo mês do ano).
O Senado, contrariado com seus poderes, armou uma conspiração e, em 44 a.C., Júlio César foi assassinado.

Segundo Triunvirato

Contudo, no ano seguinte, os partidários de César organizaram um novo governo forte, o Segundo Triunvirato, formado por Otávio, Marco Antônio e Lépido. Os triúnviros dividiram entre si a administração do império: Otávio ficou com Roma e o Ocidente, Marco Antônio recebeu o Oriente e Lépido ficou com a África, porém foi deposto em 36 a.C.
Nesse mesmo ano, Marco Antônio foi para o Egito e envolveu-se com a rainha Cleópatra. Otávio declarou Marco Antônio inimigo de Roma e partiu para o Oriente, a fim de combatê-lo. Otávio saiu vitorioso, e Marco Antônio e Cleópatra suicidaram-se.
Otávio assumiu o poder. Recebeu do Senado vários títulos, entre eles os de Imperador, César e Augusto. Iniciava-se, assim, o Império.

Roma Antiga – Resumo (Parte 07/14)


Os irmãos Graco - Tribunos da Plebe

A crise da República

A República romana, após as conquistas, entrou em profunda crise, que marcou o seu declínio. Nesse período, destacam-se os seguintes acontecimentos: as reformas dos irmãos Graco, os governos de Mário e Sila e os triunviratos.

Os irmãos Graco

Os irmãos Tibério e Caio Graco, eleitos sucessivamente como tribunos da plebe, preocupados com os problemas sociais que se agravavam, propuseram reformas sociais:
• Tibério Graco, em 133 a.C., conseguiu a aprovação de uma lei que limitava o tamanho das terras dos aristocratas e autorizava a distribuição entre os pobres da área que ultrapassasse o limite estabelecido. Essa lei desagradou aos grandes proprietários de terras. Tibério e aproximadamente 500 de seus partidários foram assassinados.
• Caio Graco, em 123 a.C., retomou o projeto de reforma agrária. Conseguiu a aprovação de uma lei que aumentava a participação da plebe na administração do Estado. Também conseguiu que o preço do trigo fosse reduzido. Sofreu oposição dos grandes proprietários e suicidou-se. Seus seguidores foram perseguidos e muitos foram condenados à morte.

Os governos de Mário e Sila

No período de 136 a 132 a.C., aproximadamente 200 mil escravos armaram-se e rebelaram-se. Muitos morreram, e a maioria foi submetida por seus proprietários. Com o aumento da instabilidade política, diversos militares passaram a disputar o poder. Nessa época, Roma conheceu os governos militares e autoritários dos generais Mário e Sila.
• Mário defendia a camada popular. Diminuiu os privilégios da aristocracia e estabeleceu o pagamento de salários aos soldados, o que levou à entrada de pessoas pobres no exército.
• Sila substituiu Mário e defendia a camada aristocrática. Perseguiu a classe popular e restabeleceu os privilégios dos aristocratas.

Roma Antiga – Resumo (Parte 06/14)


Conseqüências das conquistas romanas

O Império Romano durou cerca de 700 anos, mas a civilização romana sobreviveu muito mais. O latim, falado pelos romanos, foi a língua escrita de todos os europeus educados até o século XVI. Da mistura do latim vulgar, falado pelo povo, com a língua dos povos de várias regiões conquistadas, originaram-se as línguas neolatinas. As principais são o francês, o italiano, o espanhol, o romeno e o português. Muitas línguas européias modernas, como o inglês, apesar de não terem se originado do latim, apresentam muitas palavras de origem latina.
As conquistas provocaram inúmeras transformações econômicas, políticas e sociais:
• enriquecimento dos patrícios, que se apossaram das terras dos pequenos proprietários, recrutados para o serviço militar;
• aumento do número de escravos. Os prisioneiros de guerra, reduzidos à situação de escravos, substituíram o trabalhador livre. Os desempregados do campo migraram para as cidades;
• formação de uma nova camada social, a dos cavaleiros ou classe eqüestre. Eram plebeus que enriqueceram cobrando impostos e fornecendo víveres ao exército e que ganharam autorização de explorar novas terras, ricas em minérios;
• empobrecimento dos pequenos proprietários, pois muitos produtos das regiões dominadas chegavam a um preço muito baixo, competindo com a produção local.

Roma Antiga – Resumo (Parte 05/14)

Senado Romano

As lutas sociais na República romana

Na época da República romana, a plebe passou a exigir direitos políticos, o que provocou uma série de conflitos. Eles tiveram inicio quando, em 490 a.C., os plebeus formaram um exército próprio, retiraram-se de Roma e foram para o Monte Sagrado (o Monte Aventino).
Os patrícios necessitavam dos plebeus nas atividades econômicas e militares e, por isso, cederam às suas exigências, aceitando que tivessem representantes no Senado — seriam os tribunos da plebe. Os tribunos podiam vetar leis que considerassem contrárias aos interesses plebeus.
Mais tarde, os plebeus conseguiram outros direitos. Foram elaboradas as Leis das Doze Tábuas, as primeiras leis comuns para patrícios e plebeus. Em 445 a.C., passou a ser permitido o casamento entre patrícios e plebeus e foi abolida a escravidão por dividas.
Mas as lutas continuaram e, em 367 a.C., os plebeus conquistaram o direito de participar do consulado. A partir daí, passou a haver um cônsul patrício e outro plebeu. Em 287 a.C., a plebe, mais uma vez retirando-se para o Monte Sagrado, impôs aos patrícios que as leis aprovadas pela Assembléia da Plebe fossem válidas para todo o Estado romano — era o plebiscito ou decisão da plebe.

As conquistas da República romana

Durante o período republicano, Roma, com um exército bem treinado e bem armado, conquistou inúmeras regiões, formando um grande império. As conquistas iniciaram-se pela própria península Itálica. Com suas legiões, os romanos, em aproximadamente 200 anos, dominaram os povos que viviam na região.
Para controlar o mar Mediterrâneo, os romanos tiveram de enfrentar Cartago, antiga colônia fenícia no norte da África. Os cartagineses haviam alcançado grande prosperidade e seu comércio era feito com diversos lugares do mundo conhecido. As três guerras entre Roma e Cartago são conhecidas como Guerras Púnicas e duraram de 264 a.C. até 146 a.C. Neste ano, os romanos tomaram Cartago, escravizaram cerca de 40 mil pessoas e transformaram a cidade em uma província romana.
Continuando com a política de conquistas, Roma conquistou a Macedônia e a Grécia. Em 133 a.C., a península Ibérica foi dominada e, no século I a.C., os romanos tomaram a Bitínia, a Síria, o Egito e toda a Gália. Desse modo, o mar Mediterrâneo transformou-se no Mare Nostrum.
Roma reunia sob seu domínio povos de culturas diferentes. As regiões conquistadas foram transformadas em províncias e eram obrigadas a pagar altos tributos a Roma.

Roma Antiga – Resumo (Parte 04/14)


A República (509 a.C a 27 d.C.)

Com o golpe político, os patrícios implantaram na cidade de Roma o regime republicano.
O Poder Executivo era exercido pelos magistrados, eleitos por um ano. Entre os diversos tipos de magistrados que existiam em Roma, destacam-se:
cônsules — em número de dois, comandavam o exército e eram os chefes dos demais magistrados. Em época de guerra, eram substituídos por um ditador, com mandato de seis meses;
pretores — cuidavam da Justiça;
censores — faziam o censo dos cidadãos, com base na sua riqueza;
questores — encarregados das questões financeiras;
edis — responsáveis pela preservação, pelo policiamento e pelo abastecimento das cidades.

O Senado era o órgão que detinha maior poder, composto de senadores vitalícios. Eram suas atribuições: elaborar as leis, cuidar das questões financeiras e religiosas, conduzir a política externa, administrar as províncias, participar da escolha do ditador.

As Assembléias eram em número de três:
Curial — examinava os assuntos de ordem religiosa;
Tribal — responsável pela nomeação dos questores e edis;
Centurial — composta pelas centúrias, grupos de militares encarregados de votar as leis e eleger os magistrados.

Roma Antiga – Resumo (Parte 03/14)


A Monarquia (753 a.C. a 509 a.C.)

A monarquia teve início com a fundação da cidade de Roma, e Rômulo foi o primeiro rei. Segundo a tradição, Roma teve sete reis. Eles eram escolhidos pela Assembléia Curial e tinham o poder limitado pelo Senado.
Assembléia Curial: formada por cidadãos em idade militar que, além de escolherem os reis, também faziam e votavam as Leis.
Senado ou Conselho dos Anciãos: um órgão consultivo que tinha o direito de aprovar ou não as leis elaboradas pelo rei.

Aspectos da Monarquia romana

A sociedade romana era formada pelos:
patrícios — eram os aristocratas, os grandes proprietários de terras, os únicos que podiam ocupar cargos políticos, religiosos e militares;
plebeus — homens livres, mas considerados estrangeiros; não tinham direitos políticos. Eram pequenos agricultores, pastores, comerciantes e artesãos. Alguns plebeus, para terem influência, colocavam-se sob a proteção de famílias patrícias, às quais deviam obediência: eram os clientes;
escravos — em número reduzido, originados dos povos conquistados.

Na época da realeza, a base da economia era a agricultura. A indústria doméstica (como a de armas e utensílios) bastava para as necessidades mais imediatas e toda a sua produção era dirigida para o consumo local. Como havia pouco excedente, o comércio era reduzido.
Em 509 a.C., um choque entre o rei e a aristocracia provocou o fim da monarquia. O rei Tarquínio, o Soberbo, de origem etrusca, foi deposto por um golpe dado pelos patrícios, descontentes com a dominação estrangeira.

Roma Antiga – Resumo (Parte 02/14)


Origem histórica de Roma

Pelas pesquisas históricas, sabe-se que a região do Lácio era habitada por povos pastores que, para se defenderem de possíveis invasões, se estabeleceram nas colinas próximas ao rio Tibre. Sentindo-se ameaçados pelos etruscos e gregos, os latinos se uniram sob a liderança de uma das aldeias, Roma. Roma foi dominando todos os povos da península, unificando a Itália sob seu poder. A partir daí, os romanos expandiram-se para fora da península. Gradativamente, formaram um imenso império, transformando o mar Mediterrâneo num verdadeiro “lago romano" , como eles diziam, o Mare Nostrum (Nosso Mar).
Para essas conquistas, Roma contava com o maior e melhor exército da época. Além de realizar as conquistas, seus soldados guardavam as fronteiras e sufocavam possíveis rebeliões. As legiões romanas eram formadas por cidadãos romanos e cada uma delas tinha 5 mil soldados, divididos em unidades menores, as centúrias.
Os romanos exploravam os povos vencidos, extraindo riquezas de seus territórios (ouro, prata e outros metais) ou fazendo comércio com eles. Formou-se um impressionante sistema de estradas, com mais de 85 mil quilômetros. O transporte e o comércio também eram feitos por mar.
Ao longo de sua história, os romanos conheceram três formas de governo: a monarquia, a república e o império.

Roma Antiga – Resumo (Parte 01/14)


Roma começou como uma pequena aldeia na região do Lácio, próxima à desembocadura do rio Tibre, na península Itálica, e transformou-se na mais importante cidade do mundo antigo. Ao longo de 500 anos, conquistou muitos territórios e diferentes povos, convertendo-se na cabeça de um grande império.
Antes da fundação de Roma, a península Itálica era habitada por vários povos, entre eles, os italiotas, na região centraL, compreendendo várias tribos, como a dos Latinos e a dos sabinos. Os gauleses localizavam-se ao norte, os etruscos, no meio-norte e os gregos, ao sul.

Origem lendária de Roma

Há também muitas lendas sobre a origem de Roma. Segundo uma dessas lendas, os romanos descendem do herói troiano Enéias. Seus filhos fundaram a cidade de Alba Longa. Mais tarde, Amúlio destronou seu irmão, que era rei dessa cidade, e ordenou que seus descendentes fossem mortos.
Poupou apenas uma sobrinha, Réia Sílvia, mas obrigou-a a se tornar uma vestal. Entretanto, Réia Sílvia quebrou o juramento de castidade e teve com o deus Marte dois filhos: Rômulo e Remo. Enraivecido, o tio ordenou que as crianças fossem colocadas em um cesto e atiradas no rio Tibre.
O cesto parou em uma das margens do rio, perto do monte Palatino. Os meninos foram amamentados por uma loba, até que um pastor os encontrou e os criou.
Já adultos, Rômulo e Remo voltaram para Alba Longa, vingaram-se do tio e, às margens do rio Tibre, fundaram uma cidade no ano de 753 a.C. Em uma disputa, Rômulo matou Remo e se tornou o primeiro rei dessa cidade, à qual chamou de Roma.
Mas Roma era uma cidade só de homens. Como solucionar essa questão? Os romanos elaboraram um plano. Organizaram uma festa e convidaram os sabinos. Durante a festa, raptaram as mulheres sabinas e obrigaram-nas a se casar com eles. Esse episódio é conhecido como o Rapto das Sabinas.

Fonte: Caderno do Futuro. IBEP.

Iniciativa mais precoce de abolição da escravatura no Brasil veio em 1823


É de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, a iniciativa mais precoce para abolir a escravatura no Brasil. Em 1823, propôs à Assembléia Constituinte a extinção do tráfico no prazo de cinco anos, seguindo-se a libertação gradual dos escravos. O tráfico só foi extinto em 1865. A abolição só veio em 1888.

Batalha da Tuiuti foi a maior já travada na América do Sul


A América do Sul nunca se notabilizou pelos conflitos entre as nações que a integram. A maior batalha já travada no continente foi a de Tuiuti, em 24 de maio de 1866, com a participação de 20 mil soldados brasileiros, 4 mil argentinos e mil uruguaios contra 24 mil paraguaios.

Corda é utensílio fabricado pelo homem desde a Idade da Pedra


A corda é um dos utensílios mais antigos fabricados pelo homem. Em restos da Idade da Pedra, foram encontrados cordas feitas de fibras torcidas e reforçadas com um material resinoso. Os egípcios já as fabricavam de algodão, cerca de três mil anos antes da Era Cristã. Sem cordas, não poderiam ter construído as pirâmides.

Bússola foi trazida para a Europa pelos árabes


A bússola não veio da China. Foram os árabes que a trouxeram para a Europa no início do século 11. A princípio, foi considerada coisa do diabo. Quando foi constatado que a agulha funcionava melhor montada sobre um eixo que a atravessava em ângulo reto, formando uma cruz, foi liberada para os navegantes cristãos.

Roma Antiga


Postagens sobre Roma Antiga já existente nesse blog:

Teleaulas:


Construindo um Império – Roma - documentário da History Channel


A Revolução de 1930 (Parte 05/05)

Getúlio Vargas e seu ministério - da esquerda para a direita -
Isaías Noronha, José Américo de Almeida, Afrânio de Mello Franco,
Getúlio Vargas, Assis Brasil, Francisco Campos, Leite de Castro, 1930.
Rio de Janeiro (RJ). (CPDOC/OA foto 061)

Ruptura ou Continuidade?

A Revolução de 1930 representou uma continuidade ou uma ruptura? Esta é uma pergunta presente em muitas das análises da história contemporânea do Brasil.
Aqueles que acentuam a continuidade consideram que o movimento de 1930 não alterou os padrões econômicos ou políticos da velha ordem, e que portanto não cabe chamá-lo de revolução. Os que sublinham as novidades introduzidas no pós-30 (política social, corporativismo), ao contrário, tendem a afirmar que 1930 representou um movimento de ruptura com um modelo e uma prática liberais, baseados na não-intervenção do Estado no mercado de trabalho.
A disputa entre as teses da ruptura ou da continuidade talvez seja um tanto ilusória, já que os movimentos político-sociais, mesmo os mais radicais, também contêm elementos que foram gerados na velha ordem. A idéia de um corte radical com o passado pode não ser a melhor representação do processo histórico. A história não se processa pela emergência abrupta de eventos, mas de outro lado alguns deles podem lhe imprimir um determinado curso, nem sempre previsto em seus antecedentes. Entre o determinismo, onde os acontecimentos são vistos como produto de uma necessidade inquestionável, e o voluntarismo, que vê a vontade e a ação humanas como elementos fundamentais do processo histórico, é preciso procurar compreender as complexas relações entre traços estruturais, dados conjunturais e a opção dos atores sociais.
O conceito de revolução utilizado para caracterizar eventos político-sociais inclui nele mesmo diferentes significados. No passado revolução foi entendida como volta às origens, como um "revolver", e nesse sentido estava relacionada a uma concepção circular do tempo histórico. Outra tradição, a iluminista, entendia revolução como o início de um novo tempo inserido na caminhada linear do gênero humano em seu processo evolutivo. Mais recentemente, o conceito de "revolução pelo alto" foi usado para compreender os processos de mudança conduzidos por elites políticas e que marcam a história de várias sociedades .
Muitos dos que criticam chamar o movimento de 1930 de revolução consideram que a Abolição da Escravatura, por exemplo, foi uma ruptura mais importante. Chamar 30 de revolução nada mais seria do que assumir o ponto de vista dos "vencedores". É preciso lembrar que movimentos vitoriosos tendem a construir representações que confirmam seu ímpeto revolucionário, destruidor das velhas estruturas, e que a história envolve não só a luta política, mas também a luta de símbolos e representações.
O movimento de 1930 tem sido objeto, desde sua época até hoje, de diferentes versões. Essas interpretações sobre a revolução podem ser tomadas como marcos significativos da história do pensamento político brasileiro, na medida em que foram produzidas e influenciadas pelas preocupações contemporâneas a elas. Como não é o passado que nos instrui sobre a perspectiva do presente, mas, ao contrário, é o presente que nos fornece uma interpretação do passado, são as perguntas e os impasses de cada momento que nos fazem indagar sobre as experiências históricas e recuperar ou descartar fatos e personagens.
A vasta bibliografia sobre a Revolução de 1930 que até hoje é produzida mostra por si só a importância desse evento na história brasileira.

A Revolução de 1930 (Parte 04/05)

Getúlio Vargas deixa Porto Alegre para assumir o comando das Forças Revolucionárias, 1930.
Porto Alegre (RS). (CPDOC/OA foto 046/1)

Revolução no Rio Grande do Sul

O movimento político-militar que derrubou a República Velha e levou Getúlio Vargas ao poder teve início no final da tarde do dia 3 de outubro de 1930, em Porto Alegre, quando os revolucionários atacaram simultaneamente as principais unidades militares da cidade. O ataque ao quartel da 3ª Região Militar foi comandado por Oswaldo Aranha, Flores da Cunha e o capitão Agenor Barcelos; o morro do Menino Deus, onde ficava importante depósito de armamentos, foi assaltado por tropas sob o comando de João Alberto; por fim, o 7º Batalhão de Caçadores, unidade que ofereceu maior resistência, ficou a cargo de Alcides Etchegoyen e Góes Monteiro, o chefe militar supremo da revolução.
Na madrugada do dia 4 de outubro, a capital gaúcha já se encontrava inteiramente sob controle dos revolucionários. Vargas divulgou um manifesto conclamando os gaúchos à luta, e em poucos dias mais de 50 mil voluntários se apresentaram. No interior do estado, a resistência legalista também foi muito pequena, restrita a umas poucas guarnições do Exército. Já no dia 5 de outubro todo o estado havia aderido à revolução. Entre os oficiais legalistas presos no Rio Grande do Sul pelos revolucionários encontravam-se o general Gil de Almeida e o coronel Euclides Figueiredo.
Dominada a situação no Rio Grande do Sul, foram formadas colunas que partiram em direção ao norte. Alcides Etchegoyen e João Alberto comandaram um grupo, que se dirigiu ao interior de Santa Catarina e Paraná; uma outra coluna, sob o comando do general Valdomiro Lima, seguiu o mesmo rumo mas logo retornou ao Rio Grande do Sul; Ptolomeu de Assis Brasil comandou o avanço sobre o litoral catarinense com o objetivo de ocupar Florianópolis, onde enfrentou resistência legalista; e um quarto grupo, sob o comando de Miguel Costa, tomou o caminho de São Paulo, por via férrea, não encontrando qualquer obstáculo até a cidade paranaense de Ponta Grossa.
No dia 10 de outubro, um comboio revolucionário, do qual faziam parte Getúlio Vargas e Góes Monteiro, partiu do Rio Grande do Sul em direção à capital federal. Ao chegar a Ponta Grossa, juntaram-se às forças revolucionárias ali estacionadas para planejar o ataque decisivo ao estado de São Paulo, que deveria cair sobre a localidade de Itararé. Porém, um dia antes do ataque, previsto para 25 de outubro, os chefes revolucionários receberam a notícia de que no Rio de Janeiro oficiais de alta patente das Forças Armadas haviam deposto o presidente Washington Luís e formado uma junta de governo. Vargas ordenou, então, que as forças revolucionárias seguissem em direção ao Rio de Janeiro, e aí, no dia 3 de novembro, após negociações encaminhadas por seus representantes, recebeu o poder das mãos da junta militar.

A Revolução de 1930 (Parte 03/05)

Alagoas na Revolução de 1930.
(CPDOC/Revista da Semana, nº especial, 1930)

Revolução no Nordeste

No Nordeste, a revolução teve como foco inicial o estado da Paraíba. O confronto dos paraibanos com o governo federal vinha desde a época da campanha da Aliança Liberal para a presidência da República, quando João Pessoa, então presidente do estado, concorreu como candidato a vice na chapa encabeçada por Getúlio Vargas. A chefia civil do movimento na região coube a José Américo de Almeida, político paraibano, enquanto o comando militar ficou a cargo de Juarez Távora.
A insurreição teve início na capital paraibana na madrugada do dia 4 de outubro, poucas horas após o movimento ter-se iniciado, na noite do dia anterior, em Porto Alegre e Belo Horizonte. Os revolucionários atacaram o 22º Batalhão de Caçadores (22º BC) , e aí morreu o general legalista Alberto Lavenère Wanderley, comandante da 7ª Região Militar. Em seguida, sublevaram-se o 25º BC de Teresina, o 24º BC de São Luís, o 29º BC de Natal e unidades militares do interior da Paraíba.
Em Recife, o movimento encontrou uma resistência maior por parte das forças legalistas, que se haviam colocado de prontidão ao surgirem as primeiras notícias da revolução. A vitória dos revolucionários, contudo, foi garantida pelo apoio popular à insurreição, tendo ocorrido, inclusive, distribuição de armas aos populares. Já na manhã do dia 5 de outubro, o movimento havia triunfado em Pernambuco, antes mesmo que os reforços provenientes da Paraíba chegassem a Recife. No dia seguinte, a posição dos revoltosos se consolidou quando o presidente do estado, Estácio Coimbra, abandonou o governo.
Em seguida, as tropas revolucionárias seguiram para Alagoas, onde o governo local foi deposto. Em Sergipe não houve resistência, já que 28º BC, sediado em Aracaju, aderiu ao movimento. O obstáculo maior à vitória da revolução no Nordeste foi o estado da Bahia, onde as forças militares fiéis ao governo de Washington Luís montaram o seu quartel-general.

A Revolução de 1930 (Parte 02/05)

Minas Gerais na Revolução de 30.
(CPDOC/ Revista da Semana, nº especial, 1930)

Revolução em Minas Gerais

Em Minas Gerais, a revolução teve início no mesmo dia que em Porto Alegre. O movimento teve o apoio do presidente do estado, Olegário Maciel, que no próprio dia 3 de outubro fez publicar em O Minas Gerais - órgão oficial do governo mineiro - um manifesto conclamando o povo a apoiar os revolucionários. O comandante militar da revolução em Minas era o tenente-coronel Aristarco Pessoa, irmão de João Pessoa, em cujo estado-maior se incluíam Leopoldo Néri da Fonseca e Cordeiro de Farias.
As unidades militares sediadas em Belo Horizonte quase não ofereceram resistência ao movimento, com exceção do 12º Regimento de Infantaria, que resistiu por cinco dias. Em resposta ao chamado dos líderes revolucionários, logo foram formados batalhões de voluntários na capital.
No interior do estado os obstáculos à vitória da insurreição foram maiores, ao menos em algumas cidades. Na luta travada em Três Corações morreu Djalma Dutra, veterano dos levantes tenentistas da década anterior e elemento destacado da Coluna Prestes. Em Ouro Preto a resistência foi facilmente vencida, mas em São João del Rei houve combates até o dia 15 de outubro, e em Juiz de Fora até o dia 23. De Minas Gerais partiu ainda uma coluna revolucionária que ocupou Vitória, a capital do Espírito Santo, no dia 19 de outubro.

A Revolução de 1930 (Parte 01/05)

Junta Governativa da Revolução de 1930 no Palácio do Catete
com Oswaldo Aranha (à direita), 1930. Rio de Janeiro (RJ).
(CPDOC/OA foto 053)

O movimento político-militar que determinou o fim da Primeira República (1889-1930) originou-se da união entre os políticos e tenentes que foram derrotados nas eleições de 1930 e decidiram pôr fim ao sistema oligárquico através das armas. Após dois meses de articulações políticas nas principais capitais do país e de preparativos militares, o movimento eclodiu simultaneamente no Rio Grande do Sul e Minas Gerais, na tarde do dia 3 de outubro. Em menos de um mês a revolução já era vitoriosa em quase todo o país, restando apenas São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pará ainda sob controle do governo federal. Finalmente, um grupo de militares exigiu a renúncia do presidente Washington Luís e pouco depois entregou o poder a Getúlio Vargas.
Foi a vitória do candidato governista Júlio Prestes nas eleições de março de 1930, derrotando a candidatura de Getúlio Vargas, que era apoiada pela Aliança Liberal, que deu início a uma nova rearticulação de forças de oposição que culminou na Revolução de 1930. Os revolucionários de 30 tinham como objetivo comum impedir a posse de Júlio Prestes e derrubar o governo de Washington Luís, mas entre eles havia posições distintas quanto ao que isso representava e quais seriam as conseqüências futuras.
Dentre os jovens políticos que se uniram em torno do levante, destacavam-se Getúlio Vargas, Oswaldo Aranha, Flores da Cunha, Lindolfo Collor, João Batista Luzardo, João Neves da Fontoura, Virgílio de Melo Franco, Maurício Cardoso e Francisco Campos. Além de derrubar o governo, esses líderes pretendiam reformular o sistema político vigente. Dos tenentes que haviam participado do movimento tenentista, os nomes de maior destaque eram Juarez Távora, João Alberto e Miguel Costa. A meta particular desse grupo era a introdução de reformas sociais e a centralização do poder. Havia ainda uma ala dissidente da velha oligarquia, que via no movimento revolucionário um meio de aumentar seu poder pessoal. Era o caso de Artur Bernardes, Venceslau Brás, Afrânio de Melo Franco, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e João Pessoa, entre outros.
Por sua vez, o ex-líder da Coluna Prestes, Luís Carlos Prestes, optou por um caminho mais radical. Crítico da união dos jovens políticos com a dissidência oligárquica, Prestes decidiu não participar da revolução e lançou seu próprio Manifesto Revolucionário. Declarava-se socialista e sustentava que a mera de troca de homens no poder não atenderia às reais necessidades da população brasileira.
Intermináveis negociações preliminares retardaram as ações militares dos conspiradores contra o governo de Washington Luís. Finalmente, em 26 de julho, o inesperado assassinato de João Pessoa, presidente da Paraíba e candidato derrotado à vice-presidência na chapa da Aliança Liberal, estimulou as adesões e acelerou os preparativos para a deflagração da revolução. Alçado à condição de mártir da revolução, João Pessoa foi enterrado no Rio de Janeiro e seus funerais provocaram grande comoção popular, levando setores do Exército antes reticentes a apoiar a causa revolucionária.
Enfim, a 3 de outubro, sob a liderança civil do gaúcho Getúlio Vargas e sob a chefia militar do tenente-coronel Góes Monteiro, começaram as diversas ações militares. Simultaneamente deu-se início à revolução no Rio Grande do Sul, à revolução em Minas Gerais e à revolução no Nordeste, os três pilares do movimento.
Com a ocupação de capitais estratégicas como Porto Alegre e Belo Horizonte e de diversas cidades do Nordeste, e com o deslocamento das forças revolucionárias gaúchas em direção a São Paulo, o presidente Washington Luís recebeu um ultimato de um grupo de oficiais-generais, liderados por Augusto Tasso Fragoso. O grupo exigiu a renúncia do presidente. Diante de sua negativa, os militares determinaram sua prisão e o cerco do palácio Guanabara, no dia 24 de outubro. A seguir, formou-se a Junta Provisória de governo, composta pelos generais Tasso Fragoso e João de Deus Mena Barreto e o almirante Isaías de Noronha.
Em virtude do maior peso político que os gaúchos detinham no movimento e sob pressão das forças revolucionárias, a Junta finalmente decidiu transmitir o poder a Getúlio Vargas. Num gesto simbólico que representou a tomada do poder, os revolucionários gaúchos, chegando ao Rio, amarraram seus cavalos no Obelisco da avenida Rio Branco. Em 3 de novembro chegava ao fim a Primeira República e começava um novo período da história política brasileira, com Getúlio Vargas à frente do Governo Provisório. Era o início da Era Vargas. Entender o significado desse movimento, saber se representou uma ruptura ou continuidade na vida nacional, tem sido objeto de inúmeros livros e artigos escritos desde então.

Fonte: CPDOC/FGV

A produção sociológica brasileira (Parte 08/08)


Hum... Iguais condições? Será?
 
Imagine só... De um dia para outro todos os negros, os que antes foram de maneira desumana tratados como “coisas” e úteis apenas para o trabalho, tornaram-se livres para atuarem nas empresas e comércio da época, se é que assim podemos chamar os empreendimentos daquele tempo, isto é, em 1888.
 
Os negros tentaram, mas “(...) viram-se repudiados, na medida em que pretenderam assumir os papéis de homem livre com demasiada latitude de ingenuidade, num ambiente em que tais pretensões chocavam-se com generalizada falta de tolerância, de simpatia militante e de solidariedade.” (FERNANDES, 1978: 30-31).
 
Afinal, quem é que daria emprego a um homem que “até ontem à tarde” era não mais que um pertence de alguém, isto é, um utensílio de um senhor?
E se você fosse um patrão na época da Abolição, daria trabalho a tal pessoa em sua loja? Hoje, no Brasil, ainda podemos encontrar muitos problemas quanto à aceitação da diversidade cultural, apesar dos muitos movimentos que combatem a desigualdade racial e social nas mais diversas áreas da sociedade. Esses problemas são, na verdade, heranças de um passado, que fora muito pior.
Vamos “voltar” no tempo e tentar imaginar a cena de um negro, recém-liberto, pedindo emprego. Talvez o diálogo fosse esse:

- Senhor, há vagas para trabalho na sua loja?
- Vossa Senhoria tem experiência profissional? Sabe ler e escrever?
- Não, Senhor. Eu era apenas um escravo.
 
Ora veja, ainda que o discurso das elites privilegiasse a liberdade dos negros, eles não tinham condições de igualdade na concorrência com os brancos,
 
“como não se manifestou nenhuma impulsão coletiva que induzisse os brancos a discernir a necessidade, a legitimidade e a urgência de reparações sociais para proteger o negro (como pessoa e como grupo) nessa fase de transição, viver na cidade pressupunha, para ele, condenar-se a uma existência ambígua e marginal.” (FERNANDES, 1978: 20).
 
Segundo Florestan, para os negros e os mulatos apenas duas portas se abriam, pois...
 
“vedado o caminho da classificação econômica e social pela proletarização, restava-lhes aceitar a incorporação gradual à escória do operariado urbano em crescimento ou abater-se penosamente, procurando no ócio dissimulado, na vagabundagem sistemática ou na criminalidade fortuita meios para salvar as aparências e a dignidade de “homem livre. (FERNANDES, 1978:20).
 
Portanto, pela interpretação de Florestan, a inexistência de um plano de incorporação do negro, elaborado pela sociedade que o libertou, com estratégias de aceitação social dos mesmos, foi fator importante que contribuiu para sua marginalidade social.

A produção sociológica brasileira (Parte 07/08)


Para exemplificarmos a forma do trabalho sociológico de Florestan...

Veja que interessante:

Uma de suas pesquisas, sobre os negros em São Paulo, demonstrada no livro A integração do negro na sociedade de classes, de 1978, vai auxiliar nossa explicação. Nesse trabalho, Florestan analisa como os negros foram sempre situados à margem na nossa sociedade.
Na presente obra podemos perceber as seguintes características sociológicas de Florestan:

a) O interesse em explicar fatos relativos aos setores populares da sociedade, neste caso, os negros. Florestan queria saber como se deu o processo que colocou esse grupo “à margem” na sociedade brasileira. E, mais, queria uma interpretação diferente daquelas que as elites da sociedade forneciam a este respeito.

b) Ele se filia ao pensamento crítico brasileiro ao afirmar que o negro não era um problema para a nação. Inclusive desenvolve a idéia de que os negros sempre foram agentes participantes das transformações sociais do país, ainda que de maneira menos privilegiada que os brancos.

c) Faz uma crítica à sociedade capitalista que não “absorveu” os negros, que, segundo as elites da sociedade, encontravam-se em iguais condições em relação aos brancos e, inclusive, em relação aos inúmeros estrangeiros que chegavam ao Brasil para viverem e trabalhar.

A produção sociológica brasileira (Parte 06/08)

Florestan Fernandes (1920-1995)

E a fase “C” da implantação da Sociologia no Brasil:

Já a partir dos anos de 1940 novos sociólogos começam a aparecer no cenário brasileiro.
Esta terceira geração é formada por sociólogos que vieram de diferentes instituições universitárias, fundadas a partir de 1930 e inauguram estilos mais ou menos independentes de fazer Sociologia.
Dessa forma, e progressivamente, a intelectualidade sociológica no Brasil começa a ganhar corpo. Também começam a surgir estilos ou tendências, o que fez com que surgissem diferentes “escolas” de Sociologia em São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e em outros lugares.
Dos autores que fazem parte dessa terceira geração, podemos citar Oliveira Viana, Florestan Fernandes, Guerreiro Ramos, dentre vários outros. Mas vamos nos deter na obra do sociólogo paulista Florestan Fernandes (1920-1995), importante nome da Sociologia crítica no Brasil.
Qual é a proposta de Sociologia que ele apresenta?
Florestan Fernandes foi um sociólogo que fez um contínuo questionamento sobre a realidade social e das teorias que tentavam explicar essa realidade. O objetivo deste autor foi de, numa intensa busca investigativa e crítica, ir além das reflexões já existentes.
Florestan Fernandes tinha como metodologia “dialogar”, de maneira muito crítica, com a produção sociológica clássica, com os autores anteriormente citados. Mas veja, o diálogo não se dava somente com aqueles autores, pois a lista de clássicos, principalmente modernos, é bem extensa.
Florestan também mantinha contínuo diálogo com o pensamento crítico brasileiro. Autores como Euclides da Cunha e Caio Prado Júnior, os quais vimos anteriormente, fazem parte de sua lista de interlocutores. O diálogo com esses autores foi fundamental para o seu trabalho de análise dos movimentos e lutas existentes na sociedade, principalmente aquelas travadas pelos setores populares.
Um outro aspecto de sua maneira crítica de fazer Sociologia foi a sua afinidade com o pensamento marxista, principalmente sobre o modo de analisar a sociedade, o que se constituiu numa espécie de “norte” crítico orientador de seu pensamento.
As transformações sociais que ocorreram a partir de 1930 no Brasil foram, também, uma espécie de “motor” para os trabalhos de Florestan. Mas não apenas para ele, pois como já mencionamos, essas transformações serviram de impulso para os trabalhos sociológicos no Brasil como um todo. E isso se deu principalmente a partir de 1940, pois essas transformações se intensificaram muito por causa do aumento da industrialização e da urbanização.
Algumas das conseqüências da urbanização, inclusive gerada pela migração de pessoas que, vindas do campo, procuravam trabalho nas indústrias das grandes cidades, foram o surgimento de problemas de falta de moradia, desemprego e criminalidade. Essas situações emergentes, logicamente, tornavam-se temas para a análise sociológica.
Para finalizar, vale ressaltar que a Sociologia crítica que Florestan inaugura também tinha o “olhar” voltado aos mais diversos grupos e classes existentes na sociedade. Algumas de suas pesquisas com grupos indígenas e sobre as relações raciais em São Paulo, por exemplo, tiveram o mérito de fornecer explicações que se contrapunham às explicações dadas pelas classes dominantes da sociedade brasileira.

A produção sociológica brasileira (Parte 05/08)

Caio Prado Júnior (1907-1990)

No entanto, vale ressaltar aqui que Gilberto Freyre tinha um “olhar” aristocrático e conservador sobre a sociedade brasileira, pois além de justificar as elites no governo, sua descrição do tempo da escravidão em Casa Grande & Senzala adquire uma conotação harmoniosa, ele não via conflitos nessa estrutura.
Mas se para Gilberto Freyre era um erro pensar que a mistura das raças seria um atraso para o Brasil, há um outro autor que se propôs a verificar qual seria e onde estaria a origem do atraso da nação brasileira.
Estamos falando de Caio Prado Júnior. Este autor vai nos fornecer uma visão muito mais crítica sobre a formação da nossa sociedade. Veja por quê.
Enquanto Gilberto Freyre fazia uma análise conservadora da formação da sociedade brasileira, Caio Prado recorria à visão marxista, isto é, partindo do ponto de vista material e econômico para o entendimento da nossa formação.
Caio Prado Júnior nasceu em 1907 e faleceu em 1990. Formou-se em direito e, de forma autodidata, leu e tomou para si os ideais de Marx, o que o fez uma pessoa comprometida com o Socialismo.
Caio Prado também era uma espécie de “contra-mão” do Partido Comunista Brasileiro no seu tempo, pois um dos militantes daquele partido, Octávio Brandão (1896-1980), havia escrito um livro na década de 1920, chamado Agrarismo e Industrialismo no qual apresentava a tese de que o atraso do Brasil, em termos econômicos, estava no fato dele ter tido um passado feudal. E esta tese continuou a ser defendida pelo PCB com o historiador Nelson Wernek Sodré (1911-1999), que interpretava o escravismo, no Brasil Colonial, como uma característica do feudalismo.
É por essa razão que Caio Prado era contrário ao Partido Comunista, pois a idéia de que no passado o Brasil havia sido feudal era “importada” do marxismo oficial, da Europa, e que na sua opinião, não funcionava aqui. E, para Caio Prado, a prova disso estaria no fato de que no sistema feudal o servo não era considerado uma mercadoria, coisa que ocorria aqui com os escravos, o que denota uma característica do sistema capitalista (e não feudal) no que tange à análise da mão-de-obra.
No seu livro Formação do Brasil Contemporâneo, publicado em 1942, Caio Prado apresenta a tese de que a origem do atraso da nação brasileira estaria vinculada ao tipo de colonização a que o Brasil foi submetido por Portugal, isto é, uma colonização periférica e exploratória.
Traduzindo para melhor compreendermos... Caio Prado explica que Portugal teve grande contribuição no “nosso atraso” como nação, pois o centro do capitalismo, na época do “descobrimento” do Brasil, estava na Europa, o que fazia com que as riquezas daqui fossem levadas para lá. Este tipo de organização econômica foi denominado de primária e exportadora, pois os produtos extraídos das monoculturas brasileiras, nos latifúndios, eram exportados para os países que estavam em processo de industrialização.
Segundo Caio Prado, a América era vista pelos europeus como sendo

“(...) um território primitivo habitado por rala população indígena incapaz de fornecer qualquer coisa de realmente aproveitável. Para os fins mercantis que se tinham em vista, a ocupação não se podia fazer como nas simples feitorias comerciais, com um reduzido pessoal incumbido apenas do negócio, sua administração e defesa armada; era preciso ampliar estas bases, criar um povoamento capaz de abastecer e manter as feitorias que se fundassem e organizar a produção dos gêneros que interessassem ao seu comércio. A idéia de povoar surge daí, e só daí”. (PRADO JÚNIOR, 1942: 24).

As teses desse autor rompem com as análises dos autores que antes dele apresentaram um pensamento conservador restrito, isto é, de reprodução daquilo que estava posto na sociedade brasileira e, conseqüentemente, sem a intenção de apresentar propostas para sua transformação.
Assim sendo, segundo a visão de Caio Prado, Gilberto Freyre, em Casa Grande e Senzala, pode ser considerado “conservador”. Veja porque:

a) seus escritos nos levam a pensar que a miscigenação acontecia sempre de maneira harmoniosa. Mas e a relação entre os senhores brancos e suas escravas negras, por exemplo? Se verificarmos relatos da história veremos que as negras eram forçadas a terem relações sexuais com eles, o que é bem diferente de harmonia.

b) sobre os problemas sociais da época, Freyre não apresenta nenhuma proposta para a solução dos mesmos, ou para a transformação da sociedade.

Para Caio Prado Júnior, os pontos “a” e “b” mencionados acima demonstram a postura conservadora de Gilberto Freyre, pois transparece um certo conformismo com a situação em que se apresentava a sociedade. Conformismo que pressupõe continuidade, sem transformação.

A produção sociológica brasileira (Parte 04/08)

Gilberto Freire (1900-1987)

A fase “B” da implantação da Sociologia no Brasil:

Numa segunda fase de geração de autores, a preocupação em se fazer pesquisas de campo, que é uma característica das pesquisas sociológicas, começa a ser levada em conta.
Existem vários autores desta geração que poderíamos referenciar, como Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda, Fernando de Azevedo, Nelson Werneck Sodré, Raymundo Faoro, etc. No entanto, vamos nos fixar em dois deles, os quais podem ser vistos como clássicos do pensamento social brasileiro: Gilberto Freyre e Caio Prado Júnior.
Gilberto Freyre foi o autor de Casa Grande & Senzala (1933), livro no qual demonstrou as características da colonização portuguesa, a formação da sociedade agrária, o uso do trabalho escravo e, ainda, como a mistura das raças ajudou a compor a sociedade brasileira.
Freyre foi um sociólogo que nasceu em Pernambuco no ano de 1900 e, no desenvolver de sua profissão, criou várias cátedras de Sociologia, como na Universidade do Distrito Federal, fundada em 1935. Freyre faleceu em 1987.
Quando escreveu Casa Grande & Senzala tinha 33 anos e, anti-racista que era, inaugurou uma teoria que combatia a visão elitista existente na época, importada da Europa, a qual privilegiava a cor branca. Segundo tal visão racista, a mistura de raças seria a causa de uma formação “defeituosa” da sociedade brasileira, e um atraso para o desenvolvimento da nação.
Freyre propõe um caminho inverso. Em Casa Grande & Senzala ele começa justamente valorizando as características do negro, do índio e do mestiço acrescentando, ainda, a idéia de que a mistura dessas raças seria a “força”, o ponto positivo, da nossa cultura.
Este autor forneceu, para o seu tempo, uma nova maneira de ver a constituição da nacionalidade brasileira, isto é, o Brasil feito por uma harmoniosa união entre o branco (de origem européia), o negro (de origem africana), o índio (de origem americana) e o mestiço, ressaltando que essa “mistura” contribuiu, em termos de ricos valores, para a formação da nossa cultura.
Veja alguns trechos de sua obra a este respeito:

“Um traço importante de infiltração de cultura negra na economia e na vida doméstica do brasileiro resta-nos acentuar: a culinária” (FREYRE, 2002)

“Foi ainda o negro quem animou a vida doméstica do brasileiro de sua maior alegria.” (FREYRE, 2002)

“Nos engenhos, tanto nas plantações como dentro de casa, nos tanques de bater roupa... carregando sacos de açúcar... os negros trabalhavam sempre cantando.” (FREYRE, 2002).

A produção sociológica brasileira (Parte 03/08)


Fases da sua implantação

Dividindo os acontecimentos da implantação da Sociologia no Brasil como ciência, em fases, ou em geração de autores, de acordo com o sociólogo brasileiro Otávio Ianni (1926-2003), destacamos aqui três delas, as quais se complementam:

A fase “A” da implantação da Sociologia no Brasil:

A primeira geração da Sociologia brasileira seria composta por aqueles autores que se preocuparam em fazer estudos históricos sobre a nossa realidade, com um caráter mais voltado à Literatura do que para a Sociologia.
Desta geração de autores, queremos destacar Euclides da Cunha (1866-1909). Cunha nasceu no Rio de Janeiro, foi militar engenheiro, além de ter estudado Matemática e Ciências Físicas e Naturais. Porém, o que gostava de fazer, como profissional, era o jornalismo.
Em 1895, abandonou o Exército e começou a trabalhar como correspondente do jornal “O Estado de São Paulo”. Nessa função foi enviado para a Guerra de Canudos, no interior da Bahia, de onde surgiu sua maior contribuição à Sociologia brasileira: o livro Os Sertões.
Se analisarmos este livro pelo enfoque literário, podemos perceber que Cunha faz, usando seus conhecimentos de Ciências e Físicas Naturais, relatos sobre como era a terra e a paisagem de Canudos. Também faz a descrição dos homens que ali viviam, ou seja, os sertanejos, nos quais percebe que, ao contrário do que pensava antes de conhecê-los, eram fortes e valentes, ainda que a aparência dos mesmos não demonstrasse isso.
Por fim, Cunha descreve a guerra, isto é, como foi que o governo da época conseguiu acabar com o que considerava ser uma revolução que reivindicava a volta do sistema monárquico no Brasil. Na verdade Antonio Conselheiro (o líder da Revolução de Canudos) e seus seguidores apenas defendiam seus lares, sua sobrevivência.

“É que estava em jogo, em Canudos, a sorte da República (...) Diziam-no informes surpreendedores; aquilo não era um arraial de bandidos truculentos apenas. Lá existiam homens de raro valor – entre os quais se nomeavam conhecidos oficiais do exército e da armada, foragidos desde a Revolução de Setembro, que o Conselheiro avocara ao seu partido” (CUNHA, 1979: 250).

Olhando mais pelo lado sociológico, podemos perceber que Cunha estava fazendo revelações quanto à organização da República que estava sendo consolidada. Canudos era um retrato de uma sociedade republicana que não conseguia suprir as necessidades básicas de seu povo. Coisa que Antonio Conselheiro, com sua maneira missionária de ser, acreditava e lutava para acontecer, pois...

“(...) abria aos desventurados os celeiros fartos pelas esmolas e produtos do trabalho comum. Compreendia que aquela massa, na aparência inútil, era o cerne vigoroso do arraial. Formavam-na os eleitos, felizes por terem aos ombros os frangalhos imundos, esfiapados sambenitos de uma penitência que lhes fora a própria vida; bem-aventurados porque o passo trôpego, remorado pelas muletas e pelas anquiloses, lhes era a celeridade máxima, no avançar para a felicidade eterna”. (CUNHA, 1979: 132 ).

Após duas tentativas sem sucesso de “tomar” Canudos – pois os sertanejos tornavam difícil a vida dos soldados, por conhecerem muito bem a caatinga sertaneja – o governo federal republicano deixou de subestimar a força daquelas pessoas que se uniram a Conselheiro. Convocou para uma terceira expedição batalhões armados de vários estados brasileiros e promoveu uma grande guerra e matança naquela região, em prol da República.
A observação de Euclides da Cunha e as revelações que faz quanto à sociedade brasileira em Os Sertões, transforma esta obra em um dos referenciais de início do pensamento sociológico no Brasil.

Guerra de Canudos (1897): Aconteceu numa abandonada fazenda no interior da Bahia que tinha o nome de Canudos. As tropas federais massacraram milhares de pessoas que viviam naquele lugar tendo por líder um beato chamado Antonio Conselheiro o qual, a partir de 1890, começou a ajuntá-los pregando esperança para os que foram esquecidos pelo governo republicano. Conselheiro era visto, pelo governo, como sendo um líder perigoso e contrário à consolidação da República. Por isso o objetivo da guerra.