"Nada se espalha com maior rapidez do que um boato" (Virgílio)

O surgimento da Sociologia (Parte 05/07)


O Iluminismo

Já no século XVIII, houve um momento na Europa, chamado de Iluminismo, que começou na Inglaterra e na França, mas que posteriormente espalhou-se por todo o continente em que a idéia de valorizar a ciência e a racionalidade no entendimento da vida social tornou-se ainda mais forte.
Uma característica das idéias do Iluminismo era o combate ao Estado absoluto, ou absolutismo, que começou a surgir na Europa ainda no final da Idade Média, no século XV, em que o rei concentrava todo o poder em suas mãos e governava sendo considerado um representante divino na terra, uma voz de Deus, a qual até a igreja, não raramente, se sujeitava.
Com a ciência ganhando força, era, digamos, inviável o fato de voltar a pensar a vida e a organização social por vias que não levassem em conta as considerações da ciência em debate com as de fundo religioso. Como por exemplo, imaginar os governantes como sendo representantes sobrenaturais.
Nesse período, a continuada consolidação da reflexão sistemática sobre a sociedade foi ajudada por autores como Voltaire (1694-1778), filósofo que defendia a razão e combatia o fanatismo religioso; Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que estudou sobre as causas das desigualdades e defendia a democracia; Montesquieu (1689-1755), que criticava o absolutismo, e defendia a criação de poderes separados (legislativo, judiciário e executivo), os quais dariam maior equilíbrio ao Estado, uma vez que não haveria centralidade de poder na mão do governante.

Portanto, com a contribuição Iluminista...

A partir das teorias sobre a sociedade que no período Iluminista surgiram, é que começa a ser impulsionada, ou preparada, a idéia da existência de uma ciência que pudesse ajudar a interpretar os movimentos da própria sociedade.

O surgimento da Sociologia (Parte 04/07)


Já na Idade Média...

Séculos mais tarde, no período chamado de Idade Média (que vai do século V ao XV, mas exatamente entre os anos 476 a 1453), houve, segundo os renascentistas (que vamos conhecer mais à frente), um período de “trevas” quanto à maneira de ver o mundo.
Segundo eles, havia um prevalecer da fé, onde os campos mítico e religioso, tendiam a oferecer as explicações mais viáveis para os fatos do mundo. Na Europa Medieval, esse predomínio religioso foi da Igreja Católica
Tal predomínio da fé, de certo modo, e segundo os humanistas renascentistas, asfixiava as tentativas de explicações mais especulativas e racionais (científicas) sobre a sociedade. Não cumprir uma regra ou lei estabelecida pela sociedade, poderia ser entendido como um pecado, tamanha era a mistura entre a vida cotidiana e a esfera sobrenatural.
É claro que se olharmos a Idade Média somente pela ótica dos renascentistas ela pode ficar com uma “cara meio tenebrosa”. Na verdade, ela também foi um período muito rico para a história da humanidade, importante, inclusive, para a formação da nossa casa, o mundo ocidental. Vale a pena conhecermos um pouco mais sobre essa história.
E, na continuidade da história...

Tudo caminhava para o uso da razão

O predomínio, na organização das relações sociais, dos princípios religiosos durou até pelos menos o século XV. Mas já no século XIV começava a acontecer uma renovação cultural. Era o início do período conhecido por Renascimento.
Os renascentistas, com base naquilo que os gregos começaram, isto é, a questionar o mundo de maneira reflexiva (como já contamos anteriormente), rejeitavam tudo aquilo que seria parte da cultura medieval, presa aos moldes da igreja, no caso, a Católica.
O renascimento espalhou-se por muitas partes da Europa e influenciava a arte, a ciência, a literatura e a filosofia, defendendo, sempre, o espírito crítico.
Nesse tempo, começaram a aparecer homens que, de forma mais realista, começavam a investigar a sociedade. A exemplo disso temos Nicolau Maquiavel (1469-1527) que, em sua obra intitulada de O Príncipe, faz uma espécie de manual de guerra para Lorenzo de Médici. Ali comenta como o governante pode manipular os meios para a finalidade de conquistar e manter o poder em suas mãos.
Obras como estas davam um novo olhar para sociedade, olhar pelo qual, através da razão os homens poderiam dominar a sociedade, longe das influências divinas.
Era a doutrina do antropocentrismo ganhando força. O homem passava a ser visto como o centro de tudo, inclusive do poder de inventar e transformar o mundo pelas suas ações.
Além de Maquiavel, outros autores renascentistas, como Francis Bacon (1561-1626), filósofo e criador do método científico conhecido por experimental, ajudavam a dar impulso aos tempos de domínio da ciência que se iniciavam.

Não perdendo de vista...

Estamos contando tudo isso para que você perceba que nem sempre as pessoas puderam contar com a ciência para entender o mundo, sobretudo o social, que é o queremos compreender. Dessa maneira, muitas pessoas no passado, ficaram ‘presas’ principalmente, àquelas explicações a respeito da realidade que eram baseadas na tradição, em mitos antigos ou em explicações religiosas.

O surgimento da Sociologia (Parte 03/07)


Conhecer e entender (sobre a Sociologia) é preciso!

A Sociologia não é redentora ou solucionadora dos males sociais, ou dos problemas intelectuais das pessoas. Ela surge como uma ciência que vai fornecer novas visões sobre a sociedade.
Sua contribuição está no fato de nos dar referenciais para refletirmos sobre as sociedades.

A ”Gênesis Sociológica”:

É importante...

Nesse início de trabalho, buscaremos conhecer como a Sociologia surgiu, para depois sabermos como é que ela pode nos ajudar a entender a sociedade, bem como os problemas levantados pela atividade anterior. Vamos fazer um passeio pela história para encontrarmos suas bases. Acompanhe:

Como tudo começou!

Apesar da ciência sociológica ser considerada nova, pois ela se consolidou por volta do século XIX, a angústia de se entender as sociedades, por sua vez, não é tão nova assim. Se olharmos para a Grécia Antiga, vamos ver que lá já havia o desejo de se entender a sociedade.
No século V a.C, havia uma corrente filosófica, chamada sofista, que começava a dar mais atenção para os problemas sociais e políticos da época. Porém, não foram os gregos os criadores da Sociologia.
Mas foram os gregos que iniciaram o pensamento crítico filosófico. Eles criaram a Filosofia (que significa amor ao conhecimento) e que, por sua vez, foi um impulso para o surgimento daquilo que chamamos, hoje, de ciência, a qual se consolidaria a partir dos séculos XVI e XVII, sendo uma forma de interpretação dos acontecimentos da sociedade mais distanciada das explicações míticas.
Foram com os filósofos gregos Platão (427-347 a.C) e Aristóteles (384-322 a.C), que surgiram os primeiros passos dos trabalhos mais reflexivos sobre a sociedade. Platão foi defensor de uma concepção idealista e acreditava que o aspecto material do mundo seria um tipo de fruto imperfeito das idéias universais, as quais existem por si mesmas. Aristóteles já mencionava que o homem era um ser que, necessariamente, nasce para estar vivendo em conjunto, isto é, em sociedade. No seu livro chamado Política, no qual consta um estudo dos diferentes sistemas de governo existentes, percebesse o seu interesse em entender a sociedade.

O surgimento da Sociologia (Parte 02/07)

Contribuindo para que possamos entender um pouco mais o lugar onde vivemos!

Veja, como já falamos, o senso comum não deve ser rejeitado.
O que estamos propondo é que você pode ir além desse conhecimento comum, neste caso, sobre a sociedade.
Uma outra coisa que deve ser desmitificada é o termo cientista. Confirmamos o pensamento de Rubem Alves quando diz que um cientista não é uma pessoa que pensa melhor do que os outros. Rubem Alves nos fala que a tarefa de refletir e de entender os porquês das coisas cabe a todos nós, e que a idéia de que não precisamos pensar, porque existem pessoas “melhores” para isto, é furada.
Avançar um pouco mais em relação a um conhecimento elaborado e investigativo vai lhe trazer um entendimento mais claro sobre como funciona a sociedade, dentre outras coisas.
Além do fato de que você terá maior autonomia para CONCORDAR OU DISCORDAR POR SI PRÓPRIO sobre as questões que você vive na sociedade.
Essa é a independência que queremos que você tenha: A DE REFLEXÃO.
Pensando em elites: NÓS PODEMOS VIVER DE FORMA ALIENADA?


E o que é ser alienado?

Veja: se não tivermos nossa independência de pensamento e ação, ou seja, se não conseguimos refletir sobre aquilo que vemos e ouvimos, ou se concordamos com tudo o que acontece, então podemos estar vivendo de forma alienada.
Segundo a filósofa brasileira Marilena Chauí, a alienação acontece quando o homem não se vê como sujeito (criador) da história e, nela, capaz de produzir obras.
Para o homem alienado, e segundo esta mesma visão, a história e as obras produzidas nela são fatos estranhos e externos. E, sendo estranhos, tal homem não os pode controlar, ficando numa posição de dominado. Já o conhecimento pode nos fazer transformadores da história, e não apenas espectadores dela.
Mais à frente retomaremos essa discussão sobre a alienação e a existência de elites e o faremos com mais recursos para a nossa reflexão.

O surgimento da Sociologia (Parte 01/07)


Você é um privilegiado!

Leitor: – Como assim, privilegiado?
O livro: – É, privilegiado! Você é um deles!

Na sociedade, há pessoas privilegiadas. Uma delas, por exemplo, pode ser aquela que tem o poder de governar e de conduzir os rumos da sociedade, o que muitas vezes pode não ser da maneira mais justa para todos. Outro exemplo...

Leitor: – Um outro...?
O livro: – Você mesmo é um, caro leitor!
Leitor: – Mas, eu?! Como?
O livro: – Simples! Seu privilégio está no fato do que você vai adquirir agora: conhecimento! Você poderá avançar no entendimento de como funciona a sociedade em que você vive, conhecer como trabalham os demais privilegiados (a elite social) e aumentar sua autonomia de reflexão e de ação diante dos fatos que lhe cercam. Sigamos adiante?

Mas o que é essa AUTONOMIA de que estamos falando?
Vamos lá! Vamos descobrir! Você vai entender o que estamos dizendo, passo a passo.
Essa autonomia é quanto à sua maneira de pensar e de agir frente a diversas situações. Muitas pessoas não sabem (e não se preocupam em saber) como e por que determinadas coisas mexem com suas vidas.
Vamos pensar num exemplo bem simples para você entender: você já viu uma TV que não “pega” direito? O que pode ser feito para se resolver o problema do sinal?

Colocar palha-de-aço na antena resolveria?

Essa atitude, de pôr a palha-de-aço na antena, falando de tempos passados, era algo muito mais comum do que hoje com as antenas parabólicas e TVs a cabo, o que não significa que ninguém mais o faça.
Mas a palha-de-aço pode até resolver o problema, consideravelmente. Outras vezes, porém, ela não será suficiente para acabar com o defeito. Dependendo do sinal que a TV esteja recebendo.
O que seria a palha-de-aço?
Palha-de-aço = uma espécie de Senso Comum.
No caso da TV, um técnico resolveria melhor o problema do sinal porque ele tem um conhecimento mais apurado daquilo que opera o funcionamento da televisão. Provavelmente ele iria dar uma boa gargalhada ao ver a palha-de-aço na antena, pois ele sabe que aquilo pode se apenas um “remendo no rasgo”, ainda que em alguns casos resolva, entende?
Resumindo: Então, o que seria um Senso Comum?
Poderíamos dizer que é uma resposta ou solução simples para o cotidiano, geralmente pouco elaborada e sem um conhecimento mais profundo.
O teólogo brasileiro e Doutor em Filosofia, Rubem Alves, em seu livro Filosofia da Ciência, considera o senso comum como sendo aquilo que não é ciência. De outra maneira, seria dizer que a palha-de-aço na antena da TV não é algo científico, mas sim um “eu acho que funciona” para o dia-a-dia das pessoas.
Mas existe uma lógica em pôr a palha-de-aço na antena. As pessoas só não sabem qual é. E é por esse motivo, também, que Rubem Alves diz que a ciência, na verdade, é um refinamento, ou melhoramento, do senso comum.
O senso comum e a ciência nos dão respostas, ou inventam soluções práticas para nossos problemas. A diferença é que a ciência é um conhecimento mais elaborado.

“Eu acho que (...)” Fique sabendo!

Muitas vezes quando alguém começar uma resposta com as palavras “eu acho que (...)”, tal resposta pode não chegar no centro real do problema a ser entendido ou resolvido. O que não significa, porém, que ela deva ser rejeitada. Ela só precisa ser refinada.
Por exemplo, se alguém nos perguntasse o motivo que leva a economia de um país oscilar, nós poderíamos dar uma resposta certeira, com demonstrações, inclusive, mas também poderíamos dizer apenas: “eu acho que...”. A exemplo da economia existem muitas outras coisas que acontecem na sociedade e que nos atingem diretamente. E para todas essas coisas seria muito bom que tivéssemos curiosidade para saber se aquilo que é mostrado é realmente como é, entende?
E a Sociologia? Como vai aparecer nessa conversa?

Texto produzido por Everaldo Lorensetti para a Secretaria de Estado da Educação do Paraná.

A Revolução Industrial - Resumo (Parte 03/03)


As teorias sociais

Os conflitos sociais gerados pela exploração dos trabalhadores e pelo aumento da desigualdade social levaram muitos intelectuais a questionar os efeitos da industrialização e da ordem capitalista. As teorias socialistas surgiram nos séculos XVIII e XIX.

O Socialismo utópico

A primeira doutrina foi a do socialismo utópico, representada por Robert Owen, Saint-Simon, Louis Blanc e Fourier, pensadores que defendiam uma sociedade mais justa, na qual haveria acordos entre capitalistas e trabalhadores. Foram chamados de utópicos porque acreditavam nessa possibilidade de conciliação.

O Socialismo cientifico

Surgiu com Karl Marx e Engels, que defendiam a união e a luta do operariado contra a exploração. O socialismo científico mostrava que uma sociedade mais justa só seria possível por meio da luta dos trabalhadores contra o poder político da burguesia, por isso Marx e Engels pregavam a necessidade de derrubar a burguesia do poder e pôr fim à propriedade privada. Esse pensamento está contido nas obras Manifesto comunista, de 1848, Contribuição à crítica da economia política, de 1859, sendo que, em 1867, Marx publicou O capital, fundamento do socialismo científico.

O Socialismo cristão

A Igreja Católica procurou acompanhar as inovações dos tempos e não poupou criticas à exploração capitalista dos trabalhadores. Sua doutrina foi iniciada em 1891 pelo papa Leão XIII, na encíclica Rerum Novarum. Por meio dela, a Igreja propôs a aproximação entre patrões e operários, a participação destes nos lucros das empresas, o salário mínimo digno, a formação de sindicatos de trabalhadores e a defesa da propriedade privada.

O anarquismo

O anarquismo era uma ideologia extremamente radical que defendia a revolução armada, a derrubada imediata e a supressão do Estado. Os anarquistas acreditavam que o homem era capaz de viver em paz, sem a instituição do Estado. Os principais representantes dessa tendência eram Bakunin e Kropotkin.

Outro texto sobre Revolução Industrial nesse blog – clique aqui

A Revolução Industrial - Resumo (Parte 02/03)


A sociedade industrial.

A produção em larga escala, mediante a utilização de meios mecânicos, exigiu a concentração de trabalhadores em grandes unidades de produção, as fábricas, onde eles realizavam um trabalho dirigido e em conjunto. Na fábrica, consagrou-se e aperfeiçoou-se o principio da divisão do trabalho: cada trabalhador realizava apenas uma parte do processo de produção, na qual se especializava.
O sistema fabril arruinou a pequena oficina artesanal, tão característica do modo de produção feudal. A maioria dessas oficinas, onde o operário fazia seu trabalho manual com as próprias ferramentas e com horário e ritmo de trabalho que ele mesmo determinava, não puderam agüentar a concorrência imposta pelos novos métodos fabris. Os artesãos viram-se obrigados a abandonar suas oficinas e a procurar trabalho nas fábricas, convertendo-se em operários assalariados.
Com a Revolução Industrial, dois grupos sociais se definiram: a burguesia industrial e o operariado, também chamado de proletariado.

A expansão industrial: a segunda fase da indústria

Por volta de 1830, a França e a Bélgica iniciaram a sua industrialização, utilizando o vapor como principal fonte energética e o ferro como material industrial básico. Esses dois países e a Inglaterra estavam centrados na indústria têxtil.
Após 1860, a indústria instalou-se em outras regiões, como os Estados alemães, o norte da Itália, a Rússia, os Estados Unidos, o Japão e a Holanda.
A partir dessa época, começaram a ocorrer grandes inovações técnicas. O aço e os sintéticos foram utilizados como material industrial básico e as principais fontes de energia eram a eletricidade e o petróleo. Os setores industriais também se multiplicaram com o surgimento das indústrias siderúrgica, petroquímica, eletroeletrônica e automobilística. No século XIX, o petróleo e a eletricidade substituíram o vapor, enquanto o aço substituiu o ferro. A indústria siderúrgica suplantou o setor têxtil.

A Consolidação do Capitalismo

A ideologia burguesa, o liberalismo, fortaleceu-se e foi responsável por reformas que tiraram a economia do controle do Estado.
O sistema econômico capitalista consolidou-se. Esse sistema caracteriza-se pelo acúmulo de capital, propriedade privada, obtenção de lucro e trabalho assalariado.
A concentração de capital estimulou a livre concorrência das empresas capitalistas. As mais ricas foram absorvendo as mais fracas. Os grandes grupos financeiros aliaram-se para monopolizar o mercado consumidor.
A concentração de capitais nas mãos da burguesia acentuou a exploração do operariado urbano. Com a segunda fase da Revolução Industrial, ocorreu progressiva diminuição da jornada de trabalho, bem como a regulamentação do trabalho feminino e infantil. Nesse período, os trabalhadores começaram a se organizar em sindicatos e surgiu a primeira Organização Internacional dos Trabalhadores, com o objetivo de unificar a luta operária.

A Revolução Industrial - Resumo (Parte 01/03)


Em meados do século XVIII, teve inicio na Inglaterra a Revolução Industrial, que consistiu num conjunto de mudanças tecnológicas profundas na economia, prolongando-se pelo século XIX. A máquina foi suplantando o trabalho humano e uma nova relação entre trabalho e capital se impôs.
O grande desenvolvimento da indústria provocou profundas transformações na vida do homem, nas relações entre as nações e na estrutura das sociedades.
Muitas cidades surgiram com a indústria. Nelas, as fábricas concentravam centenas de trabalhadores, que vendiam a sua força de trabalho em troca de um salário.
Os operários viviam em condições miseráveis. Homens, mulheres e até crianças iniciavam a jornada diária muito cedo e trabalhavam de 14 a 16 horas por dia. Dentro das fábricas havia muita umidade e poeira, e o barulho era ensurdecedor. Mulheres e crianças trabalhavam o mesmo número de horas e recebiam um salário bem mais baixo que o dos homens. As condições subumanas em que vivia o trabalhador levavam-no a contrair muitas doenças: tuberculose, varizes, úlceras, problemas de coluna etc.
Em razão principalmente do cansaço excessivo, ocorriam muitos acidentes de trabalho, que provocavam mutilações ou morte.
Os trabalhadores que sofriam acidentes eram sumariamente demitidos e não havia nenhuma lei que os protegesse.
As condições de trabalho e os abusos que sofriam levaram os trabalhadores a lutar pela conquista de seus direitos.

A Inglaterra e a primeira Revolução Indústria

O primeiro país a ter condições favoráveis de investir na utilização da máquina foi a Inglaterra. Por isso, liderou a primeira Revolução Industrial. Dentre essas condições, podem-se citar:
 acúmulo de capitais provenientes da expansão marítimo-comercial e da política mercantilista adotada pela Inglaterra;
 supremacia marítima;
 reservas minerais — havia abundância de jazidas de carvão e de ferro no solo inglês;
 produção capitalista da terra — o acúmulo de capitais viabilizou os investimentos na área rural;
 ampliação dos empréstimos a juros — com a criação do Banco da Inglaterra, em 1694;
 crescimento populacional e grande êxodo rural, possibilitando grande oferta de trabalhadores;
 Revolução Gloriosa — que transformou o Parlamento britânico num efetivo órgão dirigente do Estado.

Todos esses elementos foram decisivos para a industrialização inglesa. Apareceram invenções que revolucionaram a indústria. O grande consumo de tecidos de lá e de algodão estimulou a criação da máquina de fiar de Arkwright, do tear mecânico de Cartwright, do descaroçador de algodão de Eli Whitney, e deu origem às primeiras fábricas inglesas de fiação e tecelagem. Outras invenções fizeram parte da Revolução Industrial inglesa, dentre elas: a máquina a vapor de James Watt, a locomotiva a vapor de George Stephenson, o barco a vapor de Robert Fulton.

Marquês de Pombal


Marquês de Pombal é o nome com que ficou conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo, político e verdadeiro dirigente de Portugal durante o reinado de José I, o Reformador.
Pombal nasceu em Lisboa no dia 13 de maio de 1699. Estudou na Universidade de Coimbra. Em 1738, foi nomeado embaixador em Londres e, cinco anos depois, embaixador em Viena, cargo que exerceu até 1748. Em 1750, o rei José nomeou-o secretário de Estado (ministro) para Assuntos Exteriores.
Quando um terremoto devastador destruiu Lisboa em 1755, Pombal organizou as forças de auxílio e planejou a reconstrução da cidade. Foi nomeado primeiro-ministro nesse mesmo ano. A partir de 1756, seu poder foi quase absoluto e realizou um programa político de acordo com os princípios do Século das Luzes ou Iluminismo. Aboliu a escravidão, reorganizou o sistema educacional, elaborou um novo código penal, introduziu novos colonos nos domínios coloniais portugueses e fundou a Companhia das Índias Orientais. Além de reorganizar o Exército e fortalecer a Marinha portuguesa, desenvolveu a agricultura, o comércio e as finanças, com base nos princípios do mercantilismo. No entanto, suas reformas suscitaram grande oposição, em particular dos jesuítas e da aristocracia.
Quando ocorreu o atentado contra a vida do rei em 1758, conseguiu implicar os jesuítas, expulsos em 1759, e os nobres; alguns destes foram torturados até morrer. Em 1770, o rei lhe concedeu o título de marquês. Depois da morte do rei José I, foi condenado por abuso de poder. Expulso da Corte, retirou-se para sua propriedade rural em Pombal, onde faleceu no dia 8 de maio de 1782.
Fonte: Portal Netsaber

Catarina II da Rússia


Imperatriz russa nascida em Stettin, na Prússia, no ano de 1729, em cujo governo a Rússia conheceu enorme desenvolvimento e a imperatriz, apesar da origem estrangeira, tornou-se a mais popular história russa. Casando-se em São Petersburgo (1744) com o grão-duque Pedro, o Pedro III (1728-1762) tornou-se, então, imperatriz da Rússia. Por causa da insatisfação dos ricos e nobres com o governo, a imperatriz apoiou um golpe que depôs o marido (1762) e, provavelmente tenha participado da trama para assassiná-lo logo depois. Aclamada czarina, prometeu lutar pela glória da Rússia. Reinou de maneira absoluta e elevou o prestígio do império russo, reformou a obsoleta administração, estimulou a agricultura e o comércio e reorganizou o exército, tudo com o apoio da nobreza, à qual concedeu muitos privilégios. Durante seu reinado, enfrentou várias vezes o poderoso império turco otomano, ao qual derrotou sucessivamente. Culta, correspondeu-se com filósofos, principalmente Diderot, e procurou governar segundo os ideais dos enciclopedistas franceses. Durante seu governo, ordenou a fundação da Universidade de Moscou (1783) e promulgou leis para melhorar o ensino. Reduziu o emprego da tortura e da pena de morte, tolerou todos os cultos religiosos, protegeu as letras e as artes e expandiu as fronteiras do império até o litoral do mar Negro. Reuniu ao império russo parte da Polônia, Ucrânia Ocidental, Lituânia e Bielorússia. Teve apenas um filho, Paulo I e morreu em 1796 em Tsarkoie Selo, perto de São Petersburgo.
Fonte: Portal Netsaber

Frederico II da Prússia


Rei da Prússia (1740-1786) nascido em Berlim passou à história como um exemplo brilhante de déspota esclarecido e transformou a nação alemã em potência mundial. Educado rigidamente pelo pai, Frederico Guilherme I, casou-se com Isabel Cristina, filha do duque de Braunschweig-Bervern e sobrinha do imperador Carlos VI. Após a morte do pai, herdou o trono e invadiu a Silésia, região da Áustria de Maria Teresa, filha de Carlos VI, obtendo a anexação do território após um acordo. Quatro anos após (1744) invadiu a Boêmia, mas não obteve o êxito esperado, porém firmou o Tratado de Dresden. Após a guerra dos sete anos (1756-1772), a Prússia converteu-se em respeitada potência, aumentado seu domínio com a aquisição do território situado entre a Pomerânia e a Prússia oriental. Paralelamente às suas conquistas territoriais, internamente foi um grande administrador, que via no bem-estar de seus súditos o requisito fundamental para o fortalecimento do estado. Aprimorou o absolutismo central, acentuando a concentração de poderes e a burocratização. Seus primeiros atos como soberano foram a abolição da tortura, da censura e da discriminação religiosa. Promoveu o desenvolvimento das finanças, da economia e deu grandes incentivos à agricultura, compensando os impopulares monopólios da coroa e o opressivo sistema de impostos. Também durante seu reinado a produção industrial experimentou notável progresso juntamente com o comércio que foi muito favorecido pelos tratados comerciais com a França. Cuidou particularmente do Exército e incentivou a imigração e o assentamento de colonos nas regiões devastadas pela guerra. Fez entrar vigor um código de processo civil, que tornava o poder judiciário independente do executivo, e criou o código civil que vigorou por todo o século seguinte (1794-1900). Tornou-se um estudioso da filosofia e introduziu inovações inspiradas pelo espírito do Iluminismo. Preocupado com a educação de seus súditos atraiu para a corte cientistas e escritores e tornou-se amigo pessoal de Voltaire e de muitos outros sábios da sua época. Morreu em Schloss Sanssouci, Potsdam.
Fonte: Portal Netsaber

Adam Smith


"Ao buscar seu próprio interesse, o indivíduo freqüentemente promove o interesse da sociedade de maneira mais eficiente do que quando realmente tem a intenção de promovê-lo." Defendendo o valor do interesse individual para garantir o interesse público, Adam Smith criou, neste trecho de sua "A Riqueza das Nações", o conceito de "mão invisível do mercado", fundamental para a doutrina do liberalismo.
Filho de um fiscal da alfândega, Adam Smith nasceu em 1723 e fez seus primeiros estudos em Kirkcaldy, sua cidade natal. Aos 14 anos, ingressou na Universidade de Glasgow, onde se graduou em 1740 e conseguiu uma bolsa de estudos para a Universidade de Oxford, onde estudou filosofia.
Seis anos depois, retornou à Escócia e tornou-se conferencista público em Edimburgo. Adquiriu reconhecimento como filósofo, o que lhe proporcionou ser professor de lógica na Universidade de Glasgow, em 1751. No ano seguinte, passou a lecionar filosofia moral, cadeira pleiteada alguns anos antes, sem sucesso, pelo filósofo David Hume.
Nessa época, travou relações com nobres e altos funcionários, freqüentando a sociedade de Glasgow e, em 1758, foi eleito reitor da Universidade. Seu primeiro trabalho, "A Teoria dos Sentimentos Morais", foi publicado no ano seguinte.
Por intermédio do político Charles Townshend, foi convidado para o cargo de tutor do duque de Buccleuch. Em 1763, Adam Smith renunciou ao seu posto na Universidade de Glasgow e mudou-se para a França. Passou quase um ano na cidade de Toulouse e depois foi para Genebra, onde se encontrou com o filósofo Voltaire.
Já em Paris, Adam Smith pode freqüentar os salões literários e travou contato com os filósofos iluministas. Um incidente com um irmão de seu pupilo, no entanto, obrigou Adam Smith a ir para Londres, onde passou a residir.
Em 1767, Smith retornou a Kirkcaldy, onde iniciou a elaboração e revisão de sua célebre teoria econômica. Passou mais três anos em Londres, onde seu livro foi concluído. "Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações" foi publicado em 1776, tornando-se um dos mais influentes livros de teoria moral e econômica do mundo. As teorias formuladas em "A Riqueza das Nações" lançaram as bases do liberalismo, como a teoria da livre concorrência e o conceito de livre mercado.
Depois da publicação do livro, tornou-se comissário da alfândega na Escócia, o que lhe garantiu bons proventos. Reconhecido e considerado por seus contemporâneos, Adam Smith morreu em 1790, aos 67 anos.
Fonte: Portal UOL Educação

John Locke


Artesão do pensamento político liberal, Locke nasceu em 1632 num vilarejo inglês, filho de um pequeno proprietário de terras. Estudou na escola de Westminster e em Oxford, que seria seu lar por mais de 30 anos. Os estudos tradicionais da universidade não o satisfaziam, mas aplicou-se. Foi admitido na Sociedade Real de Londres, a academia científica, em 1668, para estudar medicina: graduou-se seis anos depois, mas sem o título de doutor.
A maior parte de sua obra se caracteriza pela oposição ao autoritarismo, em todos os níveis: individual, político e religioso. Acreditava em usar a razão para obter a verdade e determinar a legitimidade das instituições sociais.
Quando Locke escreveu os "Dois Tratados sobre o Governo", a sua principal obra de filosofia política, tinha como objetivo contestar a doutrina do direito divino dos reis e do absolutismo real.
Também pretendia criar uma teoria que conciliasse a liberdade dos cidadãos com a manutenção da ordem política. Para o pensador inglês, o que dá direito à propriedade é o trabalho que se dedica a ela. E desde que isso não prejudique alguém, fica assegurado o direito ao fruto do trabalho. Foram essas as bases da idéia de uma sociedade sem a interferência governamental, um dos princípios básicos do capitalismo liberal.
Para o filósofo, todo conhecimento humano pode ser obtido por meio da percepção sensorial ao longo da vida. A mente do ser humano ao nascer seria como uma folha em branco, e tudo que se sabe é aprendido depois. Baseava sua crença no poder da educação como transformadora do mundo. Afirmava que o mal não era parte de um plano de Deus, e sim produzido por um sistema social criado pelos indivíduos. Por isso, poderia ser modificado também por eles.
Sua obra, "Ensaios", escrita ao longo de 20 anos, é sua grande contribuição à filosofia. Seu interesse se centrava nos tópicos tradicionais da filosofia: a natureza do ser, o mundo, Deus e os níveis de conhecimento. Locke foi também o precursor do pensamento iluminista nas questões políticas.
De pesquisador a secretário de um nobre no governo inglês, tornou-se um escritor de economia, ativista político e um revolucionário cujas idéias ocasionaram a vitória da Revolução Gloriosa, em 1688, contra o absolutismo. Foi também deputado no Parlamento e defendeu que somente quem dispusesse de apoio da maioria dos parlamentares deveria ter o direito de ser ministro (como até hoje funciona o sistema britânico).
Em sua obra, afirmou que a organização das leis e do Estado deve ser feita com o objetivo de garantir o respeito aos direitos naturais. A garantia dos direitos naturais do povo - a proteção da vida, da liberdade e da propriedade de todos - é definida por ele como a única razão de ser de um governo. Se o governante não respeita esses direitos, os governados podem derrubá-lo e substituí-lo por outro mais competente.
Locke exerceu enorme influência sobre todos os pensadores de seu tempo e foi uma das principais referências teóricas para os líderes das revoluções que, a partir do final do século XVIII, transformaram a sociedade ocidental. Faleceu em 1704.
Fonte: Portal UOL Educação

François Quesnay


Economista francês (4/6/1694-16/12/1774). Mentor da primeira escola de economia, conhecida como fisiocrata. Nasce em Méré, cidade próxima a Paris, e estuda medicina antes de se interessar por economia. Como médico, trabalha em um hospital de Nantes, como mestre de cirurgia, a partir dos 24 anos.
Torna-se médico de Luís XV depois. Conhece os economistas de seu tempo e começa a escrever sobre o assunto por volta de 1756, quando passa a colaborar na Enciclopédia, organizada por Diderot. No ensaio Quadro Econômico, de 1758, analisa as relações entre as classes sociais pelo fluxo de pagamentos entre elas. A obra busca uma visão global do processo econômico e analisa a agricultura como o setor mais importante da produção.
De acordo com o ensaio, a sociedade divide-se em três classes: a produtiva, de agricultores, a dos proprietários de terras e a dos comerciantes. Assim como os intelectuais do iluminismo, identifica na sociedade uma "ordem natural" que deve ser respeitada pelos governos.
Com suas idéias sobre a necessidade do equilíbrio econômico e de investimentos em poupança de forma a manter saudável o fluxo de pagamentos, influencia teóricos do liberalismo econômico como Adam Smith e David Ricardo. Morre em Versalhes.

Fonte: Portal Algosobre

Rosseau


Bem no início do "Contrato Social", Rousseau (1712) afirma que "o homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros". Discutindo esse fato, o filósofo criou uma das obras fundamentais da filosofia política ocidental.
Jean-Jacques Rousseau perdeu a mãe ao nascer e foi educado por um pastor protestante na cidade de Bossey (Suíça). Voltou para Genebra e ali exerceu vários ofícios, entre eles o de gravador. Foi ainda professor de música em Lausanne (também na Suíça).
Tornando-se amante de madame de Warens, viveu com ela em Chambery (França) até 1740.
Em 1742, estabeleceu-se em Paris, onde fez amizade com os filósofos iluministas (os chamados "philosophes"), entre os quais estavam Diderot e Condillac. Colaborou na "Enciclopédia" (coordenada por Diderot), escrevendo diversos verbetes. Ainda em Paris, uniu-se a Thérèse Levasseur, com quem viveu muitos anos.
Em 1749, a Academia de Dijon propôs um prêmio para quem respondesse à seguinte questão: "O estabelecimento das ciências e das artes terá contribuído para aprimorar os costumes?" Em consequência do que ele mesmo considerou uma iluminação, Rousseau escreveu o "Discurso Sobre as Ciências e as Artes", tratando já da maioria dos temas importantes em sua filosofia e respondendo negativamente àquela pergunta. Em julho do ano seguinte, recebeu o primeiro prêmio: uma medalha de ouro e 300 libras francesas.
Com a publicação dessa obra, Rousseau conquistou reconhecimento. Seguiram-se anos de grande atividade reflexiva. Em 1755, publicou-se o "Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens". Em 1761, veio à luz "A Nova Heloísa", romance epistolar que obteve grande sucesso. No ano seguinte, saíram duas de suas obras mais importantes: o ensaio "Do Contrato Social" e o tratado pedagógico "Emílio, ou da Educação".
Em 1762, Rousseau foi perseguido por conta de suas obras, consideradas ofensivas à moral e à religião, e obrigado a exilar-se em Neuchâtel (Suíça). Três anos depois, partiu para a Inglaterra, a convite do filósofo David Hume.
Retornando para a França em 1767, casou-se finalmente com Thérèse Levasseur.
Além de escritor e filósofo, Rousseau foi um apaixonado por música. Estudou teoria musical, escreveu duas óperas ("As Musas Galantes" e "O Adivinho da Aldeia") e publicou um "Dicionário de Música".
Em seus últimos anos, viveu sob a proteção do marquês de Girardin, no castelo de Ermenonville, na França. Em 1776, publicou experiências, reflexões e sensações no livro "Os Devaneios de um Caminhante Solitário".
Ao morrer (1778), Jean-Jacques Rousseau deixou vasta obra, cujo valor vem sendo permanentemente redescoberto. Suas últimas experiências estão registradas nas "Confissões", obra publicada postumamente.

Fonte: Portal UOL Educação

Voltaire


François-Marie Arouet (1694), dito Voltaire, nasceu em uma abastada família burguesa e fez seus estudos com os jesuítas, no Colégio Louis-le-Grand, em Paris. Em 1718, alcançou grande sucesso com a tragédia Édipo. Contudo, por ter insultado um nobre, o duque de Rohan-Chabot, foi encarcerado na Bastilha, em 1726, e mais tarde libertado, mas sob a condição de que partisse para o exílio. Assim, passa três anos na Inglaterra, quando, além de frequentar a aristocracia e a intelectualidade inglesas, se familiariza com as ideias do Iluminismo.
Retorna a Paris em 1729, mas sua obra Cartas filosóficas (ou Cartas sobre os ingleses), em que faz elogios à tolerância religiosa e à liberdade cultural e política na Inglaterra, é condenada pelas autoridades, o que o obriga a se refugir no castelo de Cirey, onde passa dez anos escrevendo e estudando (inclusive a física de Newton), ao lado da marquesa du Châtelet, sua amante, mulher espirituosa e erudita.
Retorna a Paris em 1744, sendo eleito para a Academia Francesa em 1746, quando é introduzido na corte por Madame de Pompadour, amante do rei. Muda-se, em 1750, para Potsdam, depois de aceitar o convite de Frederico 2º, da Prússia. Três anos mais tarde, no entanto, após um conflito com o rei, retira-se para uma casa perto de Genebra.
Hábil homem de negócios, com a fortuna adquirida inclusive por meio de especulações na Bolsa compra o castelo e a fazenda Ferney, nas proximidades de Genebra, onde instala fábricas de tecidos de seda e de relógios. Torna-se milionário. E graças à independência financeira, passa a intervir em casos de intolerância religiosa, como o Calas (execução de um protestante cujo filho se suicidara, sob acusação de tê-lo assassinado para o impedir de converter-se ao catolicismo) e o La Barre (homem executado por não ter tirado o chapéu ao encontrar uma procissão).

Obra e influência

Não seria exagero dizer que Voltaire foi o homem mais influente do século XVIII. Seus livros eram lidos por toda a Europa e vários monarcas pediram seus conselhos. Deixou uma obra que reúne cerca de 70 volumes.
Apesar de obras poéticas consideradas ultrapassadas, e em alguns casos ilegíveis, Voltaire é magnífico na prosa, de estilo, correção e fluência admiráveis, além de possuir espirituosidade e irreverência. Seu O século de Luís XIV, de 1751, por exemplo, é a primeira obra de historiografia que inclui a história da cultura, das letras e das artes. E o Ensaio sobre os costumes e o espírito das nações de 1756, obra de erudição incrível, é a primeira tentativa de uma história universal do ponto de vista do liberalismo religioso e político.
Nenhum de seus livros, contudo, supera, em espirituosidade, o Cartas filosóficas, em que a vivacidade das comparações entre a liberdade inglesa e o atraso da França é irresistível.
Voltaire propagandeou os ideais iluministas em todos os seus livros, mas principalmente nos romances - também chamados de "contos filosóficos", como Zadig, Micrômegas e, sua obra-prima, Cândido, ou o otimismo - e no seu radical Dicionário filosófico. Ele também nos deixou cerca de 10 mil cartas, extensa correspondência que guarda, até hoje, qualidades fascinantes.
Apesar de anticlerical fervoroso e de combater todas as formas de intolerância, Voltaire não foi ateu, mas um deísta. Defensor da burguesia, foi um dos principais inspiradores da Revolução Francesa, movimento que realizou suas ideias anticlericais e de igualdade perante a lei.
Em fevereiro de 1778, Voltaire finalmente retornou a Paris, onde foi amplamente festejado, morrendo logo depois.

Fonte: Portal UOL Educação

Montesquieu


Charles-Louis de Secondat (1689), barão de Montesquieu, foi um dos grandes filósofos políticos do Iluminismo. Curioso insaciável tinha um humor mordaz. Ele escreveu um relatório sobre as várias formas de poder, em que explicou como os governos podem ser preservados da corrupção.
Nobre, de família rica, Charles-Louis formou-se em direito na Universidade de Bordeaux, em 1708, e foi para Paris prosseguir em seus estudos. Com a morte do pai, cinco anos depois, voltou à cidade natal, La Brède, para tomar conta das propriedades que herdou.
Casou-se com Jeanne Lartigue, uma protestante. O casal teve duas filhas. Em 1716 ele herdou de um tio o título de Barão de La Brède e de Montesquieu, além do cargo de presidente da Câmara de Bordeaux, para atuar em questões judiciais e administrativas da região. Pelos próximos onze anos ele esteve envolvido em julgamentos e aplicações de sentenças, inclusive torturas. Nessa época também participou de estudos acadêmicos, acompanhando os desenvolvimentos científicos e escrevendo teses.
Em 1721, Montesquieu publicou as "Cartas Persas", um sucesso instantâneo que lhe trouxe a fama como escritor. Inspirou-se no gosto da época pelas coisas orientais para fazer uma sátira das instituições e dos costumes das sociedades francesa e européia, além de fazer críticas fortes à religião católica e à igreja: foi a primeira vez que isso aconteceu no século XVIII. O livro tem um estilo divertido, mas também é desanimador: apresenta a virtude e o autoconhecimento como impossíveis de serem atingidos.
Montesquieu começou dividir seu tempo entre os salões literários em Paris, os estudos em Bordeaux, o cargo na Câmara e a atividade de escritor. Logo, ele deixaria a função pública para se dedicar aos livros. Foi eleito para a Academia Francesa em 1728. Viajou pela Europa e decidiu morar na Inglaterra, onde ficou por dois anos. Estava muito impressionado com o sistema político inglês e decidido a estudá-lo. Na volta a La Brède, escreveu sua obra-prima, "O Espírito das Leis": foi outro grande sucesso, e também bastante criticada, como haviam sido as "Cartas Persas".
Montesquieu quis explicar as leis humanas e as instituições sociais: enquanto as leis físicas são regidas por Deus, as regras e instituições são feitas por seres humanos passíveis de falhas. Definiu três tipos de governo existentes: republicanos, monárquicos e despóticos, e organizou um sistema de governo que evitaria o absolutismo, isto é, a autoridade tirânica de um só governante. Para o pensador, o despotismo era um perigo que podia ser prevenido com diferentes organismos exercendo as funções de fazer leis, administrar e julgar.
Assim, Montesquieu idealizou o Estado regido por três poderes separados, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Essa é a teoria da separação de poderes e teve enorme impacto na política, influenciando a organização das nações modernas. O pensador levou dois anos escrevendo "Em defesa do Espírito das Leis", para responder ao vários críticos.
Apesar desse esforço, a Igreja católica colocou "O Espírito das Leis" no seu índice de livros proibidos, o Index Librorum Prohibitorum. Mas isso não impediu o sucesso da obra, que foi publicada em 1748, em dois volumes, em Genebra, na Suíça, para driblar a censura. Seus livros seguintes continuaram a ser controvertidos, desagradando protestantes (jansenistas), católicos ordodoxos, jesuítas e a Universidade Sorbonne, de Paris.
Montesquieu morreu, aos 66 anos (em 1755), de uma febre. Estava quase cego. Deixou sem concluir um ensaio para a Enciclopédia, de Diderot e D'Alembert.
Fonte: Portal UOL Educação

D' Alembert


Matemático, filósofo e escritor francês (17/11/1717-29/10/1783). Famoso pela edição da Encyclopédie francesa, com Denis Diderot. Nasce em Paris Jean Le Rond d'Alembert e estuda direito. Conclui o curso em 1738, mas não exerce a profissão, preferindo dedicar-se aos estudos de matemática.
Estuda também hidrodinâmica, mecânica dos corpos rígidos e astronomia. Publica Tratado de Dinâmica, em 1743, para explicar o princípio de que "a toda ação corresponde uma reação proporcional", desenvolvendo a teoria da dinâmica newtoniana.
Torna-se membro da Academia de Ciências francesa em 1741 e entra para a Academia de Ciências de Berlim três anos depois. Em 1752 lança o ensaio Nova Teoria sobre a Resistência dos Fluidos, no qual considera o ar um fluido composto de pequenas partículas.
Transforma-se em importante colaborador da Encyclopédie a partir do mesmo ano, com artigos em diversos volumes da obra. Participa ativamente do meio social integrado por filósofos, escritores e pensadores. Defende perante eles a crítica dos velhos dogmas em nome da ciência, na sua opinião a verdadeira fonte de conhecimento para o homem. Morre em Paris.

Fonte: Portal Algosobre

Denis Diderot


Filósofo e hábil escritor e enciclopedista francês nascido em Langres (1713), na região francesa da Champagne, um dos símbolos do Iluminismo e um dos ideólogos da revolução francesa. Filho de um mestre de cutelaria de boa posição estudou com os jesuítas, iniciou a carreira eclesiástica e chegou a receber a tonsura em 1726. Estudou em Paris (1729-1732) onde se graduou em artes. Ainda estudou leis, literatura, filosofia e matemática, até ser contratado pelo produtor Andre Le Breton para traduzir uma enciclopédia inglesa (1745), a Cyclopaedia, do inglês Ephraim Chambers. Ateu e materialista, a partir deste ponto passou a trabalhar ao lado do matemático e filósofo Jean le Rond d’Alembert, e organizou uma enciclopédia (Encyclopédie, 1751-1772) que pretendia reunir todo o conhecimento científico e filosófico da época, e que fosse o veículo das novas idéias contra as forças, para ele reacionárias, da igreja e do estado, e que destacasse os princípios essenciais das artes e das ciências. Por essa razão os iluministas também são conhecidos como "enciclopedistas".
Esta enciclopédia foi planejada juntamente com d’Alembert sob o título Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers(1750). Foram publicados 17 volumes de texto e 11 de pranchas de ilustração (1751-1772) que se tornou um grande êxito literário e onde ele foi redator e, sobretudo, diretor e supervisor dessa grande iniciativa. De inspiração racionalista e materialista, propunha a imediata separação da Igreja do Estado e o combate às superstições e às diversas manifestações do pensamento mágico, entre elas as instituições religiosas. Sua publicação sofreu violenta campanha contrária da Igreja e de grupos políticos afinados com o clero. Sofreu intervenção da censura e condenação papal, mas acabou por exercer grande influência no mundo intelectual e inspirou os líderes da Revolução Francesa. Seus mais importantes colaboradores foram: Montesquieu e François-Marie Arouet Voltaire (literatura), Étienne Condillac e o Marquês de Condorcet (filosofia), Jean-Jacques Rousseau (música), Georges Louis Leclerc, conde de Buffon (ciências naturais), François Quesnay e Anne-Robert-Jacques Turgot, barão de l'Aulne (economia), Holbach (química), Diderot (história da filosofia) e D’Alembert (matemática). Também escreveu novelas, comédias, peças teatrais e brilhantes correspondências para um largo círculo de amigos e colegas. Paralelamente desenvolveu uma prolífica produção, principalmente na área romancista, em grande parte publicados postumamente. Os mais citados são Pensées philosophiques (1746), Lettre sur les aveugles à l'usage de ceux qui voient (1749), que valeram três meses na prisão e, ao sair desta, Prospectus (1750), que D'Alembert converteria no ano seguinte no Discours préliminaire da Enciclopédia, e Jacques le Fataliste et son maitre (1796), La Religieuse (1796), Eléments de physiologie (1774-1780) e Le Neveu de Rameau (1821). A despeito de sua competência e importância histórica viveu seus últimos anos em extrema pobreza e precisou ser ajudado economicamente pela imperatriz Catarina da Rússia, sua admiradora, até morrer em Paris (1784).

Fonte: Portal NetSaber

A filosofia e a amizade


É difícil apresentar de maneira generalizada o que a “filosofia” diz sobre a amizade.
Nesses tantos séculos de história da filosofia, muitas e diferentes ideias foram expostas sobre a amizade. Tantos foram, e são, os filósofos que não é fácil traçar seus posicionamentos acerca dos amigos: Tê-los ou não? Mas tentemos pensar juntos sobre a amizade e os amigos, acompanhando as palavras de alguns deles sobre o assunto.

O que fazem os amigos?

"São nosso refúgio na pobreza e no infortúnio; ajudam os mais jovens a evitar os erros; ajudam as pessoas idosas amparando-as em suas necessidades; estimulam as pessoas na plenitude de suas forças à prática de ações nobilitantes, pois com amigos as pessoas são mais capazes de pensar e de agir”.
Você considera as ideias acima descritas atuais? Então saiba que são de autoria de Aristóteles.
“Uma forma de excelência moral” ou “concomitante com a excelência moral”, “extremamente necessária à vida” são termos que Aristóteles utiliza para iniciar o livro VIII da Ética a Nicômacos, capítulo que trata sobre a amizade. Prossegue ele: “De fato, ninguém deseja viver sem amigos, mesmo dispondo de todos os outros bens”.
Note como Aristóteles preza a amizade, colocando-a como um bem desejável, mesmo àquele que dispõe de todos os outros, e apresentando o amigo como aquele que nos torna mais capazes de pensar e agir. Você concorda com Aristóteles? Seus amigos lhe provocam a pensar e agir com mais capacidade? Você também faz isso com seus amigos?
No capítulo IX do mesmo livro, Aristóteles afirma: “Com efeito, a amizade é uma parceria, e uma pessoa está em relação a si própria da mesma forma que em relação ao amigo; em seu próprio caso, a consciência de sua existência é um bem, e portanto a consciência da existência de seu amigo também o é, e a atuação desta conscientização se manifesta quando eles convivem; é portanto natural que eles desejem conviver. E qualquer que seja a significação da existência para as pessoas e seja qual for o fator que torna a sua vida digna de ser vivida, elas desejam compartilhar a existência de seus amigos; sendo assim, alguns amigos bebem juntos, outros jogam dados juntos, outros se juntam para os exercícios do atletismo ou para a caça, ou para o estudo da filosofia, passando seus dias juntos na atividade que mais apreciam na vida, seja ela qual for; de fato, já que os amigos desejam conviver, eles fazem e compartilham as coisas que lhes dão a sensação de convivência”.
Constatar, ter consciência da amizade, da existência do amigo, é um bem. Como isso se dá? Pela convivência, segundo Aristóteles.
Assim, para atingir este bem tão necessário, precisamos conviver. Não podemos esquecer que no período em que viveu Aristóteles, cuidar de si era cuidar da polis, da vida em sociedade. Para o filósofo, o homem é um animal político e, portanto, a convivência é de suma importância. Você convive com seus amigos? O que costuma fazer nessa convivência? Você considera que hoje é preciso cuidar da vida em sociedade para cuidar de si? Os amigos ajudariam nesse processo? Em quê?
Ainda no capítulo VIII, Aristóteles afirma: “Quando as pessoas são amigas não têm necessidade de justiça, enquanto mesmo quando são justas necessitam da amizade”. Este seria um bom motivo para mantermos as amizades, e através delas, cuidarmos de nós e da vida em sociedade.

Epicuro: o filósofo da amizade

Epicuro, considerado o filósofo da amizade, afirmou em suas Sentenças Principais: “De todas as coisas que a sabedoria nos oferece para a felicidade da vida, a maior é a amizade”. Aqui podemos constatar mais um filósofo que trouxe a amizade como fator primordial à vida. Segundo ele, a amizade, ainda que não nos livre das dores do corpo e da alma, nos auxilia a suportá-las.
Segundo La Boétie, a amizade é nossa única forma de recusa à servidão, servidão que deriva da vontade humana, impondo-se e nos fazendo esquecer a liberdade do desejo. Por sua vez, Montaigne, em seus Ensaios, ao tratar da amizade, aponta para sua amizade com La Boétie, descrevendo a qualidade e a importância de uma relação dessa natureza: “Na amizade a que me refiro, as almas entrosam-se e se confundem em uma única alma, tão unidas uma à outra que não se distinguem, não se lhes percebendo sequer a linha de demarcação. Se insistirem para que eu diga por que o amava, sinto que o não saberia expressar senão respondendo: porque era ele; porque era eu”.
Deleuze, filósofo do século XX, em entrevista para Claire Parnet, no vídeo O Abecedário Deleuze, afirma “Eu adoro desconfiar do amigo. Para mim, amizade é desconfiança. Há um verso de que gosto muito, e me impressiona muito, de um poeta alemão, sobre a hora entre cão e lobo, a hora na qual ele se define. É a hora na qual devemos desconfiar do amigo. Há uma hora em que se deve desconfiar até de um amigo. Eu desconfio do Jean-Pierre como da peste! Desconfio dos meus amigos. Mas é com tanta alegria que não podem me fazer mal algum. O que quer que façam, vou achar muita graça (…) Ser amigo é ver a pessoa e pensar: ‘O que vai nos fazer rir hoje?’. ‘O que nos faz rir no meio de todas essas catástrofes?’ É isso”.
Apesar da filosofia exigir a solidão de pensar por si mesmo, ela também exige o amigo, aquele com quem se dialoga, aquele que desconfia e de quem desconfiamos, que questiona, que nos faz pensar. Não há filosofia sem diálogo.
Deleuze e Guattari, em O que é a Filosofia?, falam do amigo da sabedoria, que é aquele que pretende o saber, o pretendente e, portanto, rival do outro. Teríamos deixado de ser o amigo do outro para sermos amigos do saber e rivais do outro?
Penso que o filósofo precisa ser, concomitantemente, amigo do saber – no sentido de buscar, de conviver, de dialogar com esse saber que lhe provoca, espanta, instiga -, e amigo do outro – com quem o diálogo necessário se estabelece, para que ele não se perca em divagações vazias. Alguns dirão que este outro são os textos dos filósofos, que nos instigam, provocam, espantam e com os quais estabelecemos diálogo. Outros defenderão que além de tais outros, necessitamos do diálogo e da partilha daquilo que amamos com a presença de um outro, com a convivência, como afirmou Aristóteles.
De qualquer maneira, encontramos, na História da Filosofia, vários pensadores que apontam para a importância da amizade. É o amigo quem nos alerta, quem nos provoca a pensar. É também o amigo quem partilha conosco suas histórias, seu modo de ser, seu cuidado, seu riso. E você, leitor, o que pensa? A amizade é importante? O que significa, para você, ser amigo? Você tem amigos? Você se considera um bom amigo? Por quê?

Fonte: Portal Micose Mental – clique aqui