"Nada se espalha com maior rapidez do que um boato" (Virgílio)

Rebeliões no Período Regencial - Quadro

Período Regencial – Resumo (Parte 04/04)


Rebeliões no período das Regências

Durante o período regencial, diversas rebeliões contestaram a forma autoritária do governo central. As rebeliões foram diferentes quanto aos objetivos propostos. Destacam-se: A Cabanagem, a Revolta dos Malês, a Guerra dos Farrapos, a Balaiada e a Sabinada.

A Cabanagem, Província do Grão-Pará, 1835-1840 Também conhecida como Revolta dos Cabanos, devido à maciça participação de negros, índios e mestiços que trabalhavam na extração de produtos da floresta e moravam em cabanas à beira dos rios.
Motivos do movimento: descontentamento dos fazendeiros e comerciantes da região com a nomeação do presidente da província pelo governo central; situação de miséria em que vivia a população paraense. Lideres: Pedro Vinagre, Eduardo Angelim. Em 1836, Feijó enviou uma poderosa força militar para a região. Os cabanos tiveram que deixar a capital e resistir no interior. A repressão foi violenta, deixando um saldo de 40 mil mortos. A revolta foi sufocada em 1840.

A Revolta dos Malês, Bahia, 1835 Levante de escravos e ex-escravos negros organizado pelos “malês”, como eram conhecidos os africanos de formação muçulmana, que falavam e escreviam em árabe. Planejavam libertar os escravos de Salvador e, posteriormente, do Recôncavo baiano. Queriam melhorar a situação dos negros alforriados, os negros de ganho’. Em menor número e com armamentos de qualidade inferior, foram massacrados pelas tropas do governo.

A Guerra dos Farrapos, Rio Grande do Sul, 1835-1845 Foi a mais longa revolta do Período Regencial. Também chamada de Revolução Farroupilha. Desde o século XVIII, a pecuária era a base da economia do Rio Grande do Sul. No final desse século, teve inicio a produção de charque, com mão-de-obra do escravo negro, para abastecer o mercado interno brasileiro, sendo usado principalmente na alimentação dos escravos. O movimento foi provocado pelo descontentamento dos donos das fazendas de criação, charqueadores e exportadores, com a política do governo imperial, que diminuiu os impostos sobre a importação do charque uruguaio. Os proprietários de terras também eram contra a nomeação do presidente da província pelo governo imperial. A revolução teve duas fases: de início os revolucionários queriam apenas mais autonomia diante do governo. Mais tarde o movimento se tornou separatista, pretendendo transformar o Rio Grande do Sul num país independente. Em 1845, os farroupilhas foram derrotados por Caxias. Pela Paz de Ponche Verde decidiu-se pela reintegração do Rio Grande do Sul ao Brasil, a indenização aos senhores de terras envolvidos no movimento e a libertação dos poucos escravos sobreviventes que participaram da guerra.

A Balaiada, Maranhão, 1838-1840 Revolução de caráter popular, Liderada por Manoel dos Anjos Ferreira, fabricante de balaios (de onde vem o nome do movimento). Outros participantes: Raimundo Gomes e Cosme Bento das Chagas, chefe de um quilombo que reunia aproximadamente 3 mil negros fugitivos. O negro Cosme denominava-se “Tutor e Defensor das Liberdades Bem-te-vis” (bem-te-vis, nome derivado de um jornal que combatia o governo). Um dos motivos foi a crise na economia agrária do Maranhão, porque o algodão, principal riqueza, vinha sofrendo forte concorrência do produzido nos Estados Unidos, mais barato e de melhor qualidade. A repressão foi comandada pelo coronel Luis Alves de Lima e Silva, que, por ter obtido a rendição de muitos rebeldes, recebeu o titulo de Barão de Caxias.

A Sabinada, Bahia, 1837-1838 Movimento liderado pelo médico Francisco Sabino da Rocha Viera, que em seu jornal, Novo Diário da Bahia, criticava o governo dos regentes e o presidente da província, convocando o povo a separar a Bahia de todo o Brasil e organizar uma república com caráter provisório, até a maioridade de D. Pedro de Alcântara. Em 1838, tropas do governo central, com o apoio da aristocracia rural baiana, atacam Salvador. Inúmeras casas foram incendiadas, muitos revoltosos foram queimados vivos e mais de mil pessoas morreram na luta.

Período Regencial – Resumo (Parte 03/04)


Regência Una de Feijó (1835-1837)

Foi uma “experiência republicana”: o chefe de governo era eleito periodicamente, por voto de Província e por votação nacional.
• Feijó sufocou rebeliões e via nos pobres e nos escravos rebeldes inimigos poderosos da ordem nacional.
• Duas alas políticas: progressista, da qual fazia parte o regente, formada pelos liberais exaltados e por parte dos liberais moderados; regressista, integrada por liberais moderados e ex-restauradores.
• 1836: regressistas, contrários a Feijó no poder, fundaram o Partido Conservador.
• Rebeliões: Cabanagem, no Pará, Farroupilha, no Rio Grande do Sul, Sabinada, na Bahia.
• 1837: Feijó renunciou ao cargo de Regente.

Regência Una de Pedro de Araújo Lima (1837-1840)

Ministério das Capacidades: Bernardo Pereira de Vasconcelos, Miguel Calmon, Antônio Peregrino, Maciel Monteiro, entre outros.
• Além das revoltas internas iniciadas no governo anterior, enfrentou mais uma rebelião, a Balaiada, no Maranhão.
• Fundação do colégio D. Pedro II, no Rio de Janeiro.
• Criação do Instituto Histórico e Geográfico.
• 1838: Feijó fundou o Partido Liberal para fazer oposição a Araújo Lima.
• O Partido Liberal propõe a antecipação da maioridade de D. Pedro de Alcântara, a fim de manter a unidade nacional.

Período Regencial – Resumo (Parte 02/04)


As Regências Trinas

Regência Trina Provisória (até junho de 1831): Francisco de Lima e Silva, Carneiro de Campos e Nicolau de Campos Vergueiro.
Principais medidas:
• readmissão do ministério deposto por D. Pedro I;
• anistia (perdão) a todos os envolvidos em processos políticos;
• demissão dos estrangeiros do Exército brasileiro;
• determinação de que os regentes não poderiam exercer o Poder Moderador (exclusivo do imperador).

Regência Trina Permanente (1831-1835): Brigadeiro Francisco de Lima e Silva, deputados José da Costa Carvalho e João Bráulio Muniz.
Principais medidas:
1) O ministro da Justiça, padre Diogo Antônio Feijó, proibiu ajuntamentos noturnos em ruas e praças.
2) Criação da Guarda Nacional, organização paramilitar, com elementos civis da alta sociedade (que passavam a ser chamados de “coronéis”), nomeados pelo poder central, portanto, eram corporações particulares de cidadãos armados e fardados, que não faziam parte da policia ou do exército nacional. Objetivo: reprimir os motins e levantes. Representava a política repressiva do governo.
3) Ato Adicional de 1834: lei que decidiu que a capital do império, o Rio de Janeiro, se tornava Município Neutro; a transformação da Regência Trina em Regência Una; manutenção da monarquia unitária, centralizada, e do Poder Moderador (manutenção da forma autoritária do Estado monárquico).

Período Regencial – Resumo (Parte 01/04)


Como D. Pedro de Alcântara era menor de idade, de acordo com a Constituição brasileira, o trono passou a ser ocupado por regentes, os quais deveriam governar até que o imperador completasse 18 anos. O período regencial durou até a maioridade antecipada do imperador D. Pedro II, em 1840. Foi um período marcado por constantes lutas pelo poder político, uma série de revoltas populares e o perigo de fragmentação do País, pois algumas dessas revoltas propunham a separação das províncias.

Os grupos políticos no Período Regencial

Logo após a saída de D. Pedro I do Brasil, a camada dominante, que participara ativamente do processo da abdicação, dividiu-se em diferentes grupos políticos.
• Liberais moderados: também conhecidos como chimangos. O grupo era formado pelos ricos proprietários de terras e de escravos e pelos grandes comerciantes, principalmente de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Defendiam a ordem social e jurídica estabelecida pela Constituição. Os nomes de maior destaque foram: Bernardo Pereira de Vasconcelos, padre Diogo Antônio Feijó e Evaristo da Veiga, um dos redatores do jornal mais liberal da época, o Aurora Fluminense;
• Liberais exaltados ou farroupilhas: grupo composto pelos proprietários de terras das demais províncias, profissionais liberais e militares do baixo oficialato. Defendiam a federação, isto é, a efetiva autonomia das províncias, e as liberdades individuais. Alguns elementos desse grupo, como Borges da Fonseca, Miguel Frias e Cipriano Barata, eram favoráveis à República;
• Restauradores: também chamados caramurus. O grupo era formado pelos comerciantes portugueses e pelo alto comando do Exército. Lutavam pela volta de D. Pedro I ao governo do Brasil. Eram liderados por José Bonifácio. Esse grupo desapareceu em 1834, com a morte do monarca.

Fonte: Caderno do Futuro. IBEP.

As Reformas Religiosas – Resumo (Parte 08/08)

Papa Paulo III

A Reforma Católica

O êxito das oposições reformistas deu origem a uma decidida reação da Igreja Católica, que se lançou a combatê-las com a finalidade de destruí-las e de impedir que pudessem prosperar novas correntes consideradas heréticas. Essa reação da Igreja é conhecida como Contra-Reforma ou Reforma Católica.
No século XVI, com o avanço do protestantismo, a Igreja Católica apressou sua reforma, e nesse movimento destacaram-se os chamados papas reformistas: Paulo III, Paulo IV, Pio V e Sisto V.
Em 1545, o papa Paulo III convocou o Concílio de Trento, que:
• reafirmou que a salvação depende da fé e das ações da pessoa;
• impôs que a interpretação da Bíblia deveria ser feita pela Igreja;
• manteve os sete sacramentos, o celibato clerical, a indissolubilidade do matrimônio e o culto aos santos;
• criou os seminários, para melhor formar os sacerdotes;
• determinou a publicação de um resumo da doutrina cristã: o catecismo.
Outras medidas ordenadas pela Igreja foram a elaboração do Índex, catálogo dos livros proibidos aos católicos, e o restabelecimento dos tribunais da Inquisição, cuja finalidade era reprimir as heresias. Porém, eles acabaram se tornando um órgão de repressão, que combatia a liberdade individual. As pessoas acusadas eram sujeitas a tortura para confessar sua culpa.
Para o sucesso da Reforma Católica, foi de grande importância a participação dos padres jesuítas.
A Companhia de Jesus, ou Ordem dos Jesuítas, foi fundada em 1534, por Inácio de Loyola. Depois de haver deixado a carreira militar e de ter feito vários estudos religiosos, Inácio de Loyola fundou uma ordem religiosa com rígida organização e disciplina e se dispôs a servir ao papado. Em 1540, a Companhia de Jesus foi oficializada pelo papa Paulo III.
Os jesuítas atuaram no setor educacional, destacaram-se na luta contra o protestantismo e dedicaram-se à conversão de grande parte dos povos indígenas do continente americano, na época recentemente descoberto, ao catolicismo.

As Reformas Religiosas – Resumo (Parte 07/08)

Henrique VIII, líder supremo da Igreja Anglicana

A Reforma Anglicana

Na Inglaterra havia condições favoráveis à eclosão de um movimento reformista:
• a influência das idéias de John Wyclif;
• o nacionalismo;
• a evasão das rendas inglesas, em razão dos tributos católicos;
• a necessidade dos reis ingleses de se livrarem da influência de Roma para centralizar o poder.
O motivo que desencadeou a Reforma Anglicana foi o rompimento entre o rei inglês Henrique VIII e o papa Clemente VII. O rei queria que o papa anulasse seu casamento com Catarina de Aragão para poder desposar Ana Bolena. Como o papa se recusou, o rei reuniu um tribunal composto de bispos ingleses que aprovou o matrimônio real.
Henrique VIII foi excomungado pelo papa e, em 1534, o Parlamento inglês aprovou o Ato de Supremacia, pelo qual o monarca era reconhecido como o único chefe da Igreja nos territórios ingleses.
A Reforma Inglesa, ao contrário das de Lutero e Calvino, não foi radical, pois respeitou as normas e os rituais da Igreja Católica, negando apenas a autoridade do papa.
O anglicanismo consolidou-se definitivamente durante o reinado de Elizabeth 1, quando esta fez o Parlamento promulgar a Lei dos 39 Artigos (1562), que transformou a religião inglesa numa combinação dos rituais católicos e da doutrina calvinista.

As Reformas Religiosas – Resumo (Parte 06/08)

João Calvino

A Reforma Calvinista

As idéias de Lutero influenciaram outros movimentos contra a Igreja Católica. Na Suíça, Ulrico Zwinglio deu inicio a um movimento reformista.
Sua obra foi continuada por um francês, João Calvino, formado em Teologia pela Universidade de Paris e defensor do humanismo. Propagou sua doutrina na França, mas, perseguido, fugiu para Genebra, na Suíça, onde divulgou sua doutrina, compilada na obra Instituição da religião cristã. Entre seus preceitos religiosos, destacam-se:
• a salvação não depende da fé ou das obras, mas o homem já nasce predestinado à salvação ou à condenação;
• a aceitação da Bíblia como única fonte da verdade;
• a exclusão do culto aos santos e às imagens;
• o combate ao celibato clerical e à autoridade papal;
• a manutenção dos sacramentos do batismo e da eucaristia;
• a justificação da usura.
A doutrina calvinista teve grande aceitação entre os membros da camada burguesa, pois esse reformador valorizava o trabalho e a riqueza.
O triunfo definitivo da doutrina calvinista deu-se quando o reformador assumiu o governo de Genebra (1541), onde estabeleceu uma rígida ditadura.

As Reformas Religiosas – Resumo (Parte 05/08)

Selo de Lutero

O avanço do Luteranismo

A doutrina luterana estendeu-se com bastante rapidez por toda a Alemanha. Muitos príncipes e nobres, interessados nas terras da Igreja, aderiram ao luteranismo. Também camponeses se tornaram luteranos e se revoltaram. Foi tal o avanço do luteranismo, que o imperador Carlos V convocou, em 1529, uma nova Assembléia, desta vez na cidade de Spira, que reconheceu a nova religião, mas proibiu a sua propagação. Foi por causa do protesto dos partidários de Lutero contra essa proibição que os reformistas passaram a ser chamados de protestantes.
Em 1530, Filipe Melanchton fez uma exposição da doutrina luterana, conhecida como a Confissão de Augsburgo. Um ano depois, os príncipes luteranos uniram-se contra o imperador Carlos V, formando a Liga de Smalkade. Esse conflito somente foi resolvido em 1555, com a assinatura da Paz de Augsburgo. Ela representou o triunfo da nova corrente religiosa, pois se estabeleceu que cada príncipe determinaria a religião de sua região e, consequentemente, de seus súditos.
O Luteranismo atingiu uma vasta área do Sacro Império Romano-germânico. A Reforma teve aceitação em vários países. Atingiu a França e os Países Baixos, onde os adeptos eram chamados de huguenotes, na Inglaterra, de puritanos, e na Escócia, de presbiterianos. O anglicanismo limitou-se à Inglaterra.

As Reformas Religiosas – Resumo (Parte 04/08)


O pensamento Religioso de Lutero

As principais teses que Martinho Lutero defendia eram:
• Justificação pela fé: apenas a fé em Deus assegurava a salvação do homem. É o ponto básico da doutrina Luterana.
• Reconhecimento de apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia - na eucaristia, Lutero negava a transubstanciação (mudança do pão e do vinho em carne e sangue de Cristo), mas aceitava a consubstanciação (presença de Jesus no pão e no vinho).
• Livre exame da Bíblia ou Livre interpretação da Bíblia - considerada a única fonte da revelação.
• Lutero negava a hierarquia clerical, o celibato do clero e a infalibilidade do papa. Defendia a simplificação do ritual religioso, o não-uso de imagens, a secularização dos bens eclesiásticos e a substituição do latim Pelo alemão nos cultos.

As Reformas Religiosas – Resumo (Parte 03/08)


A Reforma Luterana

Na Alemanha, o líder do movimento reformista foi o monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546). De origem humilde, fez os estudos universitários e foi professor de teologia na Universidade de Wittenberg.
Nessa época, a Alemanha estava dividida em vários Estados, que faziam parte do Sacro Império Romano-germânico. Essa fragmentação política colaborava para que o poder da Igreja fosse muito grande nessa região. O Sacro Império vivia uma situação econômica difícil. A agricultura apresentava ainda características feudais, e a Igreja detinha a propriedade de um terço das terras.
O interesse dos príncipes em confiscar os bens da Igreja, os abusos e a corrupção do clero e a reação dos camponeses, que eram explorados pelos senhores, foram fatores que provocaram a Reforma na Alemanha.
A ação reformista de Lutero foi motivada pela venda de indulgências na Alemanha, autorizada pelo papa Leão X. O sumo pontífice esperava obter fundos para terminar a construção da nova Basílica de São Pedro.
Em 1517, Lutero afixou nas portas da Catedral de Wittenberg 95 teses, condenando muitas das ações da Igreja e fazendo um apelo para que ela se reformasse. Essas teses foram escritas em latim, mas, logo depois, traduzidas para o alemão, espalharam-se pela Alemanha.
O papa Leão X, em 1520, excomungou Lutero, que queimou a bula de excomunhão em praça pública. Para que se retratasse, o imperador Carlos V convocou uma Dieta (assembléia com os representantes dos Estados alemães), em Worms, mas Lutero manteve-se firme em sua posição. Ameaçado de morte, refugiou-se no castelo do Duque da Saxônia, onde traduziu a Bíblia para o alemão. A partir desse momento, estruturou toda a sua doutrina.

As Reformas Religiosas – Resumo (Parte 02/08)


Os primeiros reformistas

Vários líderes surgiram nessa época reivindicando mudanças na Igreja Católica. Eles são considerados os primeiros reformadores.
• John Wyclif — professor da Universidade de Oxford pregou o confisco dos bens da Igreja. Considerava que a Bíblia era a única fonte de verdade e que deveria ser interpretada Livremente pelos fiéis. Defendeu a diminuição da importância do clero e propunha a simplificação da missa. Suas idéias foram consideradas heréticas e ele foi excomungado.
• Jan Huss — professor da Universidade de Praga manteve posição semelhante à de Wyclif. Criticava os excessos do clero e a hierarquia da Igreja. Defendia que os cultos deveriam ser feitos na língua nacional do país, para que os fiéis pudessem entendê-los e deles participar. Porém, foi preso e condenado à morte na fogueira.

As Reformas Religiosas – Resumo (Parte 01/08)


No século XVI, a Igreja Católica viu-se ameaçada por movimentos separatistas que levaram boa parte da população européia a abandonar o catolicismo. A essa ruptura da unidade religiosa dá-se o nome de Reforma ou Reforma Protestante. Ela foi iniciada na Alemanha, por Martinho Lutero.
A Reforma foi um movimento de caráter religioso, político e econômico, fruto das novas condições que caracterizaram a época moderna. A Igreja Católica atravessava uma situação de crise em sua organização. Durante longos períodos dos séculos XV e XVI, os papas se preocupavam mais com as coisas materiais do que com os problemas religiosos. Inclusive, intervinham em questões políticas dos países.
Além disso, havia o despreparo de muitos clérigos, que tinham conseguido seus cargos de maneira irregular, o afastamento dos bispos de suas dioceses, o não-cumprimento do voto de castidade por parte de vários sacerdotes e a venda de relíquias religiosas falsas e de indulgências.
Uma indulgência é o perdão, em parte ou na totalidade, do castigo temporal do pecado. Inicialmente, esse perdão era conseguido por meio de ações caridosas, preces e participação nas lutas para combater os infiéis. Mas a Igreja, pretendendo angariar dinheiro, passou a vender indulgências por vultosas quantias.
Durante toda a Idade Média, a Igreja Católica foi a única instituição centralizada e que controlava a sociedade européia, mantendo-a unida pelo pensamento cristão. Porém, o desenvolvimento do comércio, o renascimento da vida urbana, a centralização política e o fortalecimento do poder dos reis, além do humanismo, alteraram essa situação. Muitos governantes não mais admitiam a interferência do papa nos negócios do Estado. A burguesia não aceitava a condenação da usura pregada pela Igreja. Havia também o desejo de muitos príncipes e reis de se apossarem das terras e riquezas da Igreja e o ressentimento contra os tributos impostos pelos papas.

Fonte: Caderno do Futuro. IBEP.

Amarcord - [1973] - 127 min.



Através dos olhos de Titta (Bruno Zanin), um garoto impressionável, o diretor dá uma olhada na vida familiar, religião, educação e política dos anos 30, quando o fascismo era a ordem dominante. Entre os personagens estão o pai e a mãe de Titta, que estão constantemente batalhando para viver, além de um padre que escuta confissões só para dar asas à sua imaginação anti-convencional.

De amor e de sombras - [1994] - 109 min.



Irene é uma alienada repórter chilena que trabalha para uma revista de moda e mora com a mãe Beatriz, dona de um asilo. Apesar de sua profissão e de namorar um jovem militar, ela ignora a repressão política que domina seu país imposta pelo General Pinochet. Quem lhe abre os olhos para toda essa selvageria e violência, é Francisco, um fotógrafo de origem espanhola que luta contra o regime militar. Juntos, descobrem uma mina abandonada onde os militares escondem cadáveres. Agora, apaixonados e correndo perigo, eles terão que enfrentar uma arriscada fuga do país com um deles gravemente ferido.

Kedma - 94 min.


Faltando sete dias para a criação do Estado de Israel, em maio de 1948, um navio pequeno e enferrujado com um grupo de refugiados que sobreviveram ao campo de concentração de Soah é recebido no novo território em clima de hostilidade. As tropas britânicas tentam impedir o desembarque e apenas uma parte da tripulação consegue sair, vivendo as primeiras experiências na Palestina. Cansados e famintos, os imigrantes têm de se juntar às Forças Armadas de Israel para lutar contra os árabes. Verdades não ditas de ambos os lados explodem em um violento e trágico conflito.

O Leopardo - 205 min.


Sicília, durante o período do "Risorgimento", o conturbado processo de unificação italiana. O príncipe Don Fabrizio Salina (Burt Lancaster) testemunha a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia, lutando para manter seus valores em meio a fortes contradições políticas.

Paradise Now - [2005] - 90 min.


Amigos de infância, os palestinos Khaled (Ali Suliman) e Said (Kais Nashef) são recrutados para realizar um atentado suicida em Tel Aviv. Depois de passar com suas famílias o que teoricamente seria a última noite de suas vidas, sem poder revelar a sua missão, eles são levados à fronteira. A operação não ocorre como o planejado e eles acabam se separando. Distantes um do outro, com bombas escondidas em seus corpos, Khaled e Said devem enfrentar seus destinos e defender suas convicções.

Anaxágoras


Nasceu em Clazômene (hoje Kilizman), na atual Turquia, em 500 a. C., e se mudou para Atenas por razões desconhecidas. Entre seus alunos, encontravam-se Péricles, Tucídides, Eurípedes e, talvez, Demócrito e Sócrates.
Ensinou em Atenas durante cerca de trinta anos, até ser acusado de impiedade por sugerir que o Sol era uma massa de ferro candente e que a Lua, além de proceder da Terra, era uma rocha que refletia a luz do Sol.
Fugiu, então, para a Jônia, estabelecendo-se em Lâmpsaco (vizinha da atual cidade de Lapseki, na Turquia), onde, segundo alguns pesquisadores, deixou-se morrer de fome em 428 a. C. Para outros estudiosos, Anaxágoras formou ali uma escola que se tornou famosa, e que teria permitido ao filósofo ganhar estima e consideração.
Para Anaxágoras, tudo está em tudo, pois em cada coisa há uma partícula de todas as demais, o que permite explicar que a vida ocorra por meio de uma transformação permanente. Esses elementos ou partículas, o filósofo chamou de "homeomerias", sementes nas quais os germens das coisas não aparecem devido à sua extrema pequenez.
Anaxágoras também foi um dualista, pois acrescentou o "nous" - espírito ou inteligência - aos elementos físicos que compõem a realidade. O "nous" seria uma força de natureza imaterial capaz de ordenar as coisas - a causa motora e ordenadora que promove a separação dos elementos contidos no "magma" original.
Esse filósofo pré-socrático também teve a primazia de elaborar uma doutrina finalista do mundo, que seria ordenado segundo a melhor disposição para o homem, doutrina essa admitida e seguida por Platão (nos diálogos "Fédon", "Filebo" e "Timeu").
Em "Fédon", Platão escreve que, segundo Anaxágoras, o "nous" é o organizador e a causa de todas as coisas. As verdadeiras causas se encontrariam nessa "inteligência", sendo as demais, naturais e concretas, simples concausas ou causas secundárias. A idéia do "nous" também foi adotada por Aristóteles.
Anaxágoras também teria sido o primeiro a explicar o fenômeno dos eclipses solares.

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional

Theodor Adorno (1903-1969)

Theodor Adorno foi um dos expoentes da Escola de Frankfurt

"Nenhuma correção é demasiado pequena ou insignificante para que não se deva realizá-la", afirma Adorno sobre o ato de escrever em "Atrás do espelho" (fragmento de número 51).

De origem judaica, Theodor Wiesengrund Adorno foi um dos expoentes da chamada Escola de Frankfurt, que contribuiu para o renascimento intelectual da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. Estudou filosofia, sociologia, psicologia e música na Universidade de Frankfurt e, aos 22 anos, foi para Viena, Áustria, onde aprendeu a arte da composição com Alban Berg.
De volta à Alemanha, trabalhou no Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, então dirigido por Max Horkheimer, onde passou a elaborar a teoria de como o desenvolvimento estético é importante para a evolução histórica. Em 1934 foi obrigado a imigrar para a Inglaterra para fugir da perseguição nazista aos judeus e durante três anos ensinou filosofia em Oxford.
Mudou-se para os Estados Unidos e, entre 1938 e 1941, ocupou o cargo de diretor musical do setor de pesquisa da Rádio Princeton e, depois, o de vice-diretor do Projeto de Pesquisas sobre Discriminação Social da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Em 1953 retornou ao seu país natal, onde reassumiu seu posto no Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt. Escreveu, entre outros, Filosofia da Música Moderna (1949) e Filosofia Estética (publicado postumamente, em 1970).
Seus textos têm o poder do esclarecimento, de tornar compreensível a realidade, e permanecem atemporais. Theodor W. Adorno alcançou em seus escritos a rara qualidade de conceder à razão uma força crítica, procurando mostrar diferentes aspectos do real para conduzir o leitor a um novo patamar de análise e, portanto, de consciência.
De acordo com o filósofo, não há nada melhor no exercício da escrita do que manter, a cada idéia, a cada vocábulo, uma "insistência desconfiada". A atenção de quem escreve deveria voltar-se aos objetivos que pretende alcançar e, simultaneamente, à sua própria maneira de ver o real, tendo a humildade de reconhecer que "não é fácil distinguir sem maiores considerações entre a vontade de escrever de maneira densa e adequada à profundidade do objeto, a tentação de ser incomum e o desmazelo pretensioso". Para Adorno, a "força" e a "plenitude" da técnica de escrever "beneficiam-se precisamente dos pensamentos reprimidos".
Todo esse esforço não tem por finalidade apenas construir algo agradável, mas um conjunto de idéias relevantes e profundas: "(...) Quem não quer fazer concessão alguma à estupidez do senso comum, tem que se precaver para não enfeitar estilisticamente pensamentos em si mesmo banais."
Recomenda que o escritor deve ser tímido e deve aventurar-se, buscar a originalidade de seus pensamentos e da forma de expressá-los. Em um mundo degradado pelo poder econômico, no qual as ideologias exercem uma força sobre os homens e "a mentira soa como verdade e a verdade como mentira" (fragmento 71), o escritor não deve temer a constatação de que ele é um sobrevivente encurralado por forças que mercantilizam a cultura e todas as relações sociais.
Pelo fato de a inocência ter sido banida de todas as relações é que o bom texto deve preservar as qualidades de um mundo marcado pela lucidez e pela beleza. O gesto de escrever, de olharmos nossa própria imagem refletida nas palavras, não deve admitir qualquer concessão à facilidade, mesmo correndo o risco de nos tornarmos incompreendidos.
Para Adorno "o talento talvez nada mais seja do que a fúria sublimada de um modo feliz" (fragmento 72).