"Nada se espalha com maior rapidez do que um boato" (Virgílio)

Conhecimento, pensamento e lógica



Já que o pensamento é a manifestação do conhecimento, e que o conhecimento busca a verdade, é preciso estabelecer algumas regras para que essa meta possa ser atingida.
Assim, a lógica é o ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento do pensar. A aprendizagem da lógica não constitui um fim em si. Ela só tem sentido enquanto meio de garantir que nosso pensamento proceda corretamente a fim de chegar a conhecimentos verdadeiros. Podemos, então, dizer que a lógica trata dos argumentos, isto é, das conclusões a que chegamos através da apresentação de evidências que a sustentam.
O principal organizador da lógica clássica foi Aristóteles, com sua obra chamada Órganon. Ele divide a lógica em: formal e material. 


Exemplo:

O cobre é condutor de eletricidade, e a prata, e o ouro, e o ferro, e o zinco...
Logo, todo metal é condutor de eletricidade.
É importante que a enumeração de dados (que correspondem a tantas experiências feitas) seja suficiente para permitir a passagem do particular para o geral. Entretanto, a indução sempre supõe a probabilidade, isto é, já que tantos se comportam de tal forma, é muito provável que todos se comportem assim.
Em função desse "salto", há maior possibilidade de erro nos raciocínios indutivos, uma vez que basta encontrarmos uma exceção para invalidar a regra geral. Por outro lado, é esse mesmo "salto" em direção ao provável que torna possível a descoberta, a proposta de novos modos de compreender o mundo. Por isso, a indução é o tipo de raciocínio mais usado em ciências experimentais.
Outro tipo de raciocínio indutivo bastante utilizado é aquele que se desenvolve a partir do argumento de autoridade, uma vez que utilizar o testemunho de uma pessoa, instituição ou obra para sustentar uma conclusão é um modo válido de apresentar evidência. Nesse caso, a indução é justificada da seguinte forma: esta pessoa já emitiu vários juízos válidos a respeito do assunto em pauta, e podemos concluir que todos os seus juízos sobre o assunto são igualmente válidos.
Quando usamos livros, autores, enciclopédias ou especialistas para fundamentar nosso raciocínio, estamos invocando sua autoridade no assunto e, por isso, é muito importante citar nossas fontes, para que o leitor possa conferir se a ideia citada não foi deturpada.
A autoridade invocada precisa ser honesta, estar informada sobre o assunto considerado, e seu pronunciamento deve estar baseado em evidências objetivas que possam ser comprovadas por outras pessoas competentes. Nesse caso, a autoridade é digna de confiança e seu testemunho é evidência para a conclusão. O argumento será indutivamente correto.
Há, entretanto, muitos empregos incorretos desse tipo de argumento, dando lugar a falácias lógicas (contra a lógica formal) ou a falácias de falsa premissa (contra a lógica material).
• A autoridade pode ser erroneamente citada ou interpretada. Por exemplo, quando a afirmação é retirada de seu contexto original e aplicada em outro. Ou quando é feita uma generalização indevida, isto é, algo que é correto para um grupo restrito de elementos é generalizado para toda a espécie. Neste caso, temos a falácia de falsa premissa.
• A autoridade é popular mas não tem competência para opinar sobre o assunto. Neste caso, o apelo utilizado é meramente emocional, uma vez que nenhuma evidência lógica é oferecida. Transfere-se o prestígio da autoridade para a conclusão. É um tipo de argumento incorreto frequentemente usado em propaganda.
• A autoridade, reconhecida por sua contribuição em um determinado campo, opina sobre assuntos que não estão dentro de sua área de competência e, portanto, seu testemunho não é confiável. Tanto o anterior quanto este são exemplos de falácia lógica.
Assim, é preciso que tomemos grande cuidado ao sustentar nossas conclusões sobre o argumento de autoridade, pois a confiabilidade de nossa indução dependerá, em grande parte, da confiabilidade da autoridade utilizada.

Fonte:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. São Paulo, Moderna, 2000 (edição digital).


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