"Nada se espalha com maior rapidez do que um boato" (Virgílio)

A Revolta de Felipe dos Santos

Extrato do mapa de 1766, feito por Cláudio Manuel da Costa,
mostrando Vila Rica e seus arredores, palco dos acontecimentos da Revolta.

Revolta ocorrida na região das Minas Gerais contra as leis e impostos cobrados por Portugal sobre as regiões mineradoras.
A Revolta de Felipe dos Santos, também é conhecida como Revolta de Vila Rica.
Com o inicio da extração das Minas de Ouro do Brasil, Portugal criou órgãos responsáveis pelas leis a serem respeitadas nas regiões auríferas. Um desses órgãos foi a Intendências das Minas.
Era proibido a circulação de ouro em pó ou em pedras. Quem fosse pego comercializando com ouro deste tipo sofreria punições previstas por lei. Devida a estas medidas o comércio na região mineira foi profundamente afetado.
Em 1717 chega ao Brasil o Português Pedro Miguel de Almeida, O Conde de Assumar, nomeado governador das Minas do Brasil. Para combater o contrabando e sonegação de ouro, Assumar aperfeiçoou o sistema de cobrança de tributos ao criar as Casas de Fundição.
Todo ouro extraído deveria ser levado imediatamente a essas casas onde seria retirado para o governo 20% do mineral (conhecido como o quinto real). O restante do ouro seria transformado em barras seladas com o brasão real português e só depois entregue ao minerador.
Foram instaladas 04 (quatro) casas de fundição que foram situadas em Vila Rica, Nossa Senhora de Conceição do Carmo, São João do Rei e Vila do Príncipe.
Os mineradores tinham que percorrer longas distâncias até chegarem às casas de fundição e muitas vezes eram roubados por ladrões.
Revoltados com a cobrança de impostos, cerca de 2 mil mineradores se rebelaram em 1 de Julho de 1720. Na rebelião que ficou conhecida como Revolta de Vila Rica, Filipe dos Santos, rico tropeiro, passou a ser a voz do movimento e foi visto como principal líder.
O Exército de mineradores saiu de Vila Rica em direção a Vila de Nossa Senhora de Conceição do Carmo, sede do governo minerador. Felipe dos Santos em nome do movimento exigiu a extinção das Casas de Fundição e o fim da cobrança dos altos impostos, almejando ainda a Independência da região mineradora.
O Conde Assumar amedrontado com o grande número de mineradores fingiu acatar as reivindicações pedidas por eles. Com o passar de alguns dias, já acalmado os ânimos e com a dissipação dos rebeldes, Assumar inicia repreensão ao movimento.
O Exército Português saiu às ruas a caça dos lideres da revolta. Os que foram capturados desfilaram acorrentados pelas ruas da cidade e levados ao cárcere de Portugal.
A Felipe dos Santos foi reservado penosa sentença. No dia 16 de Julho do mesmo ano numa cerimônia feita em Praça Pública, Felipe dos Santos foi enforcado e depois teve seu corpo arrastado pelas ruas e em seguida esquartejado com suas partes exposto nos principais pontos da cidade.
Pelo fato de Felipe dos Santos ter se tornado mártir do movimento, a Revolta de Vila Rica ficou também conhecida como a Revolta de Felipe dos Santos.
As autoridades portuguesas queriam com isso intimidar a população. Queria que a pena aplicada a Felipe dos Santos servisse de exemplo a qualquer um que conspirasse contra o Governo.
Após contornar a situação Portugal decidiu separar a Capitania das Minas em duas, visando melhorar a administração. Foram criadas a Capitania de São Paulo e a Capitania das Minas Gerais.

A Guerra dos Emboabas

Pintura representando a Guerra dos Emboabas

A partir de meados do século XVII, o açúcar (atividade predominante da colônia) sofreu uma forte concorrência e isso fez com que a Coroa portuguesa estimulasse novamente a descoberta de metais.
Os paulistas foram os principais exploradores e conheciam bem o sertão. Em 1674, Fernão Dias Pais, descobriu o caminho para o interior de Minas e alguns anos depois, Bartolomeu Bueno da Silva abriu passagem para Goiás e Mato Grosso.
A corrida do ouro começou de fato, em 1698 quando Antônio Dias de Oliveira descobriu as minas de Ouro Preto.
A notícia correu o país inteiro fazendo com que muitos aventureiros que buscavam um rápido enriquecimento fossem para a região das minas. A boa-nova também chegou a Portugal e de lá, chegavam mais de 10 mil pessoas a cada ano durante um período de 60 anos.
A população das minas era bastante heterogênea e dividida em dois grupos rivais: paulistas (que queriam o direito de explorar as minas de ouro, pois descobriram o lugar) e emboabas (forasteiros).
O nome “Emboabas” significa em Tupi “Pássaro de Pés Emplumados”, e é uma ironia aos forasteiros que usavam botas; enquanto que os paulistas andavam descalços.
Nesse tempo, a população paulista era composta de mamelucos e índios que falavam mais a língua tupi do que o português propriamente dito.
Alguns poucos emboabas controlavam o comércio que abastecia as minas, e em razão disso, obtinham muito lucro. Por causa da sua riqueza e a dada a importância da atividade que exerciam, passaram a ter grande influência. O português Manuel Nunes Viana era um desses ricos comerciantes e principal líder dos emboabas, além de ser também dono de fazendas de gado.
A disputa pelas jazidas e vários outros desentendimentos deram origem a Guerra dos Emboabas.
Para combater o contrabando do ouro, a Coroa proibiu o comércio (exceto o de gado) entre Bahia e Minas; porém, ele continuou sob a liderança de Nunes Viana. Borba Gato (guarda-mor das minas, logo um representante do poder real e líder dos paulistas) decidiu expulsá-lo das minas, mas Nunes não foi embora e recebeu apoio dos emboabas.
Após serem expulsos do lugar pelos emboabas, os paulistas (que constituíam a minoria) foram embora, mas um grupo deles (a maioria índios) foi cercado pelos emboabas que prometeram deixá-los vivos caso entregassem as armas. Os paulistas aceitaram o acordo, mas foram enganados e massacrados em um local que ficou conhecido como Capão da Traição.
Expulsos das minas, os paulistas descobriram novas jazidas em Goiás e Mato Grosso.
Nunes Viana foi obrigado pelo governador do Rio de Janeiro a deixar Minas e acabou se retirando para sua fazenda no rio São Francisco.
Como conseqüência dessa guerra, foi criada em 1709, a capitania de São Paulo e Minas de Ouro (ex-capitania de São Vicente, agora rebatizada). Em 1720, a capitania de Minas foi separada de São Paulo, formando duas capitanias diferentes: a de São Paulo e a de Minas Gerais.

Fonte: Portal InfoEscola

A Revolta de Beckman (Parte 03/03)

Catequese indígena

A repressão ao movimento

A Metrópole Portuguesa reagiu, enviando um novo Governador para o Estado do Maranhão, Gomes Freire de Andrade. Ao desembarcar em São Luís, em 15 de maio de 1685, à frente de efetivos militares portugueses, este oficial não encontrou resistência.
Neste ano de revolta, o movimento tivera várias defecções entre seus entusiastas: eram os descontentes, arrependidos, os moderados e os que temiam as mudanças. À chegada de Gomes Freire não se opusera Manuel: tencionava libertar o irmão Tomás. Os emissários do novo governante logo tomaram conhecimento do estado das coisas. Os mais comprometidos com a revolta deliberaram pela fuga, enquanto Beckman permaneceu.
Gomes Freire, então, restabeleceu as autoridades depostas, ordenando a detenção e o julgamento dos envolvidos no movimento, assim como o confisco de suas propriedades. Expediu ordem de prisão contra Manuel Beckman, que fugira, oferecendo por sua captura o cargo de Capitão dos Ordenanças. Lázaro de Melo, afilhado e protegido de Manuel, trai o padrinho e entrega-o preso, obtendo a cobiçada recompensa. Entretanto, empossado, os seus comandados repudiaram-lhe o gesto vil, recusando-se a obedecer-lhe as ordens. Queixando-se disto ao governador, afirma-se que Gomes Freire teria lhe respondido que prometera o cargo, não o respeito dos comandados.
Apontados como líderes, Manuel Beckman e Jorge de Sampaio receberam como sentença a morte pela forca. Os demais envolvidos foram condenados à prisão perpétua. Manuel Beckman e Jorge Sampaio foram enforcados a 2 de novembro de 1685 (10 de novembro, segundo outras fontes). A última declaração de Manuel foi: "Morro feliz pelo povo do Maranhão!". Tendo os seus bens ido a hasta pública, Gomes Freire arrematou-os todos e devolveu-os à viúva e filhas do revoltoso.

Consequências

A situação de pobreza da população do Estado do Maranhão perdurou no decorrer das primeiras décadas do século XVIII.
Na segunda metade desse século a administração do Marquês de Pombal (1750-1777) tentou encaminhar soluções para as graves questões da região. A administração pombalina, dentro da política reformista adotada, criou, entre outras medidas, a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão.
Aproveitando-se oportunamente de situações externas favoráveis - a Revolução Industrial que ocorria na Inglaterra e a Guerra da independência das treze Colônias inglesas na América - a Companhia, em meados do século XVIII, estimulou o plantio do algodão no Maranhão, financiando esta atividade. A exportação do produto cresceu significativamente naquele contexto. Entretanto, quando a Inglaterra reatou relações com a sua antiga Colônia, a produção maranhense entrou em declínio.
Estas situações, entre outras dificuldades, levaram à extinção do Estado do Maranhão em 9 de julho de 1774. As suas antigas capitanias ficaram subordinadas ao Vice-rei do Brasil, com sede no Rio de Janeiro.
Ao mesmo tempo, a expulsão dos Jesuítas, promovida por Pombal, fez desorganizar a atividade da coleta das drogas do sertão na Amazônia.

A Revolta de Beckman (Parte 02/03)


Eclosão da revolta

Após alguns meses de preparação, Aproveitando a ausência do Governador Francisco de Sá de Meneses, em visita a Belém do Pará, a revolta eclodiu na noite de 24 de fevereiro de 1684, durante as festividades de Nosso Senhor dos Passos.
Sob a liderança dos irmãos Manuel e Tomás Beckman, senhores de engenho na região, e de Jorge de Sampaio de Carvalho, com a adesão de outros proprietários e de comerciantes que eram insatisfeitos com o governo, um grupo de sessenta a oitenta homens mobilizou-se para a ação, assaltando os armazéns da Companhia.
Já nas primeiras horas do dia seguinte os sediciosos tomaram o Corpo da Guarda em São Luís, integrado por um oficial e cinco soldados. Partiram dali, com outros moradores arregimentados no trajeto, para a residência do Capitão-mor Baltasar Fernandes, que clamava por socorro, sem sucesso. Registra o historiador maranhense João Francisco Lisboa que "Beckman intimou-lhe a voz de prisão e suspensão do cargo, acrescentando, como que por mofa, que para tornar-lhe aquela mais suave o deixava em casa entregue à guarda da sua própria mulher, com obrigações de fiel carcereira. Baltasar Fernandes gritou que preferia a morte a tal afronta intolerável para um soldado; mas a multidão, sem fazer cabedal dos seus vãos clamores, tomou dali para o Colégio dos Padres, a quem deixaram presos e incomunicáveis com guardas à vista."
Posteriormente à ocupação do Colégio dos Jesuítas, foram expulsos do Maranhão os vinte e sete religiosos ali encontrados.

A Junta Revolucionária

A 25 de fevereiro a revolta estava consolidada, organizando-se na Câmara Municipal, uma Junta Geral de Governo, composta por seis membros, sendo dois representantes de cada segmento social - latifundiários, clero e comerciantes. Para legitimá-la, foi celebrado um Te Deum. As principais deliberações desta Junta foram:
• a deposição do Capitão-mor;
• a deposição do Governador;
• a abolição do estanco;
• a extinção da Companhia de Comércio;
• a expulsão dos Jesuítas.
A Junta enviou emissários a Belém do Pará, onde se encontrava o Governador deposto do Maranhão, objetivando a adesão dos colonos dali. O Governador recebeu-os, prometendo-lhes abolir a Companhia do Comércio, anistiar a todos os envolvidos, e ainda honras, cargos e verbas (4 mil cruzados) caso os revoltosos depusessem as armas. A proposta foi recusada.
Do mesmo modo, a Junta enviou Tomás Beckman como emissário à Corte em Lisboa, visando convencer as autoridades metropolitanas que o movimento era procedente e justo. Sem sucesso, recebeu voz de prisão no Reino e foi trazido preso de volta ao Maranhão, para ser julgado com os demais revoltosos.E isso demonstra o modo de vida da época.

A Revolta de Beckman (Parte 01/03)

Manuel Beckman (1684)

A Revolta de Beckman, também Revolta dos Irmãos Beckman ou Revolta de Bequimão, ocorreu no então Estado do Maranhão, em 1684. É tradicionalmente considerada como um movimento nativista pela historiografia em História do Brasil.
O sobrenome Beckman, de origem germânica, também é grafado em sua forma aportuguesada, Bequimão.

Antecedentes

O Estado do Maranhão foi criado à época da Dinastia Filipina, em 1621, compreendendo os atuais territórios do Maranhão, Ceará, Piauí, Pará e Amazonas. Essa região subordinava-se, desse modo, diretamente à Coroa Portuguesa. Entre as suas atividades econômicas destacavam-se a lavoura de cana e a produção de açúcar, o cultivo de tabaco, a pecuária (para exportação de couros) e a coleta de cacau. A maior parte da população vivia em condições de extrema pobreza, sobrevivendo da coleta, da pesca e praticando uma agricultura de subsistência. Desde meados do século XVII, o Estado do Maranhão enfrentava séria crise econômica, pois desde a expulsão dos Holandeses da Região Nordeste do Brasil, a empresa açucareira regional não tinha condições de arcar com os altos custos de importação de escravos africanos. Neste contexto, teve importância a ação do padre Antônio Vieira (1608-1697) que, na década de 1650, como Superior das Missões Jesuíticas no Estado do Maranhão, implantou as bases da ação missionária na região: pregação, batismo e educação, nos moldes da cultura portuguesa e das regras estabelecidas pelo Concílio de Trento (1545-1563).
Posteriormente, pela lei de 1º de abril de 1680 a Coroa determinava a abolição da escravidão indígena, sem qualquer exceção, delimitando, mais adiante, as respectivas áreas de atuação das diversas ordens religiosas.
Para contornar a questão de mão-de-obra, os senhores de engenho locais organizaram tropas para invadir os aldeamentos organizados pelos Jesuítas e capturar indígenas como escravos. Estes indígenas, evangelizados, constituíam a mão-de-obra utilizada pelos religiosos na atividade de coleta das chamadas drogas do sertão. Diante das agressões, a Companhia de Jesus recorreu à Coroa, que interveio e proibiu a escravização do indígena, uma vez que esta não trazia lucros para a Metrópole.
Para solucionar esta questão, a Coroa instituiu a Companhia do Comércio do Maranhão (1682), em moldes semelhantes ao da Companhia Geral do Comércio do Brasil (1649). Pelo Regimento, a nova Companhia deteria o estanco (monopólio) de todo o comércio do Maranhão por um período de vinte anos, com a obrigação de introduzir dez mil escravos africanos (à razão de quinhentos indivíduos por ano), comercializando-os a prazo, a preços tabelados. Além do fornecimento destes escravos, deveria fornecer tecidos manufaturados e outros gêneros europeus necessários à população local, como por exemplo o bacalhau, os vinhos, e a farinha de trigo. Em contrapartida, deveria enviar anualmente a Lisboa pelo menos um navio do Maranhão e outro do Grão-Pará, com produtos locais. O cacau, a baunilha, o pau-cravo e o tabaco, produzidos na região, seriam vendidos exclusivamente à Companhia, por preços tabelados. Para obtenção da farinha de mandioca necessária à alimentação dos africanos escravizados, era permitido à Companhia recorrer à mão-de-obra indígena, remunerando-a de acordo com a legislação em vigor. Graças à intercessão do Governador Francisco de Sá de Meneses, apenas os jesuítas e franciscanos ficaram livres do monopólio exercido pela Companhia.
Sem conseguir cumprir adequadamente os compromissos, a operação da Companhia agravou a crise econômica e fez crescer o descontentamento na região:
• os comerciantes locais sentiam-se prejudicados pelo monopólio da Companhia;
• os grandes proprietários rurais entendiam que os preços oferecidos pelos seus produtos eram insuficientes;
• os apresadores de indígenas, contrariados em seus interesses, reclamavam da aplicação das leis que proibiam a escravidão dos nativos;
• a população em geral, protestava contra a irregularidade do abastecimento dos gêneros e os elevados preços dos produtos.
A Companhia passou a ser objeto de acusações de não fornecer anualmente o número de escravos estipulado pelo Regimento, de usar pesos e medidas falsificados, de comercializar gêneros alimentícios deteriorados e de praticar preços exorbitantes. Esses fatos, somados às isenções concedida aos religiosos conduziria a uma revolta.

Fonte: Wikipédia

A Terra não é redonda!


Uma animação divulgada pela agência espacial européia (ESA, na sigla em inglês) mostra pela primeira vez a variação da força da gravidade na Terra e como ela deforma o planeta. O modelo vai auxiliar na melhor compreensão sobre o comportamento do planeta, suas marés, e, talvez, ajudar a prever fenômenos como terremotos e vulcões.
Os dados foram obtidos pelo satélite GOCE, lançado em órbita há dois anos. As cores mais frias, puxando para o azul, indicam onde a gravidade é mais fraca. As mais quentes, variando do vermelho ao amarelo, onde ela é mais forte.
As imagens mostram com detalhes o chamado geoide, nome que os cientistas dão ao formato real do planeta, irregular e com a massa distribuída de maneira desigual. É possível também perceber detalhes da topografia do planeta, como a cordilheira dos Andes na América do Sul ou o formato dos continentes.
Os oceanos, por exemplo, estão retratados moldados apenas pela gravidade, sem a influência de correntes marítimas e marés. Segundo os cientistas, é uma referência essencial para medir a circulação de correntes, a mudança do nível do mar e da dinâmica do gelo, e das mudanças climáticas.
A melhor compreensão das variações do campo gravitacional vai levar também ao entendimento mais detalhado do interior da Terra, como a física e a dinâmica associada aos vulcões e terremotos, que marcam o campo gravitacional do planeta. Estas "assinaturas" gravitacionais poderiam ser usadas para o estudo dos processos que conduzem a estas catástrofes naturais e, finalmente, ajudar a prevê-los.

Satélite

O satélite GOCE (sigla para Explorador de Circulação Oceânica e Campos de Gravidade) foi lançado em março de 2009. Ele percorre o planeta na menor órbita atualmente para um satélite em operação, e mapeia diferenças quase imperceptíveis na força que a massa do planeta exerce em todas as pessoas e objetos.

Os filósofos da natureza (Parte 07/07)


UM POUCO DE TUDO EM TUDO - (Páginas 51-52.)

Outro filósofo que não se dava por satisfeito com a idéia de que determinado elemento básico – a água, por exemplo – podia se transformar em tudo o que vemos na natureza foi Anaxágoras (500-428 a.C.). Ele também não aceitava a idéia de que terra, ar, fogo ou água pudessem se transformar em ossos, pele ou cabelos.
Anaxágoras achava que a natureza era composta por uma infinidade de partículas minúsculas, invisíveis a olho nu. Tudo pode ser dividido em partes ainda menores, mas mesmo na menor das partes existe um pouco de tudo. Assim, se pele e cabelo não podem surgir de alguma outra coisa, então eles devem estar presentes também no leite que bebemos e nas comidas que comemos.
Dois exemplos atuais talvez nos mostrem o que Anaxágoras queria dizer. Hoje em dia, com a tecnologia do laser, podemos produzir os chamados hologramas. Se tomamos um holograma que representa um carro, por exemplo, e se este holograma é depois fragmentado, ainda assim continuaremos a ver a imagem do carro inteiro, mesmo que tenhamos na mão apenas a parte do holograma que antes mostrava o pára-choques. Isto porque todo o carro está presente em cada uma das minúsculas partes.
De certa forma, nosso corpo também é construído dessa forma. Se retiro uma célula da pele de meu dedo, o núcleo desta célula contém não apenas a descrição da minha pele. Na mesma célula estão também a descrição dos meus olhos, da cor da minha pele, do número e do formato dos meus dedos, etc. Em cada uma das células existe uma descrição detalhada da estrutura de todas as outras células do meu corpo. Em cada uma das células existe, portanto, “um pouco de tudo”. O todo está também na menor das partes.
Anaxágoras chamava estas partes minúsculas que traziam em si um pouco de tudo, de “sementes” ou “germens”.
Ainda nos lembramos de que Empédocles achava que o amor unia as partes para formar o todo. Anaxágoras também imaginou um tipo de força que seria responsável, por assim dizer, pela ordem e pela criação de homens, animais, flores e árvores. A esta força ele deu o nome de inteligência.
O que há de interessante ainda sobre Anaxágoras é o fato de ele ter sido o primeiro filósofo de Atenas, cuja vida conhecemos em parte. Natural da Ásia Menor, aos quarenta anos aproximadamente ele se mudou para Atenas. Ali foi acusado de ateísmo e teve que deixar novamente a cidade. Dentre outras coisas, ele disse que o Sol não era um deus, mas uma massa incandescente, maior do que a península do Peloponeso.
Anaxágoras interessava-se muito por astronomia. Ele acreditava que todos os corpos celestes eram feitos da mesma matéria que compunha a Terra. E chegou a esta convicção depois de ter examinado um meteorito. Por isto seria de se pensar que em outros planetas houvesse vida, dizia ele. Além disso, Anaxágoras explicou que a Lua não possuía luz própria, mas que tirava seu brilho da Terra. Finalmente, ele explicou como surgiam os eclipses.

Os filósofos da natureza (Parte 06/07)


QUATRO ELEMENTOS BÁSICOS - (Páginas 48-51)

Sob certo aspecto, Parmênides e Heráclito pensavam de maneira totalmente oposta. A razão de Parmênides deixava claro que nada pode mudar. Mas as experiências sensoriais de Heráclito deixavam igualmente claro que a natureza está em constante transformação. Qual dos dois tinha razão? Será que devemos confiar no que nos diz a razão, ou será que devemos confiar nos sentidos?
Tanto Parmênides quanto Heráclito fazem duas afirmações:
Parmênides diz:
a) que nada pode mudar
e
b) que, por isso mesmo, as impressões dos sentidos não são dignas de confiança.

Heráclito, ao contrário, afirma:
a) que tudo se transforma (“tudo flui”)
e
b) que as impressões dos sentidos são confiáveis.

Desacordo maior não poderia haver entre dois filósofos! Mas qual dos dois tinha razão? Fica a cargo de Empédocles (c. 494-434 a.C.) apontar o caminho que tiraria a filosofia do impasse a que ela tinha chegado. Ele achava que tanto Parmênides quanto Heráclito tinham razão numa de suas afirmações, mas estavam totalmente enganados quanto à outra.
Para Empédocles, a grande discordância estava no fato de que ambos os filósofos tinham assumido como ponto de partida o fato quase inquestionável de que haveria apenas um elemento básico. Se isto fosse verdade, o abismo entre o que a razão nos diz e o que nossos sentidos percebem seria intransponível.
Naturalmente, a água não pode se transformar num peixe ou numa borboleta. A água em si não pode se transformar. Água pura será água pura por toda a eternidade. Sob este aspecto, Parmênides tinha razão quando afirmava que nada se transformava. Ao mesmo tempo, Empédocles concordava com Heráclito quando este dizia que devemos confiar no que dizem os nossos sentidos. Precisamos acreditar no que vemos, e o que vemos é justamente o fato de que a natureza está em constante transformação.
Empédocles chegou à conclusão de que a noção de um único elemento primordial tinha que ser refutada. Nem a água nem o ar, sozinhos, podiam se transformar num buquê de rosas ou numa borboleta. Para a natureza, portanto, seria impossível produzir alguma coisa a partir de um único elemento básico.
Empédocles acreditava que a natureza possuía ao todo quatro elementos básicos, também chamados por ele de “raízes”. Estes quatro elementos eram a terra, o ar, o fogo e a água.
Todas as transformações da natureza seriam resultado da combinação desses quatro elementos, que, depois, novamente se separavam um do outro. Pois tudo consiste em terra, ar, fogo e água, só que em diferentes proporções de mistura. Quando uma flor ou um animal morrem, esses quatro elementos voltam a se separar. Essas transformações podem ser percebidas a olho nu. No entanto, terra, ar, fogo e água continuam a ser o que são, inalterados, incólumes, independentes de todas as misturas de que façam parte. Não é certo, portanto, afirmar que “tudo” muda. Basicamente, nada se altera. O que acontece é que esses quatro elementos diferentes simplesmente se combinam e depois voltam a se separar para então se combinarem novamente.
Talvez possamos fazer aqui uma comparação com o trabalho de um pintor. Se ele tiver à sua disposição apenas uma cor – o vermelho, por exemplo -, não poderá pintar árvores verdes. Mas se ele tiver amarelo, vermelho, azul e preto, então poderá criar centenas de cores diferentes, porque poderá combinar as cores em diferentes proporções.
Um exemplo do que ocorre na cozinha nos mostra a mesma coisa. Se eu tiver apenas farinha, terei de ser mágico para fazer dela um bolo. Mas se eu tiver ovos, farinha, leite e açúcar, poderei assar diferentes bolos a partir desses quatro elementos básicos.
E não é por acaso que Empédocles considerava precisamente a terra, o ar, o fogo e a água as “raízes” da natureza. Antes dele, outros filósofos tinham tentado provar que o elemento básico teria de ser ou a água, ou o ar, ou ainda o fogo. Tales e Anaxímenes tinham enfatizado a importância da água e do ar como elementos da natureza. Os gregos também consideravam o fogo muito importante. Eles viam, por exemplo, a importância do Sol para todas as formas de vida na natureza e é claro que também sabiam do calor do corpo de homens e animais.
Talvez Empédocles tenha visto um pedaço de madeira queimando. Quando isto ocorre, alguma coisa se desintegra. Podemos ouvir a madeira estalar e crepitar. É a água. Alguma coisa vira fumaça. É o ar. O fogo é o que não vemos. E quando as chamas se apagam, sobra alguma coisa. São as cinzas, ou a terra.
Depois que Empédocles mostrou que as transformações da natureza surgem da combinação de quatro “raízes” que depois se separam, uma questão continuou em aberto: o que faz com que os elementos se combinem para dar origem a uma nova vida? E o que é responsável pelo fato de uma mistura – uma flor, por exemplo – voltar a se desintegrar?
Empédocles dizia que na natureza atuavam duas forças, por ele chamadas de amor e de disputa. O que une as coisas é o amor; o que as separa é a disputa.
Empédocles diferencia, portanto, elemento e força. Vale a pena gravar isto na memória. Até hoje a ciência estabelece uma diferença entre elemento básico e forças naturais. A ciência moderna acredita poder explicar todos os processos da natureza através de uma interação entre os diferentes elementos básicos e algumas poucas forças naturais.
Empédocles também refletiu um pouco sobre a questão de saber o que ocorre quando percebemos alguma coisa. Como posso “ver” uma flor, por exemplo? O que acontece neste caso? Você já pensou nisso, Sofia? Se não pensou, está aí uma boa oportunidade para fazê-lo.
Empédocles acreditava que, como todas as outras coisas da natureza, também nossos olhos são compostos de terra, ar, fogo e água. Assim, a terra contida em meus olhos perceberia o componente terra no objeto visto; o ar, o componente ar; o fogo, o componente fogo; e a água, o componente água. Se faltasse aos olhos um desses elementos, eu não poderia enxergar a natureza em sua totalidade.

Os filósofos da natureza (Parte 05/07)


TUDO FLUI - (Páginas 47-48.)

Na mesma época de Parmênides viveu Heráclito (c. 540-480 a.C.) de Éfeso, na Ásia Menor. Para ele, as constantes transformações eram justamente a característica mais fundamental da natureza. Poderíamos talvez dizer que Heráclito, mais do que Parmênides, confiava no que os sentidos lhe diziam.
“Tudo flui”, dizia Heráclito. Tudo está em movimento e nada dura para sempre. Por esta razão, “não podemos entrar duas vezes no mesmo rio”. Isto porque quando entro pela segunda vez no rio, tanto eu quanto ele já estamos mudados.
Heráclito também nos chama a atenção para o fato de que o mundo está impregnado por constantes opostos. Se nunca ficássemos doentes, não saberíamos o que significa a saúde. Se não tivéssemos fome, não experimentaríamos a agradável sensação de saciá-la depois de uma refeição. Se nunca houvesse guerras, não saberíamos o valor da paz, e se nunca houvesse inverno, não poderíamos assistir à chegada da primavera.
Tanto o bem quanto o mal são necessários ao todo, dizia Heráclito. Sem a constante interação dos opostos o mundo deixaria de existir.
“Deus é dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, satisfação e fome”, dizia ele. Ele emprega nesta passagem a palavra “Deus”, mas é claro que com isto não se refere aos deuses de que falavam os mitos. Para Heráclito, Deus – ou o elemento divino – é algo que abrange o mundo inteiro. Para ele, Deus se manifesta na natureza em constante transformação e crivada de opostos.
No lugar da palavra “Deus” ele emprega com freqüência a palavra grega logos, que significa razão. Mesmo quando nós, homens, não pensamos da mesma forma ou não possuímos a mesma razão, deve haver – segundo Heráclito – uma espécie de “razão universal”, que dirige todos os fenômenos da natureza. Esta razão universal – ou “lei universal” – é a mesma para todos; é a partir dela que todos se orientam. E não obstante, a maioria das pessoas vive segundo sua própria razão, dizia Heráclito. Ele não considerava muito as pessoas que o cercavam. Para ele, a opinião da maioria delas não passava de “brincadeira de criança”.
Em todas as transformações e opostos da natureza Heráclito via, portanto, uma unidade, um todo. Esta “alguma coisa” que era subjacente a tudo ele chamava de “Deus” ou de “logos”.

Os filósofos da natureza (Parte 04/07)


NADA PODE SURGIR DO NADA - (Páginas 46-47)

Os três filósofos de Mileto acreditavam em uma – e só uma – substância primordial, a partir da qual tudo se originava. Mas como uma substância era capaz de subitamente se modificar e se transformar em algo completamente diferente? Vamos chamar este problema de o problema da transformação.
A partir de 500 a.C., aproximadamente, viveram na colônia grega de Eléia, no Sul da Itália, alguns filósofos. Esses “eleatas” interessavam-se por questões como esta que acabamos de mencionar. O mais conhecido entre eles foi Parmênides (c. 540-480 a.C.).
Parmênides acreditava que tudo o que existe sempre existiu. Este era um pensamento muito corrente entre os gregos, para quem era praticamente evidente que tudo o que existe no mundo sempre existiu. Nada pode surgir do nada, dizia Parmênides. E nada que existe pode se transformar em nada.
Mas Parmênides foi mais longe do que a maioria dos outros. Ele considerava totalmente impossível qualquer transformação real das coisas. Nada pode se transformar em algo diferente do que já é.
É claro que Parmênides sabia das constantes transformações que ocorrem na natureza. Mas ele não conseguia harmonizar isto com aquilo que sua razão lhe dizia. E quando era forçado a decidir se confiava nos sentidos ou na razão, decidia-se pela razão.
Todos nós conhecemos a frase “Só acredito vendo”. Mas Parmênides não acreditava nem quando via. Ele dizia que os sentidos nos fornecem uma visão enganosa do mundo; uma visão que não está em conformidade com o que nos diz a razão. Como filósofo, ele achava que sua tarefa consistia em desvendar todas as formas de “ilusão dos sentidos”.
Esta forte crença na razão humana é chamada de racionalismo. Um racionalista é aquele que tem grande confiança na razão humana enquanto fonte de conhecimento do mundo.

Os filósofos da natureza (Parte 03/07)


TRÊS FILÓSOFOS DE MILETO - (Páginas 45-46)

O primeiro filósofo de que temos notícia é Tales, da colônia grega de Mileto, na Ásia Menor. Tales foi um homem que viajou muito. Entre outras coisas, dizem que certa vez, no Egito, ele calculou a altura de uma pirâmide medindo a sombra da pirâmide no exato momento em que sua própria sombra tinha a mesma medida de sua altura. Dizem ainda que em 585 a.C. ele previu um eclipse solar.
Tales considerava a água a origem de todas as coisas. Não sabemos o que exatamente ele queria dizer com isto. Talvez ele quisesse dizer que toda forma de vida surge na água e a ela retorna quando se desfaz.
Quando esteve no Egito, certamente ele pôde observar como os campos inundados ficavam fecundos depois que as águas do Nilo retornavam ao seu delta. É possível que ele tenha observado também que, depois da chuva, apareciam rãs e minhocas.
Além disso, é muito provável que Tales tenha se perguntado como a água podia se transformar em gelo e em vapor, para depois voltar a ser água.
Segundo dizem, Tales teria afirmado que “todas as coisas estão cheias de deuses”. Também aqui só podemos tentar adivinhar o que ele queria dizer. Talvez ele tenha chegado à conclusão de que a terra escura era a origem de tudo, de flores e sementes até abelhas e baratas. E é possível, então, que ele tenha imaginado a terra cheia de pequenos e invisíveis “germens da vida”. De qualquer forma, é certo que com esta afirmação ele não estava pensando nos deuses de Homero.
O próximo filósofo de que temos notícia é Anaximandro, que também viveu em Mileto. Ele achava que nosso mundo era apenas um dos muitos mundos que surgem de alguma coisa e se dissolvem nesta alguma coisa que ele chamava de infinito. É difícil dizer o que ele entendia por infinito. Mas uma coisa é certa: ao contrário de Tales, Anaximandro não imaginou uma substância determinada. Talvez ele quisesse dizer que aquilo a partir do qual tudo surge é algo completamente diferente do que é criado. E como tudo que é criado é também finito, o que está antes e depois deste finito tem de ser infinito. É claro que, nesse sentido, a substância básica não podia ser algo tão trivial quanto a água.
Um terceiro filósofo de Mileto foi Anaxímenes (c. 550-526 a.C.). Para ele, o ar ou o sopro de ar era a substância básica de todas as coisas.
É claro que Anaxímenes conhecia a teoria da água de Tales. Mas de onde vinha a água? Para Anaxímenes, a água era o ar condensado. Podemos observar que, quando chove, o ar se comprime até virar água. Anaxímenes achava que se a água fosse ainda mais comprimida ela se transformaria em terra. Talvez ele tenha visto que depois do degelo aparecem a terra e a areia. Para ele, o fogo era o ar rarefeito. Na visão de Anaxímenes, portanto, terra, água e fogo surgiam do ar.
Da terra e da água até as plantas dos campos era só um pulinho. Talvez Anaxímenes acreditasse que a terra, o ar, o fogo e a água tivessem necessariamente que estar presentes para que a vida pudesse surgir. Mas o ponto de partida propriamente dito era o ar. Ele compartilhava, portanto, da opinião de Tales, segundo a qual uma substância básica subjazia a todas as transformações da natureza.

Os filósofos da natureza (Parte 02/07)


OS FILÓSOFOS DA NATUREZA - (Páginas 43-45.)

Os primeiros filósofos gregos são freqüentemente chamados de “filósofos da natureza”, porque se interessavam sobretudo pela natureza e pelos processos naturais.
Já tivemos oportunidade de nos perguntar de onde vêm todas as coisas. Hoje em dia muitas pessoas acreditam, umas mais, outras menos, que em algum momento tudo surgiu do nada. Este pensamento não era muito difundido entre os gregos. Por alguma razão, eles sempre partiam do fato de que sempre existiu “alguma coisa”.
A grande questão, portanto, não era saber como tudo surgiu do nada. O que instigava os gregos era saber como a água podia se transformar em peixes vivos, ou como a terra sem vida podia se transformar em árvores frondosas ou em flores multicoloridas. Tudo isto sem falar em como um bebê podia sair do corpo de sua mãe!
Os filósofos viam com seus próprios olhos que havia constantes transformações na natureza. Mas como estas transformações eram possíveis? Como uma substância podia se transformar em algo completamente diferente, numa forma de vida, por exemplo?
Os primeiros filósofos tinham uma coisa em comum: eles acreditavam que determinada substância básica estava por trás de todas essas transformações. Não é muito fácil explicar como eles chegaram a esta idéia. Sabemos apenas que ela se desenvolveu a partir da noção de que deveria haver uma substância básica, que fosse a causa oculta, por assim dizer, de todas as transformações da natureza.
Para nós, o mais interessante não é saber que respostas esses primeiros filósofos encontraram. O interessante é saber que perguntas eles fizeram e que tipo de resposta buscavam. Mais importante para nós é saber como, e não o que eles pensavam exatamente.
Sabemos que eles colocavam questões referentes às transformações que podiam observar na natureza, na tentativa de descobrir algumas leis naturais que fossem eternas. Eles queriam entender os fenômenos naturais, sem ter que para isto recorrer aos mitos. Interessava-lhes, sobretudo, tentar entender por si mesmos os processos naturais, por meio da observação da natureza. E isto era algo completamente diferente da tentativa de explicar raios e trovões, inverno e primavera por referência a acontecimentos no mundo dos deuses.
E assim a filosofia se libertou da religião. Podemos dizer que os filósofos da natureza deram os primeiros passos na direção de uma forma científica de pensar. E com isto deram o pontapé inicial para todas as ciências naturais, surgidas posteriormente.
A maior parte de tudo o que os filósofos da natureza disseram e escreveram ficou perdida para a posteridade. E a maior parte do pouco que sabemos está nos escritos de Aristóteles, que viveu duzentos anos depois dos primeiros filósofos. Mas Aristóteles apenas sintetiza os resultados a que tinham chegado os filósofos que viveram antes dele. Isto significa que nem sempre é possível sabermos como eles chegaram às suas conclusões. O que sabemos, porém, é suficiente para podermos afirmar que o projeto dos primeiros filósofos gregos englobava questões relacionadas à substância básica por detrás das transformações ocorridas na natureza.

Os filósofos da natureza (Parte 01/07)


O PROJETO DOS FILÓSOFOS - (Página 43.)

Aqui estamos nós novamente! É melhor a gente partir diretamente para a lição de hoje, sem desviar para coelhinhos brancos ou coisa parecida.
Vou contar para você, em linhas gerais, como as pessoas têm refletido sobre questões filosóficas desde a Antiguidade até os dias de hoje. E tudo isto seguindo a ordem dos acontecimentos.
Como a maioria dos filósofos viveu em outra época – e provavelmente também numa cultura completamente diferente da nossa -, vale a pena examinar o projeto de cada filósofo. Quero dizer com isto que precisamos tentar entender do que precisamente se ocuparam estes filósofos. Um filósofo pode se perguntar, por exemplo, como surgem as plantas e os animais. Outro pode querer descobrir se há um Deus ou se as plantas têm uma alma imortal.
Depois de termos definido qual é o projeto de determinado filósofo, será mais fácil acompanhar seu pensamento, pois nenhum filósofo pode se ocupar de todas as questões concernentes à filosofia.
Estou sempre falando de filósofos e de seus pensamentos, e isto tem uma razão de ser. É que também a história da filosofia está marcada pela atuação de homens. De fato, em toda a história da humanidade a mulher foi subjugada tanto como ser feminino quanto como ser pensante. E isto é ruim, pois desta forma se perderam muitas experiências importantes. Somente no nosso século [XX] é que as mulheres entram de fato para a história da filosofia.
Não vou passar lição de casa. Quer dizer, aqui você não vai ter que resolver complicadas tarefas de matemática. De vez em quando, porém, vou pedir a você um pequeno exercício.
Se você está de acordo com estas condições, podemos começar.

Extratos da obra de GAARDER, Jostein.
O Mundo de Sofia. Romance da História da Filosofia.
São Paulo: Cia das Letras, 1996

Absoluto


Absoluto - realidade última, concebida como um princípio único, que abrange tudo. Alguns pensadores identificaram-no com Deus; outros não acreditaram nisso. O filósofo mais intimamente associado à idéia é Hegel.

Pedro Abelardo


Pedro Abelardo (1079-1142). Filósofo medieval francês destacou-se, sobretudo nos campos da lógica e da teologia. É autor de diversos tratados de lógica, dentre os quais a Dialectiva e a Lógica " ingredientihus ", de grande influência em sua época.
Escreveu também obras de teologia como o Sic et non (Pró e contra), em que sistematiza uma série de controvérsias religiosas na forma característica do método escolástico, e a Introdução à teologia, depois condenada pela Igreja. Em relação ao problema dos universais, manteve uma posição conhecida como conceitualismo. Foi discípulo de Roscelino, um dos principais defensores do nominalismo nesse período, e de Guilherme de Champeaux, defensor do realismo, contra o qual polemizou posteriormente.
Para Abelardo, os universais são conceitos, "concepções do espírito", realidades mentais que dão significado aos termos gerais que designam propriedades de classes de objetos. É importante também a contribuição de Abelardo à lógica e à teoria da linguagem — a ciência sermocinalis — sobretudo quanto à sua discussão da noção de significado; bem como à ética, considera a intenção do agente fundamental na avaliação de um ato como bom ou mau.
Abelardo foi uma personalidade controvertida, que se envolveu em inúmeras polêmicas durante sua vida, as quais narrou em sua História de minhas calamidades, sendo célebres suas desventuras amorosas com Heloísa.

Fonte: Dicionário Básico de Filosofia de Hilton Japiassú e Danilo Marcondes.

Primeiras eleições no Brasil




As primeiras eleições no Brasil foram marcadas por uma série de irregularidades. Não havia tribunal eleitoral. Ninguém sabia ao certo quanto dos 17 milhões de brasileiros estavam aptos a votar. As mulheres, os analfabetos e os menores de 21 anos não tinham direito de votar.

A criação da Justiça Eleitoral e do voto secreto só aconteceria com a Revolução de 1930.

H. Leung - Yang Tse River Passage

H. Leung - Village at Dusk

Revolução Constitucionalista de 1932 (Parte 04/04)

Professores da missão francesa, em 1934, que ajudaram na criação da USP

(Foto: Acervo Caph/USP)

Criação da Universidade de São Paulo

Após a derrota da Revolução de 1932, São Paulo sentiu a necessidade de formar uma nova elite capaz de contribuir para o aperfeiçoamento do governo e a melhoria do país. Com esse objetivo um grupo de empresários fundou a Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP), em 1933, e o interventor Armando Sales criou a Universidade de São Paulo (USP), em 1934. Como disse Sergio Milliet, "de São Paulo não sairão mais guerras civis anárquicas", e sim "uma revolução intelectual e científica suscetível de mudar as concepções econômicas e sociais dos brasileiros". A busca de conhecimentos aplicáveis à vida do país vinha reforçar a crítica à cultura bacharelesca e à formação deficiente das escolas de direito.
A ELSP desejava formar elites administrativas para os novos tempos, marcados por uma atuação crescente do Estado, enquanto a USP pretendia preparar professores para as escolas secundárias e especialistas nas ciências básicas. A sociologia norte-americana constituiu o modelo da ELSP. Já o perfil da Faculdade de Filosofia da USP foi influenciado pelo mundo acadêmico francês.
Professores estrangeiros como Roger Bastide, Emílio Willems, Donald Pierson, Pierre Monbeig e Herbert Baldus, entre outros, difundiram nas duas instituições novos padrões de ensino e pesquisa, formando as novas gerações de cientistas sociais no Brasil. A ELSP, a Faculdade de Filosofia da USP e o jornal O Estado de S. Paulo formavam o que o historiador Carlos Guilherme Motta chamou de "um tripé de sólido enraizamento cultural e político".
O entrelaçamento entre cultura e política também se fez sentir na criação do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo em 1935, pelo prefeito Fábio Prado. Nesse órgão trabalharam Paulo Prado, Mário de Andrade, Antônio de Alcântara Machado, Rubens Borba de Moraes e Sergio Milliet.
Outra conseqüência do projeto político-cultural que se desdobrou em São Paulo após a Revolução de 1932 por iniciativa tanto de instituições governamentais como de empresas privadas foi o notável crescimento da indústria editorial.

Revolução Constitucionalista de 1932 (Parte 03/04)

Revolução Constitucionalista de 1932. São Paulo (SP).
(CPDOC/ CDA Yasuhiko Nakamura)

Frente Única Paulista (Fup)

Aliança política formada em fevereiro de 1932 pelos dois principais partidos políticos do estado de São Paulo, o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Democrático(PD).
Com a Revolução de 1930, chegou ao fim o longo período de domínio do PRP sobre os governos federal e estadual, exercido desde os últimos anos do século XIX. Contudo, as expectativas do PD de substituir seu rival no comando da política paulista logo se frustraram, pois o presidente Getúlio Vargas preferiu nomear interventor federal no estado, em lugar de Francisco Morato, presidente do partido, o "tenente" João Alberto.
A animosidade entre os democráticos e as forças tenentistas logo se explicitaram, e em abril de 1931 o PD rompeu com João Alberto. A deterioração das relações entre o PD e o novo regime atingiu um ponto insustentável em janeiro de 1932, quando o partido rompeu também com Vargas e iniciou imediata aproximação com o PRP. Foi essa a origem da FUP.
O manifesto de lançamento da FUP foi redigido por Francisco Morato, representando o PD, e Altino Arantes, representando o PRP. Os dois partidos exigiam a devolução da autonomia política a São Paulo, com a nomeação de um interventor paulista e civil, e a reconstitucionalização do país, já que Vargas governava discricionariamente desde sua posse. A união entre as duas agremiações se dava apenas em cima dessa plataforma específica, mantendo ambas sua autonomia programática e organizacional. A aliança desde o início recebeu o apoio das grandes entidades de classe do patronato paulista, como a Associação Comercial.
Imediatamente após a FUP ser fundada, iniciaram-se contatos nos meios militares com vistas à preparação de um movimento armado contra o governo federal. A organização do levante ficou a cargo do general Isidoro Dias Lopes, veterano das lutas tenentistas da década anterior e comandante supremo do levantes de 1924 contra o governo de Artur Bernardes. O movimento armado foi efetivamente deflagrado em julho de 1932, mas foi derrotado pelas forças do governo federal em outubro seguinte, apesar de ter contado com expressivo apoio da sociedade paulista. Os principais líderes da FUP foram obrigados, então, a ir para o exílio.
Em 1933, quando Vargas convocou eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, as forças organizadas na FUP formaram a Chapa Única por São Paulo Unido, que obteve ampla vitória. Após as eleições constituintes, a FUP se desfez.